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29/01/2015

Poetas posam nus para financiar livros

Olá, leitores!
Muitos sabem (se não sabem, saberão agora) que o mercado editorial brasileiro é muito restrito para novos autores. O que é um absurdo, mas não vale discutir isso neste post. O fato é que muitos autores tem de buscar alternativas para divulgar suas obras. Foi o que aconteceu com um grupo de poetas aqui da capital federal.


Confiram na reportagem do Metro DF:

              O Mercado editorial brasileiro não é muito aberto a novos autores. Com a intenção de romper com as barreiras das editoras e após ouvirem várias negativas, um grupo de poetas brasilienses decidiu ir à luta – e pelados. Quinze poetas se uniram para posarem nus para um calendário que tem o objetivo de arrecadar dinheiro para financiar a publicação de livretos de autoria deles.
                “Não gastamos nem um centavo para produzir as primeiras 200 edições do calendário, foi tudo feito por amigos, o que vai ajudar a gente a arrecadar mais rápido o que for necessário para colocar nosso trabalho na rua”, conta a idealizadora do projeto, Mariana Mara.
                Além dela, 14 poetas entre 19 e 61 anos, participaram da criação do calendário. São eles: Àgata Benício, André Giusti, Aurea Valentina, João Pacífico, Lindha Torres, Maísa Arantes, Mana Gi, Melissa Mundim, Paula Passos, Preem Supunya, Seirabeira, Tairo Loiola, Tati Carolli e Vanderlei Costa. “A poesia é tão forte em nós que está cima de qualquer convenção”, afirma Marina.

Foto Divulgação. Créditos: Metro DF
Noite de Lançamento

                O lançamento do calendário ‘Poesia Nua’ será hoje (foi na última terça, dia 27 de janeiro de 2015), com autógrafos de todos os poetas participantes, além de um sarau. O calendário será vendido a R$ 20 e o dinheiro arrecadado será direcionado ao lançamento da coletânea ‘Poesia Nua’, uma coleção de 15 livretos (disponíveis também em e-book) com poemas dos participantes. Com a ação, os participantes esperam chamar a atenção de grandes editoras para o trabalho literário desenvolvido em Brasília.
                De acordo com a idealizadora, o processo de posarem pelados foi um divisor de águas até na carreira dos participantes. “A gente estava com vergonha no início, mas após participar alguns mudaram seus enfoques temáticos, criaram heterônimos... Foi uma revolução”, conta a poeta.

Foto, poesia e Banksy

              A ideia do calendário era passar uma prévia de como seriam os livretos poéticos. As fotos dos poetas foram posteriormente tratadas e ganharam contornos de ilustração. Os fundos das imagens receberam grafites do inglês Banksy, além de um poema curto sobre como foi a experiência de posar nu – ‘Vista a lua/ ou saia nua/ a vida é tua’, rima Mana GI.
              As fotografias são de Estefânia Dália e Sabrina Moura e as ilustrações são da própria Marina Mara (que também é designer gráfica). A primeira edição é de 200 exemplares, mas a organizadora espera vendê-los todos esta noite (na noite do lançamento). Já tem mais pronto para sair”. 


Fonte: Metro



Então, leitores, o que acharam da iniciativa dos autores?


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28/01/2015

ENTREVISTA: Cinthia Freire

Olá, leitores da Academia!
Voltamos hoje a publicar nossas postagens de parceria! Entrevistamos nossa autora Parceira Cinthia Freire. Ela contou para nós como tem sido a recepção dos leitores para com a sua obra e o processo que a levou para se tornar escritora. Vamos conferir também?


Academia: Primeiramente, gostaríamos de agradecer sua atenção. Conte-nos um pouco sobre você: quem é Cinthia Freire?

Cinthia: Olá, eu quem agradeço a oportunidade de poder falar um pouco de mim e do meu livro. Sou uma pessoa que ama histórias, principalmente de romances, sejam eles clichês ou não. Adoro falar, se deixar eu falo até não parar mais rsrs, amo chocolates, sorvete, comedias românticas e rock. Enfim acho que isso me define bem rsrs

Academia: Como surgiu seu interesse pela escrita? Você sonhava se tornar escritora ou foi consequência de algo?

Cinthia: Na verdade eu sempre gostei de histórias, escrevi a minha primeira aos 11 anos, mas depois disso me dediquei a leitura, só a quatro anos atrás foi que realmente voltei a escrever e dessa vez não parei mais. Acho que descobri que era isso que eu queria quando comecei a receber o retorno das pessoas que liam meus textos e gostavam.


Academia: Há quanto tempo você se entregou ao processo de criar histórias?

Cinthia: Faz cerca de quatro anos que decidi me dedicar integralmente a escrita, antes eu ainda trabalhava como arquiteta e dividia meu tempo entre o escritório e meus romances.

Academia: Quais as dificuldades que você enfrentou para que seu livro pudesse chegar às mãos dos leitores? Você recebeu muitos “nãos” antes de conseguir um “sim” da sua atual editora?

Cinthia: A primeira dificuldade de todo autor acho que é acreditar que sua historia pode ser lida por alguém, ao menos para mim essa foi a mais difícil, depois que acreditei que minha história poderia acontecer ai eu enfrentei as dificuldades naturais que toda profissão tem, pesquisei muito, li tudo sobre publicação e mandei meu “curriculum” assim como qualquer outro profissional para varias editoras, recebi algumas propostas e resolvi arriscar com a Novo Século e graças a Deus valeu a pena, acho que tá dando muito certo. Nãos existem em todas as áreas, não podemos desistir por causa disso, se uma não der certo a outra vai dar.

Academia: Seu livro “Um novo amanhecer” apresenta três personagens principais, entre eles, um anjo. Qual foi e como surgiu a inspiração para a criação deste personagem? 

Cinthia: Na verdade o livro é exatamente sobre ele, o livro conta a história de Zyon e todo o caminho que ele teve que percorrer, ao lado de Gi e Leo , até chegar ao momento da grande revelação da vida dele.  Acho que esse é o grande diferencial de Um Novo Amanhecer, você só descobre isso ao terminar de ler ele.

Academia: Sabemos que um dos personagens principais, o Leo, tem o seu tempo de vida contado devido uma doença com poucas chances de cura. Por que criar um personagem com um destino selado dessa forma? De que maneira a doença dele interfere no enredo da obra?

Cinthia: Como eu disse o livro foi pensado de trás pra frente, quando decidi escrever essa historia a única coisa que eu já sabia era o final, então a escolha de tudo foi pensada para que levasse os personagens para o final que desejei, a doença de Leo foi escolhida por ser uma doença que daria o tempo necessário para que a trama se desenrolasse como eu queria, e acho que no final tudo deu certo. Ao menos os leitores gostaram bastante do desfecho.

Academia: E como tem sido a reação do público e sua experiência com seus leitores? Alguma história marcante ou engraçada para nos contar?

Cinthia: Ah está sendo maravilhoso, os leitores de Um novo Amanhecer são extremamente carinhosos comigo, alguns me xingam um pouquinho mas depois eles entendem que tudo era necessário rsrsrs
Trecho do livro. Fonte: Facebook
Tenho tantas historias marcantes, muitas engraçadas principalmente quando sou ameaçada por causa do sofrimento do Leo no decorrer da historia, mas acho que a primeira leitora que me mandou um texto lindo falando o quanto Um Novo Amanhecer havia mexido com ela e perguntando quando sairia o filme foi marcante, era a primeira pessoa que havia lido o livro e já perguntou sobre um suposto filme, claro que fiquei lisonjeada e agradeci. Enfim todos os recadinhos que recebo são especiais, mas esse por ter sido o primeiro, me marcou bastante.




Academia: Todo escritor é também um leitor apaixonado. Como leitora, quais são seus escritores favoritos? Inspirou-se em algum para criar sua obra?

Cinthia: Ah com certeza, sou daquelas que entram em DPL ao terminar uma leitura boa. Meus escritores favoritos são Carina Rissi por ser fantástica e escrever com tanta leveza que sempre me pego com um sorriso nos lábios ao ler suas historias, J. R. Ward pela capacidade de tornar seus personagens tão reais que é como se eles fossem pessoas que pudéssemos encontrar por ai e Sidney Sheldon pelo brilhantismo com que cria tramas que mais parecem filmes que se passam em nossas cabeças enquanto lemos seus livros.

Academia: Qual autor (a) você indicaria para ser nosso “Parceiro da Academia”?

Cinthia: Paula Oliveira, por ser uma garota dedicada que está lutando para publicar seu romance Essencial,  uma historia super emocionante, um romance daqueles que nos faz suspirar e que vale a pena ser resenhado aqui.

Academia: Para finalizar, gostaríamos de agradecer pela parceria e colaboração com a Academia. Deseja deixar um recado para os aspirantes a escritores? E para seus leitores?

Cinthia: Eu quem agradeço a oportunidade de mostrar a minha história, espero que todos possam ler Um novo amanhecer e se emocionar com o romance entre Leo, Gi e Zyon, muito obrigada a todos que vem a mim com palavras de carinho e que elogiam o meu livro.
Com relação aos novos autores eu tenho a falar que não desistam, trabalhem muito, com amor e dedicação, não tenham pressa, ela é inimiga de uma boa historia, leiam, leiam muito pois faz parte do nosso trabalho, leia seus textos inúmeras vezes, peça a alguém para ler, revisem, mudem e leiam novamente, leiam em voz alta, aceitem as criticas e saibam que escrever é apenas 20% do trabalho, o resto é divulgação. E com o tempo vocês colheram os frutos, dá trabalho, mas vale muito a pena.


Obrigado, Cinthia! A Academia Literária DF agradece sua participação, atenção e carinho dedicados a essa parceria. Sucesso em sua carreira!

Já conferiram a resenha que fizemos do livro dela? Clique aqui.

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27/01/2015

RESENHA - Um Novo Amanhecer (Cinthia Freire)

Ficha Técnica:
Referência bibliográfica: FREIRE, Cinthia. Um Novo Amanhecer. Barueri (SP), Novo Século Editora, 2014. 1ª edição, 376 páginas.
Gênero: Ficção brasileira, romance.
Temas: Amor, ficção, anjos, recomeço.
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2014.













“Eu a desejava tanto e a amava tanto que não me importei se seria errado ou não. Quando ela me aceitou e nos beijamos pela primeira vez, todo o medo que eu sentia desapareceu.
Vivemos um sonho. A cada dia estávamos mais apaixonados e eu cheguei a pensar que talvez pudesse ser feliz. Talvez pudesse começar a desejar algo e a longo prazo, um carro, uma faculdade, viajar, trabalhar, casar... O medo havia sido esmagado por ela, pelo seu sorriso lindo, pela sua maneira doce de me amar. Diante da facilidade com que nos tornamos amigos, além de namorados, eu nem me lembrava da última vez em que eu tinha sentido medo.
Até que a maldição voltou e, dessa vez, ainda mais poderosa e violenta.”

Um novo amanhecer (pág 199).
              

             Giulia é uma garota doce e logo descobre o amor. Leo é um garoto descolado, com muitos amigos, mas esconde um segredo que mudará a vida dos que estão à sua volta. Zyon é um anjo jovem, arrogante e ignorante. O destino dos três estão traçados, os caminhos se encontram quando eles menos esperam e isso resulta em uma história cheia de amor, esperança, alegria e tristeza.
A descoberta do primeiro amor. A luta contra uma doença sem cura. A conexão inesperada entre um humano e um anjo e o amor impossível. Assim se faz “Um Novo Amanhecer”
Surpreendente. Essa é a palavra que define perfeitamente “Um Novo Amanhecer”. Este livro é surpreendente por vários motivos. Um deles é que Leo, um dos personagens principais, sofre de uma doença com poucas chances de cura. Porém, este livro foge do clichê. A obra traz algo novo e com um final incrível, que surpreendeu até quem leu a última página do livro primeiro.
Quem curte livros de romance sabe que existe alguns que tratam deste tema. Estes, seguem um padrão: um dos personagens tem uma doença, o amado(a) sofre durante boa parte do livro e os personagens vivem os últimos dias juntos de forma intensa. Assim, ficamos apaixonados e no fim alguém sempre morre, nos deixando tristes e chorosos. Particularmente, eu fico com raiva quando leio livros assim, porém o ódio logo passa e continuo amando o livro. “A Culpa é das Estrelas” do famoso escritor John Green, e “Um Amor pra Recordar”, de Nicholas Sparks (sou fã!), nos provam isso.

Fonte: Facebook

A obra não trata somente do amor. Trata da tristeza e da dependência em que os personagens vivem. Trata da condição de confinamento de um personagem que acaba prendendo todos os outros em um beco sem saída. Muitas vezes, percebi que estes não sabem como agir e reagir em frente aos problemas. Assim, foram forçados a aprender e a crescer da pior forma possível: sofrendo.
O livro nos apresenta três personagens principais: Giulia, Leo e Zyon.
Giulia é uma personagem de aparência frágil, mas com uma força capaz de aguentar todas as rasteiras da vida. Ela é a namorada dos sonhos, a nora perfeita e a filha exemplar. Uma personagem bem construída, com traços delicados que fazem qualquer um gostar da narrativa.
Em contrapartida está o Leonardo (ou Leo), namorado de Giulia. Ele é o personagem responsável pela trama, uma vez que, sem a doença que este tem não existiria esta estória. Eu tive uma relação de amor e ódio com ele e, em diversas vezes, senti muita raiva deste. Porém, sempre torci pelo personagem e entendia as suas atitudes. Afinal, há anos ele estava vendo sua vida e a vida de todos mudar por conta da sua doença.
O anjo... O que dizer de Zyon? Antes de iniciar a leitura, senti um certo preconceito por saber que existiria um anjo no meio de um romance (o mesmo preconceito por saber que um dos personagens estaria com os dias contados). Eu confesso que achei que ele não se encaixaria. Novamente, fui surpreendida por “Um Novo Amanhecer”. Zyon é o personagem essencial e ele é o responsável pelo enredo ser tão interessante. 
A obra conta com outros personagens, como os pais de Giulia (Cristina e Carlos), os pais de Leo (Álvaro e Renata), os amigos mais próximos de Giulia e Leo (Junior e Aline), os amigos de Leo e as amigas de Giulia, citados algumas vezes durante a narrativa. Estes apoiam o namoro de Giulia e Leo, torcem pelos dois e sofrem pela doença de Leo e as transformações que esta traz para a vida de todos.    
Fonte: Facebook

Eu li o livro em uma semana, e a cada dia eu ficava mais ansiosa tentando descobrir qual seria o final. Mesmo com várias possibilidades, a autora soube surpreender com um desfecho diferente. Deixou um gostinho de “quero mais”.
“Um novo Amanhecer” é dividido em três partes: O Encontro, O Fim e O Recomeço. Dividido em trinta e sete capítulos e um epílogo, a narrativa é feita em 1ª pessoa. Cada capítulo é narrado por um dos três personagens principais, a maior parte é descrita por Giulia, mas encontramos também narrativas de Zyon e Leo. Algumas vezes, o mesmo momento é descrito por dois personagens, com pontos de vista diferentes.
A relação temporal é truncada, com várias analepses destacadas em itálico e separados do texto para o leitor não se perder na história.
Encontrei apenas um erro de digitação, mas em nada atrapalha o entendimento do texto.
A flor Dente-de-leão, que significa liberdade, otimismo e esperança é a única ilustração do livro, que se repete em todo início de um novo capítulo. Essa flor tem um significado especial dentro do enredo da obra.
Cinthia Freire é a paulista responsável por este livro. É formada em arquitetura, mas preenche seu tempo integralmente com aquilo que mais gosta: estórias. Decidiu se dedicar aos romances, seu gênero favorito. Lançou seu primeiro livro em 2014 e se destaca na literatura brasileira por inovar (sem perder a magia) no gênero romance.  
Mais do que a história, o livro ganha pontos por ter uma narrativa diferente, que torna a leitura leve e de fácil entendimento. Meus parabéns à autora, por escrever um livro com narrativas diferentes de um mesmo acontecimento, mas que não o torna nem um pouco enjoativo ou confuso.
Como já dito aqui, eu me surpreendi com o livro. Aqueles que gostam de uma boa história de romance e drama se apaixonarão por ele também. Além destes, recomendo para aqueles que não gostam de clichês ou “modinhas”. “Um Novo Amanhecer”, obra de uma autora brasileira, tem muito a oferecer para todos. 



Bibliografia de Cinthia Freire:

·        Um Novo Amanhecer – Novo Século Editora (2014).


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26/01/2015

Escritor lança livro que se autodestrói em 24 horas

Tic Tac Tic Tac


Olá, leitores da Academia!

Muitos autores quando vão divulgar suas obras pensam em maneiras criativas e até inusitadas para chamar a atenção dos leitores. Alguns usam fantasias para seus livros fantásticos, outros oferecem mimos referentes à obra, fazem sorteios, e muitas outras coisas. Falando em ações inusitadas, o autor James Patterson resolveu oferecer aos leitores a sensação de urgência que permeia obras de ação e/ou suspense. Mostrando-os como é ter a sensação de tempo limitado. Em sua nova obra, Private Vegas, o autor apresenta um livro que deve ser lido em 24 horas. Ao final deste período ele se autodestrói.

What?!?!?!?

Explicando: O autor fala que a literatura tem encontrado ferrenha concorrência contra a outras formas de entretenimento, como televisão e cinema. Então, para divulgar e atrair leitores, em parceria com a agência Mother, ele criou o livro em que as primeiras mil cópias digitais serão gratuitas, mas desaparecerão do dispositivo do leitor em 24 horas. Um exemplar analógico também estará à venda por US$ 294 mil, o que inclui uma viagem e refeição completa com o escritor. No vídeo abaixo, é possível ter uma noção de como o livro de papel será destruído.

Veja o vídeo:


Algum leitor voraz se habilita? :)

Fonte: Brainstorm9
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22/01/2015

Prêmio Sesc de Literatura 2015


Olá, leitores!
Muitos por ai que adoram ler um bom livro, também sonham em ser lidos por outros leitores. Sonham ser escritores também. Devido as muitas dificuldades que pode-se encontrar no caminho, alguns acabam desanimando e consequentemente, desistindo.

Porém, querido leitor, não podemos desistir dos nossos sonhos, por mais impossíveis que eles possam parecer. Sempre há um caminho, basta persistirmos. E é por essas e outras que a equipe da Academia está sempre divulgando notícias que possam estar auxiliando os autores, sejam eles novatos ou veteranos. E hoje, vamos divulgar a abertura de um concurso que acontece todo ano há onze anos, que vem revelando novos autores: O Prêmio Sesc de Literatura.

O que é?

Revelar novos talentos e promover a literatura nacional são propósitos do Prêmio Sesc de Literatura. Lançado pelo Sesc em 2003, o concurso identifica escritores inéditos, cujas obras possuam qualidade literária para edição e circulação nacional. Além de incluir os autores em programações literárias do Sesc, o Prêmio também abre uma porta do mercado editorial aos estreantes: os livros vencedores são publicados pela editora Record e distribuídos para toda a rede de bibliotecas e salas de leitura do Sesc em todo o país. Mais do que oferecer uma oportunidade a novos escritores, o Prêmio Sesc de Literatura cumpre um importante papel na área cultural, proporcionando uma renovação no panorama literário brasileiro.

Em onze anos de Prêmio Sesc, já foram 19 escritores premiados. Na última edição, os livros vencedores foram o romance Enquanto Deus não está olhando, da jornalista Débora Ferraz e o livro de contos Parafilias, do bancário Alexandre Marques. “Recomendo o Prêmio a quem sonha em ser escritor. Sou a prova de que é possível. Sou uma escritora paraibana, longe dos centros editoriais e hoje vejo meu livro em livrarias do Brasil todo. É gratificante”, conta Débora. “Foi uma grande mudança. Antes, escrever era um hobby. Só amigos e familiares tinham acesso aos meus textos. Agora, além do Parafilias, já estou com o segundo livro em andamento, também pela editora Record”, afirma Alexandre.  

Inscrições

As inscrições abriram no último dia 19 de janeiro e vão até o dia 01 de março, que abrange duas categorias: conto e romance. Esse ano, uma grande novidade é que a inscrição será totalmente online, basta acessar aqui para conferir as regras.



Animados? Vamos escrever!


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20/01/2015

RESENHA - O Reino das Vozes Que Não Se Calam (Carolina Munhóz, Sophia Abrahão)



Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MUNHÓZ, Carolina. ABRAHÃO, Sophia. O Reino das vozes que não se calam. Rio de Janeiro, Fantástica Rocco, 2014. 1ª edição, 288 páginas.
Gênero: Ficção infanto-juvenil brasileira, fantasia – ficção.
Temas: Fantasia, seres exóticos, adolescência.  
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2014. 















“Lembrava-se da água violeta tocando seu corpo, da sensação reconfortante que aquilo passava, de sentir o vestido colado e a dormência convidativa. Conseguia ainda observar os rostos bizarros dos seres aquáticos jamais vistos até então e absorver a escuridão tão desejada. Cruzara a barreira. Passara pela segunda etapa. No entanto, algo acontecia. (...)”.

“O Reino das vozes que não se calam”, (pág 220).



Dizem que o mundo é cruel. Diante deste, algumas pessoas não conseguem sobreviver à dose de crueldade diária imposta por muitos. Sophie é uma dessas pessoas. Uma jovem corajosa e autêntica que tem o seu brilho natural ofuscado por pessoas egoístas que a menosprezam sem um motivo. Sophie se encontra em um mundo onde nem os pais parecem aceitá-la. Acredita que só tem Dior, o seu cachorro fiel.
De uma hora para outra a vida de Sophie muda completamente, de modo que ela nunca mais será a mesma. Em um dia de cochilo típico, ela acorda em um mundo que não é o seu. Um mundo onde todos parecem aceitá-la e amá-la do jeito que ela é. Porém, ao mesmo tempo em que se encontra noutro mundo, tem de encarar os seus problemas “reais”. Sophie então terá de enfrentar o maior dilema de sua vida.
Fonte: Facebook

Uma jovem bonita e triste: assim se apresenta Sophie, a personagem principal do livro “O Reino Das Vozes que Não Se Calam”. Filha única de George e Laura, Sophie se vê sozinha em um mundo onde todos a julgam e a rejeitam. Ela é uma personagem intrigante e de personalidade forte que vive em um mundo onde não é aceita e, de repente, descobre outro em que todos a amam e necessitam dela. Como em best-sellers de ficção com uma pitada romântica, as autoras conseguiram a receita para o sucesso: unir a infelicidade de uma adolescente com a magia do sobrenatural – o que é capaz de mudar totalmente a vida da jovem. A personagem principal então descobre o “Reino”, um lugar misterioso e convidativo. A descrição do “Reino” é sutil e precisa, porém confesso que me perdi algumas vezes neste por haver detalhes excessivos.
Um grande acerto das autoras foi a construção dos personagens que vivem no “Reino”. Estes são exóticos e é perceptível que foram bem planejados, havendo uma razão e explicação, dentro do enredo, para a maioria deles.
Voltando para o mundo “real”, os personagens George e Laura, pais da Sophie, foram também desenvolvidos e harmoniosos na trama. Eles são clássicos pais que não entendem os filhos, mas tentam apoiá-los sempre. Nada fora dos padrões a que estamos acostumados. Diferentemente do que aconteceu com o personagem Léo, que apesar de ser apaixonante, não parece casar bem com o enredo da obra. Esperava mais deste personagem (que é muito importante) e por isso me decepcionei neste ponto. Os demais personagens, como Mônica e Ana, são bem humoradas e casaram perfeitamente com a vida conturbada e confusa da personagem principal.





Fonte: Facebook

Algumas vezes durante a leitura, me deparei com citações de músicas, inclusive de uma das escritoras, a Sophia Abrahão. Além de música brasileira, há também trechos de músicas internacionais, como The Beatles, Pink Floyd, Oasis (amei!), Lorde etc. A música faz parte da vida das pessoas e aqui fez a diferença na construção do enredo, já que a personagem principal possui o talento do canto, apesar de não gostar que os outros saibam disso. Um detalhe interessante e peculiar.
A obra é narrada em terceira pessoa, através de um narrador onisciente. Algumas frases curtas, em itálico, foram usadas para apresentar pensamentos dos personagens durante a narrativa. O foco narrativo é a personagem principal, Sophie, em suas novas descobertas e ações quanto às essas. A trama é contada de forma linear, com poucos flashbacks.
O livro tem 288 páginas, e é dividido em um prólogo e 28 capítulos enumerados, porém sem nomes. A obra não apresenta erros quanto à revisão e formatação. Foram usados alguns trechos de músicas brasileiras e estrangeiras. Quanto á esta última ocorreu algo incomum: a narrativa se estende à tradução (o mais comum é que seja feita no rodapé) o que, apesar de não dificultar a leitura, trará complicações se acaso a obra vier a ser traduzida para o inglês. No final há um playlist das músicas utilizadas e os nomes das bandas citadas na obra.
A capa e todas as páginas da obra despertam a atenção pela beleza. Cada detalhe parece que foi feito à mão, tamanha a delicadeza encontrada. O meu exemplar tem em algumas páginas erro de impressão, o que resulta em alguns borrões no inferior destas, porém não é nada que atrapalhe o desenvolvimento da leitura.
Em 4 de novembro de 1988 nascia em São José do Rio Preto (SP) Carolina Munhóz Honório, uma brasileira que logo se tornaria jornalista e grande romancista. É integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo: o que nos dá uma ideia da sua imensa paixão por aventuras. Com apenas 25 anos, a autora de livros de ficção e aventura foi comparada e eleita, pela Revista Época, como seguidora dos passos de autoras renomadas como Cassandra Clare e Alexandra Adornetto. Vencedora do Prêmio Jovem Brasileiro de 2011 e Destaques Literários de 2012, a autora também chamou a atenção de grandes veículos de comunicação como Estadão, O Globo, rádio Record de Londres, Capricho e Disney Channel, além de ter o privilégio do livro “O Reino das vozes que não se calam” ser citado no Domingão do Faustão, programa da Rede Globo.
Esta obra traz uma surpresa: é o resultado de duas mentes brilhantes. Carolina Munhóz contou com a parceria de Sophia Abrahão. Sophia é uma artista completa: modelo, atriz, cantora e agora escritora. Aos 23 anos, a paulistana lançou seu primeiro livro: “O Reino das vozes que não se calam” (2014). Sophia Abrahão é, com certeza, um sucesso, principalmente entre o público jovem. Além de vencer diversos prêmios nacionais, como Melhor Atriz Nacional“, “Mais Estilosa e Melhor Instagram”, no Capricho Awards 2012, a jovem venceu seu primeiro prêmio internacional em 2013: o de Celebridade Fashion Mundial (Celebrity Fashion Shorty Award Leaders) no Shorty Awards, considerado o Oscar das redes sociais pelo The New York Times.
Apesar de ser uma obra infanto-juvenil, durante a leitura, muitas vezes eu me senti no mundo de Sophie, olhando através dos olhos dela, sentindo as angústias e prazeres da mesma. Uma sensação que só foi possível por conta do enredo bem escrito e desenvolvido. Um livro só é um bom livro quando consegue dar essa sensação ao leitor.
      “O Reino das vozes que não se calam” é uma obra realmente fantástica. Por isto, indico este livro não somente para jovens que buscam aventuras e fantasias de mundos exóticos que os livros podem oferecer. Indico também para aqueles que buscam uma história que, apesar de ser fictícia, nos desperta para a vida e nos faz refletir sobre o que está ao nosso lado e muitas vezes não valorizamos.






Bibliografia de CAROLINA MUNHÓZ (ordem cronológica):

Livros:
  •  A fada - Fantasy – Casa da Palavra (2012);
  •  O Inverno das fadas - Fantasy – Casa da Palavra (2012);
  •  Feérica - Fantasy – Casa da Palavra (2013);
  • O Reino das Vozes que não se calam – Editora Fantástica Rocco (2014).
Contos:

  •       Fui uma boa menina? - Rocco Digital (2013).


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19/01/2015

“Melhor que ler três livros, é ler um, mas lê-lo atentamente”


Hoje vim falar de um tema recente e provavelmente para vocês leitores não é novidade, mas para outros é uma forma de incentivo. O Enem deste ano divulgou que as pessoas que leem mais livros tiraram notas melhores na redação (matéria da Folha). Então a leitura além de prazerosa pode sim trazer benefícios para sua vida social. Ensinando-o a falar e escrever o português do nosso dia-a-dia de forma correta.

Este ano (2015) como exemplo, uma estudante tirou nota mil na redação do Enem e a mesma relata que escreve romances, crônicas e contos desde os 11 anos e que o hábito de leitura veio por incentivo da mãe. O que a gente sempre comenta que o incentivo à leitura por parte dos pais é fundamental. Para demonstrar essa importância a mãe da seguinte estudante disse:

"Dispensei minha cama, forrei um tapete no chão e fiz uma biblioteca nesse segundo quarto. À noite íamos para lá e líamos os livros, depois eu dormia ali no meio dos livros e às vezes ela dormia comigo, mas não quis abrir mão dessa presença física dos livros em casa, porque sei que seria ruim para ela",

Esse incentivo faz toda diferença na educação dos filhos, ainda mais hoje em dia que a tecnologia predomina. Muitos pais estimulam filhos a utilizar celular, tablet e a ver televisão o dia inteiro. Esquecendo que é importante estimular a parte mental e estimular o crescimento da pessoa. A mãe da estudante exemplo retrata bem esse quadro:

"Hoje os pais quando querem que os filhos fiquem quietos, entregam tablets e smartphones para eles. 
Eu quando queria acalmá-la entregava livros e isso foi virando um hábito. 
Acho que esse contato com a escrita e a leitura fez com que ela tivesse essa 
facilidade de se expressar e escrever bem e de compreensão de mundo".

Mas diante de toda essa tecnologia e facilidade, percebemos que não são todos que dão essa importância a leitura e não são todos que sabem realizar uma redação com qualidade. E isso seria devido à falta de interesse ou a falta de incentivo? Diria que os dois, mas não discutiremos sobre isso e sim o que podemos fazer para melhorar a escrita, afinal, temos de estar sempre praticando. O que fazer, você sabe?

1 – A prática leva a perfeição.

 Apesar de não ser algo muito divertido para muitos, treinar seus textos é essencial. Escrever à mão ao invés de digitar é uma maneira de melhorar sua escrita, afinal você é obrigado a prestar atenção se não está cometendo erros de ortografia e pontuação e sair de vez da comodidade dos corretores automáticos.

2 – Para escrever melhor, leia.

Os temas de redações tradicionalmente abordam fatos que ocorreram naquele ano que sejam de grande relevância. Por isso, para que você tenha repertório para discutir esses acontecimentos, esteja sempre informado. Ler ao menos parte dos editoriais ou então periódicos de edição semanal podem também ser alternativas para não somente ter conhecimento do que acontece no Brasil e no mundo, mas para saber quais são os tópicos que mobilizam a atenção do grande público e, consequentemente, os possíveis temas da prova. Fazendo isso, você poderá articular melhor suas ideias dentro da proposta de redação.
Contudo, ler apenas informativos pode não ser tão prazeroso. Por isso, embarque em leituras que te interessam, mesmo que o autor não seja nenhum Machado de Assis. Dessa maneira, você é capaz de adicionar novos termos ao seu vocabulário, assim como atentar a ortografia das palavras. Contudo, Best Sellers geralmente trazem muitas marcas da oralidade que você não pode ter na sua redação. Logo, tenha cuidado para não seguir essa tendência.

Lembre-se: não limite sua biblioteca pessoal a esses livros, afinal é também recomendável ler obras de grandes autores da literatura ou da sociologia. 

“O aluno tem que diversificar o máximo possível as leituras. Quanto mais variado for o repertório do aluno, melhor para que assim ele consiga aplicar as mais diversas áreas do conhecimento, relacionando-as ao tema proposto”, aconselha a professora. 

Lendo livros um pouco mais complexos, você se diferenciará dos demais candidatos, sobretudo porque você demonstrará conhecimentos que não se limitam a grade curricular do ensino médio e os corretores querem ver argumentos com certo embasamento teórico. Por isso esse é um bom investimento para incrementar seu texto.

E a pergunta que não se quer calar: “leio estas obras atentamente ou posso fazer leitura rápida como preparação para a redação?” Segundo a professora de redação, melhor que ler três livros, é ler um, mas lê-lo atentamente e conseguindo compreender, estabelecer relações, trabalhar os nexos, contextualizar.”

3 – Não abra mão do entretenimento.

Provavelmente você não estava esperando por essa terceira dica, mas é verdade. Tudo o que você assiste de filmes e seriados ou o que você ouve de música podem ser maneiras de dar suporte a suas ideias. Sobre isso, a professora Andrea Lanzara ainda acrescenta: 

“É muito importante que o aluno saiba escolher os seus momentos de lazer. Ele pode ir a um museu, ler um desses livros que estão fora dos indicados, mas aproveitar esses momentos de entretenimento para juntamente com isso aprender”, disse. 

Porém, atente-se: use exemplos relevantes. Não adianta citar determinado cantor só para demonstrar seu ótimo gosto musical. Para não correr riscos de errar, o ideal seria mencionar pesquisas e entrevistas, mas se esse trecho de livro confirmar seus argumentos, por que não?

E a dica da estudante nota mil:

"Eu estava habituada a exercitar a redação. Poderia vir qualquer tema, o que eu precisava era aprender como utilizá-lo ao meu favor. Então, aprendi a obedecer às cinco competências e agradar os corretores. Toda semana fazia uma redação sem nenhuma fonte de consulta, só recebia o tema e escrevia, porque é assim no Enem. Não dá para pesquisar, tem que saber o tema, argumentar, criar um conflito e solucioná-lo".


Então você ainda tem dúvida da importância da leitura? Pegue vários livros, leia, escreva e pratique o hábito da leitura!
 Boa leitura queridos leitores!!!

Fonte: Universia e G1
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16/01/2015

DIVULGAÇÃO: Espero Que Sirvam Cerveja no Inferno

Olá, leitores!
Vamos de divulgação? A nossa editora parceira Faro Editorial está com um super lançamento para essas férias de janeiro. Conheçam: Espero que Sirvam Cerveja no Inferno!


Sinopse:

Meu nome é Tucker Max, e muitas vezes ajo como um idiota. Fico super bêbado frequentemente e em momentos inapropriados, então ignoro as normas sociais e aproveito para fazer coisas excêntricas, sem medir consequências, dormindo com mais mulheres do que é humanamente seguro ou agindo como um canalha. Mas nisso tudo vejo um lado positivo. Eu contribuo com a humanidade de uma forma muito relevante: compartilhando essas aventuras com vocês.

Finalmente uma literatura para homens…

Você entra nas livrarias e vê livros para meninas, romances para mulheres solteiras, livros eróticos para mulheres casadas, e até temas para senhoras. Para homens, nada!

Tucker Max escreveu o livro mais politicamente incorreto sobre as aventuras masculinas…
Ele ri da vida, da saúde, da segurança dentro do trio: cerveja, noitada e mulheres… Mas não banca o garanhão invencível. Ele conta as furadas, os micos, as mancadas, mas também o lado divertido dessas aventuras… para valer a máxima contida no título: Já que tem certeza de que não vai para o céu, ele torce para que sirvam pelo menos cerveja no inferno.

Max conta tudo com muitos detalhes, o que nos faz apenas advertir: NÃO REPITA EM CASA… MAS A GARANTIA É DE QUE VOCÊ VAI RIR MUITO!

Curtiram? Parece ser um livro bem divertido. Abaixo temos um Booktrailer:


Nosso parceiro tem muitas outras novidades para esse ano. 
Aguardem novas notícias!


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13/01/2015

RESENHA - A Lenda de Ruff Ghanor - Volume 1: O Garoto-Cabra (Leonel Caldela)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: CALDELA, Leonel. A Lenda de Ruff Ghanor - Volume 1: Garoto-Cabra. 1ª edição. Curitiba, Nerd Books, 2014. 314 páginas.
Gênero: Fantasia Medieval
Temas: Guerra, Magia, Dragões, Deuses, Demônios
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2014
Série: A Lenda de Ruff Ghanor - Volume 1: Garoto-Cabra.














“- Poucos lembram deste símbolo, garoto-cabra. Talvez apenas um punhado no continente inteiro. Mas passei boa parte da vida estudando e li tomos que não existem em lugar nenhum, exceto aqui. Este é o símbolo de uma linhagem que todos julgavam extinta. Uma linhagem de reis.
- Sou um rei?
- Você é o garoto que surgiu quando buscávamos uma cabra! Um garoto com um grande peso nas costas.
Calados.
- Mas tem uma linhagem – disse o prior. – Tem um nome.
- E qual é meu nome?
As palavras vieram sólidas, como uma pedra de catapulta. Como um rugido seguido do clangor de uma espada, o nome reverberou:
- Ruff Ghanor.”

*A Lenda de Ruff Ghanor: Garoto-Cabra (pág. 51).



Em uma terra inclemente e distante, assolada por monstros e governada pelo terrível dragão Zamir, ergue-se o Mosteiro de São Arnaldo. Os clérigos do santo tentam viver em paz, sob o julgo do tirano, quando em uma noite chuvosa encontram um estranho garoto. Uma criança selvagem que parece não entender a língua dos homens. Um garoto que luta como um adulto, que mata como um monstro, capaz de criar terremotos com as mãos nuas, apenas batendo seu punho contra o chão. Seu nome é como um rugido: Ruff Ghanor.
Descendente de uma linhagem esquecida de reis, Ruff Ghanor pode ser o grande escolhido para combater o dragão. Vivendo no mosteiro isolado do resto do mundo, ele cresce com o peso de seu destino, cercado pelos amigos que cultivou ao longo dos anos e seu grande amor de infância. Treinado desde pequeno pelo rigoroso e implacável prior, Ruff tem um futuro de glória e sangue.
A história de um jovem com um dever monumental, imposto por homens e deuses. Uma vida repleta de fúria e paixão, medo e fé. O início da jornada de um herói e de um rei.
Esta é a lenda de Ruff Ghanor.

Foto: Academia Literária DF
       Leonel Caldela brinda seus leitores com mais uma fantástica obra nacional. A Lenda de Ruff Ghanor: O Garoto-Cabra é o primeiro livro de uma trilogia idealizada após uma sessão de RPG, narrado e transmitido via podcast pelo canal do Jovem Nerd. Aliás, essa obra foi um mero acontecimento do acaso, um acidente. Tudo começou nessa sessão de RPG, onde um dos jogadores perguntou ao mestre do jogo (aquele que narra à história) qual era o reino em que estavam jogando. De supetão ele respondeu: Ghanor. A Lenda de Ruff Ghanor, como ele explica, era um detalhe secundário no cenário, que devido ao grande sucesso do podcast ganhou forma, volume e consequentemente uma história. Então, eis que surge a figura do autor Leonel Caldela, convidado a dar vida ao passado do herói de Ghanor. Leonel foi convidado a escrever a história, por seu histórico de trabalhos compartilhados, ou seja, criar uma história a partir de um cenário pronto. No início de sua carreira, sua primeira trilogia foi um romance que se passava no cenário de Tormenta, o maior cenário de RPG brasileiro. Seu trabalho em A Lenda de Ruff Ghanor foi expandir e dar vida ao herói e a todos que estavam envolvidos com ele.
A história começa com a fuga de cabras. Os acólitos Niccolas e Dunnius recebem a missão de localizá-las e levá-las de volta ao curral. Ainda faltava uma e ambos estavam indo em direção ao bosque, quando foram abordados por um garotinho de nome Korin, que dizia que eles estavam indo pelo caminho errado. A última cabra havia ido para a montanha, em direção ao Túnel Proibido. Depois de muito discutir e temer, o trio (Korin havia desobedecido a ordem de não segui-los) entrou na caverna e lá encontraram algo que mudaria suas vidas para sempre: um garoto. Mas não um garoto qualquer. Era um menino nu, de no máximo sete anos, que havia acabado de derrubar um lagarto gigante e ainda lutava contra mais dois. E isso nem foi o mais impressionante. Uma luz vinda de lugar nenhum iluminou o ambiente e desapareceu instantes depois de cegar o inimigo do garoto que fechou os punhos e golpeou o chão, causando um terremoto, abrindo o chão, derrubando o inimigo. O garoto foi apresentado ao prior, que imediatamente enxergou nele um potencial. O menino foi adotado pelo mosteiro e lá começou sua jornada, lá começou a trilhar seu destino.
Eu me identifiquei rapidamente com a história. Acompanho o trabalho de Leonel Caldela desde seu livro de estreia e posso dizer com segurança que o autor sabe como escrever bem. Usando de sua vasta experiência com o cenário de RPG Tormenta, o autor construiu com maestria um mundo medieval repleto de perigos e mistérios. Recheado de personagens cativantes e cenários bem descritos. Batalhas épicas e acontecimentos memoráveis. Leonel é para mim um dos maiores representantes da literatura fantástica nacional. Foi através dele que eu peguei gosto pela leitura e comecei a pesquisar mais sobre autores nacionais. Tudo começou com o primeiro livro de literatura que eu li por gosto e não por obrigação: O “Inimigo do Mundo”. Mas isso é história para outra hora.
Os personagens são bem elaborados, complexos e ricos em personalidade. Ruff Ghanor é um garoto persistente e impulsivo, para ele todo o esforço é pouco para alcançar seus objetivos. Obedece as ordens do Prior sem pestanejar, mas ao mesmo tempo o ignora completamente quando vê uma injustiça ou amigo em perigo. Korin é leal e teimoso, seguindo Ruff desde a infância, confia cegamente no destino do amigo e o acompanha, mesmo diante da morte certa. Áxia é uma garota corajosa e inteligente. Sofrendo abusos dos moradores da aldeia por conta da profissão de sua mãe e da deficiência de seu irmão, encontra na magia e no amor de Ruff um porto seguro. O prior, líder do Mosteiro de São Arnaldo é um homem severo, exigente e soturno, mas que guarda em seu coração um grande apego por Ruff e Korin e os guia na importante missão de derrotar Zamir. Os dramas de cada personagem são dignos de nota, cada um tem em seu passado alguma história sofrida de dor e tristeza, mas ao mesmo tempo, cada um guarda em seu âmago a esperança de um futuro melhor e isso só aumenta a medida que o escolhido adquire mais experiência. E são essas narrativas que fazem com que o leitor se importe, torça por alguns e amaldiçoe outros. Nenhum dos personagens ficou de escanteio, todos tiveram seus momentos e nenhum deles foi inserido na história sem um motivo.
Alerta de Spoiler, clique para ver!
Porém, quem merece um destaque enorme é o Prior. A história dele é S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L. Muito profunda, incrivelmente bem construída e com uma revelação fantástica. Uma total surpresa para os leitores, pois creio que ninguém imaginava algo assim para o passado dele. O melhor de tudo, é que a trajetória de sua vida toca no âmago de qualquer leitor que a leia. Pois a história desse homem, os aprendizados, as ideias, as experiências, se constroem em meio aos livros, assim como a história de muitos leitores que estão lendo esta resenha, ele aprendeu a ser uma pessoa melhor.

Ele viu a lâmina e sacou o machado. Olhou ao redor: seus comandados já arreganhavam os dentes, as mãos nos cabos de suas armas. Ele sentiu um frio profundo no estômago. Por que estava prestes a fazer aquilo? Por que, depois das chacinas, das atrocidades, a queima de uma biblioteca acendia seus escrúpulos?
Porque os livros o haviam mudado.
Porque, de alguma forma, aquilo parecia pior do que matar. Aquilo era matar o futuro.
Ele matara a própria mãe. Mas não conseguia matar o futuro que sua mãe havia ajudado a construir. Pág 160


A amizade de Ruff e Korin é outro ponto fortíssimo na trama. É comum vermos em histórias, principalmente aquelas de heróis, amigos inseparáveis, que estão juntos na vida e na morte, mas poucos conseguem retratar isso com tanta fidelidade como nesse livro. Korin é mais fraco, menos experiente, menos treinado e menos abençoado, mas isso não o impede de seguir Ruff, não o impede de segui-lo nas piores missões. Em determinados momentos, ele chega a ser o cérebro e consciência de Ruff. Korin é o alívio cômico da história. Sempre com uma piada em momentos de tensão, sempre com uma frase de efeito quando a coisa está feia para os dois. Sempre leal, sempre amigo.

- Ajude-me, Korin. Ajude-me. Preciso de sua força.
- Ainda bem que você notou isso, seu idiota. Não vou deixá-lo sozinho, você morreria em dois minutos! Pág 248

Até mesmo nas brigas (que aumentavam à medida que cresciam) os dois cuidavam um do outro. Em meio a xingamentos, socos e chutes havia amizade, fé e confiança.
Alguns capítulos são surpreendentes, cheios de emoção e moral, daquelas que você para de ler e fica olhando para o vazio, para refletir um pouco sobre o que aconteceu. As mortes, os ensinamentos, algumas ações e algumas descrições nos convidam a pensar sobre nossa própria realidade, sobre o que vivemos e fazemos no mundo. O preconceito, a discórdia, as intrigas, as brigas, os amores, as amizades, as tragédias. A realidade se mistura com a fantasia com naturalidade na obra.
Apesar de muitos saberem qual o destino de Ruff, a história nem de longe é previsível. Há reviravoltas extraordinárias que fazem a história ficar ainda mais instigante, que fazem o leitor querer “ler só mais um capítulo” para saber o que acontece a seguir. Os momentos de calmaria rapidamente se transformam em cenas de ação e tensão, para novamente voltarem à calmaria, apenas para revelar algo ainda mais frenético e chocante, de forma que o leitor não irá se cansar de devorar as páginas do livro.
As cenas de batalha são de tirar o fôlego. A forma como o autor narra os combates, o uso de armas e magia fazem o leitor se imaginar (quem joga, claro) em uma partida de RPG, onde os jogadores anunciam sua jogada e o mestre narra o que acontece em seguida. Eu me sentia dentro do livro, dentro do turno de combate, esperando minha vez de agir. Esperando minha vez de usar alguma arma, alguma magia contra as forças de Zamir, esperava o momento certo para usar o escudo e defender meus amigos na parede de escudos. E principalmente, ficava PUTO DA VIDA com raiva quando um aliado perecia. E não foram poucos. A vida de Ruff Ghanor e seus amigos é recheada de cenas chocantes de perdas. Assim como na trilogia Tormenta, o autor tem o hábito de matar ótimos personagens, com os quais muitos de nós nos identificamos. Fazer o quê? É a vida de quem vive pela batalha.
Leonel nos faz permanecer tanto tempo ao lado de Ruff no mosteiro que por um momento eu cheguei a esquecer que aquele era um mundo fantástico no seu sentido mais puro. Tudo estava tão resumido a treinar e treinar e treinar que acabei esquecendo que a aldeia, o mosteiro e suas vizinhanças eram apenas um ponto desgarrado de um mundo medieval fantástico, repleto de outras raças como elfos, anões, deuses, demônios e claro, dragões. Isso porque Ruff passa a maior parte de sua vida no mosteiro e em suas cercanias e nunca se aventurou pelo mundo. Então, os leitores podem acompanhar e desbravar junto com Ruff, o que há além da aldeia. E isso foi interessante, porque cheguei a ter um choque (assim como Ruff) quando apresentado a outras raças que compõe a obra.
Eu não cheguei a ouvir o NerdCast de RPG e não tenho o ArtBook (os antecessores da obra, o que deu origem ao reino de Ghanor e seu herói lendário), porém, o autor e os editores estão de parabéns, pois ninguém precisa de nada disso para compreender e amar a trama. A Lenda de Ruff Ghanor é completa por si só.

O Guia Ilustrado. Créditos: Site Jovem Nerd
A obra é toda narrada em terceira pessoa. A fluidez é tranquila, o autor usa de linguagem simples, fazendo com que a leitura flua naturalmente. Porém, aqueles que não estão acostumados com histórias medievais/fantásticas podem se perder um pouco nas descrições de cenários, monstros e batalhas, mas nada que faça o leitor se cansar da obra. Os personagens, como já dito acima, são complexos e bem construídos. Podemos acompanhar a evolução deles na trama, principalmente a de Ruff, Korin e Áxia, pois eles são crianças quando a narrativa começa. A história é quase toda linear, apenas alguns trechos são reservados para contar o passado de algum evento ou personagem mais secundário.
Mapa dos arredores do Mosteiro. Créditos: Site Jovem Nerd
A revisão está ótima, assim como a formatação e a diagramação. A capa é sensacional, mostrando o protagonista da trama e seu vilão, o motivo de tudo o que Ruff faz na vida. As letras do título da obra estão em relevo. No início do livro tem um prefácio, onde o Alexandre Ottoni explica como surgiu a ideia para o livro, e logo depois há mapas rudimentares (como se um mestre de RPG tivesse pego papel e caneta e desenhasse ele mesmo o mapa do cenário) para que os leitores possam se achar na trama sem ter de “apelar” ainda mais para a imaginação. No final do livro há um relato do autor sobre como o RPG mudou sua vida e o levou a trilhar a jornada de ser um autor e logo depois os agradecimentos. Para fechar, cada capítulo tem um número e um título.
Leonel Caldela é um dos maiores nomes da literatura fantástica nacional na atualidade. É autor da Trilogia da Tormenta, série de romances no maior cenário de RPG nacional, composta por O Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus. Também escreveu O Caçador de Apóstolos e Deus Máquina, romances de fantasia medieval em universo próprio. Escreve, edita e traduz livros de RPG pela editora Jambô e é um dos autores do selo Fantasy – Casa da Palavra, escrevendo o Código Élfico (resenha aqui). Mora em Porto Alegre, mas sua mente e coração costumam estar em outros lugares.
Primeiramente, recomendo este livro para quem, como eu, é fã/jogador de RPG. A obra é a personificação do sonho de muitos mestres de RPG: transformar as aventuras de seus jogadores em um livro. Aos fãs de fantasia que adoram histórias de magia, guerras, raças fantásticas, batalhas épicas, esse livro também é de vocês. Aqueles que nunca leram um livro de fantasia e querem experimentar viajar por esse mundo, aqui está um ótimo ponto de partida. Nem preciso dizer que esse livro é para os fãs do Jovem Nerd, que acompanharam aquele NerdCast de RPG, onde tudo isso começou.
Rolem os dados! Por São Arnaldo!

Obs: Aqueles que adoram (não sei porque) ler o final do livro antes de começar a leitura, sugiro não fazer isso dessa vez. Assim como o autor fez em "O Crânio e o Corvo", há um Spoiler violento na última página do livro que muda completamente toda a perspectiva que temos ao longo da leitura.
Aviso dado.


Bibliografia de LEONEL CALDELA (ordem cronológica):

Livros:
  • O Inimigo do Mundo - Jambô Editora (2005) 
  • O Crânio e o Corvo - Jambô Editora (2007) 
  • O Terceiro Deus - Jambô Editora (2008) 
  • O Caçador de Apóstolos - Jambô Editora (2010)   
  • Deus Máquina - Jambô Editora (2011)  
  • O Código Élfico- Fantasy, Casa da Palavra (2013).
  • A Lenda de Ruff Ghanor –Nerd Books (2014).



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