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25/02/2015

DIVULGAÇÃO: O Jogo Mais Doce

Olá, leitores! Hoje vamos divulgar a nova publicação da nossa parceria Faro Editorial.

A INCRÍVEL CONCLUSÃO DA HISTÓRIA DE AMOR DE CASSIE & JACK

Eu sinto que nasci para ficar com ele, como as conchas na praia. Jack era a concha, em constante movimento, sendo lançado de lugar a lugar pelo fluxo de alguma coisa mais poderosa que ele. E eu era a areia, prendendo-me e agarrando-me a ele, aliviando seus tombos a cada avanço, sempre fiel.
Cassie Carter

Quando sua carreira no beisebol chega ao fim, é como se batessem com um martelo em seu peito. Então você finalmente percebe que pode amar o esporte, mas ele nunca pode ser comparado ao amor de sua vida. Todas as noites sem dormir, as horas passadas na academia, o condicionamento, o treinamento, a preparação mental, os feriados perdidos, as ausências em momentos importantes de sua família... tudo para quê? O seu esporte, o seu trabalho, não ficou acordado por noites a fio, torcendo, cuidando, tentando descobrir como tornar você um jogador melhor ou dando mais do que você merecia. Ele é um negócio. Um esporte. Um jogo. E, por mais que minha vida tenha sido transformada por ele, é hora de deixar isso para trás.
Jack Carter



A obra acabou de chegar nas livrarias! Corram atrás do de vocês ;)


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24/02/2015

RESENHA - A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra (Robin Sloan)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: SLOAN, Robin. A livraria 24 horas do Mr. Penumbra. 1ª edição. Ribeirão Preto, Novo Conceito, 2013. Tradução: Edmundo Barreiros. 288 páginas.
Gênero: Ficção.
Temas: Bibliofilia, livros antigos codificados, sociedade secreta, programadores, hackers, googlers e RPG.
Categoria: Literatura estrangeira; Literatura norte-americana.
Ano de lançamento: 2013 no Brasil; 2012 nos Estados Unidos.










“Será que é um clube do livro? Como eles se inscrevem? Será que pagam por isso?
Eu me pergunto essas coisas quando fico aqui sentado e sozinho, depois que Tyndall, ou Lapin, ou Fedorov vão embora. Tyndall é provavelmente o mais esquisito, mas eles são todos bem estranhos: todos grisalhos, obsessivos, aparentemente importados de outra época e de outro lugar. Não há iPhones. Na realidade, não se fala em eventos recentes ou cultura pop; não se fala em nada além dos livros. Acho que eles são um clube, apesar de não ter provas de que se conhecem. Sempre vêm sozinhos e nunca falam uma palavra sequer sobre qualquer outra coisa além do objeto da atual  fascinação frenética deles.
Não sei o conteúdo desses livros, e não saber faz parte do meu trabalho. Depois do teste da escada, no dia em que fui contratado, Penumbra parou atrás do balcão, me olhou com olhos azuis vivos e disse:
– Esse emprego tem três exigências, muito estritas. Não concorde se não puder cumpri-las. Os balconistas dessa loja seguem essas regras há quase um século e não sou eu quem vai mudá-las agora. Um: você tem sempre de estar aqui das 22 às 6 horas, exatamente. Não pode sair mais cedo. Dois: não pode ler, folhear ou inspecionar de modo algum os volumes nas estantes. Simplesmente apanhe-os para os membros, só isso.
Sei que você deve estar pensando: dúzias de noites sozinho e você nunca nem espiou o que vem depois de alguma capa? Não, nunca. Pelo que sei, Penumbra tem uma câmera aqui em algum lugar. Se eu bisbilhotar e ele descobrir, estarei demitido. Meus amigos estão em situação muito ruim por aqui. Indústrias e partes inteiras do país estão fechando as portas. Eu não quero morar numa barraca. Preciso deste emprego.
E, além disso, a terceira regra compensa a segunda.
– Você deve tomar notas detalhadas de todas as transações. A hora. A aparência do cliente. Seu estado de espírito. Como ele pede o livro. Como ele o recebe. Se ele parece abatido. Se está usando raminho de alecrim no chapéu. E por aí vai.”
*A livraria 24 horas do Mr. Penumbra (pág. 24 e 25).


                Ser o atendente noturno de uma pequena livraria semiesquecida em um bairro semiesquecido de São Francisco não era o projeto de vida de Clay Jannon. Nem de longe. Mas essa foi a única opção que o web designer desempregado encontrou para não acabar morando em uma barraca devido a recessão financeira que o país enfrentava. Entretanto, a Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra era algo mais que uma velha livraria decadente: era um lugar estranho, com um acervo de obras estranhas, com um proprietário estranho e com poucos e fies clientes (ou membros?) ainda mais estranhos. E as esquisitices da pequena livraria/biblioteca despertaram a curiosidade de Clay. Observando, xeretando e pesquisando, o atendente acaba por descobrir que aquelas prateleiras guardam muito mais que livros esquisitos e únicos: guardam um enigma. E esse enigma envolve uma sociedade secreta de bibliófilos e uma antiga obsessão da humanidade.
                O que pode acontecer quanto um conjunto de esquisitices desperta a atenção de um rapaz jovem e imaginativo? E o que pode acontecer quando essas mesmas esquisitices apontam para algo maior e mais significativo e esse rapaz curioso possui um grupo de amigos e conhecidos com habilidades e recursos que lhe permitem ir longe, muito longe em suas investigações? Muita coisa. E os desdobramentos de tudo isso é o que Robin Sloan explora em seu “A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra”. Esse é um livro que permite ao leitor degustar uma história que envolve, magistralmente, elementos como livros antigos, codificação de informações impressas, fontes tipográficas, bibliófilos, irmandades secretas, programadores de computador, hackers, produtores de efeitos especiais, googlers, a sede do Google e todo seu poder de processamento de dados, jogadores e mestres de RPG e um dos maiores sonhos da humanidade (não, não vou dizer qual é. Você, caro leitor, terá que ler o livro para descobrir). Diante de tudo isso, o que se pode dizer de “A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra”? Bem, esse é um livro simplesmente DE-LI-CI-O-SO de ler. É muito interessante acompanhar como, ao longo da história, uma simples e decadente livraria ganha contornos misteriosos e se mostra parte de um grande esquema. É ainda mais interessante acompanhar todas as reviravoltas e artimanhas empregadas por Clay, o protagonista da trama, para entender o que se passa ali. E não, a história não se encerra quando ele descobre de que se trata a trama que envolve aqueles livros, aquele lugar, seu proprietário e seus estranhos frequentadores. Clay acaba envolvido no esquema, por motivos muito diferentes dos demais, mas ainda envolvido. E, junto com ele, o atendente leva também seus amigos, cada um com um tipo de habilidade muito útil na empreitada, tal como em uma aventura de RPG. Aliás, as semelhanças com uma aventura RPGística é bem explicitada pelo próprio personagem-narrador, que a todo momento faz uma comparação com o jogo que marcou sua infância e estreitou ainda mais os laços de amizade com seu melhor amigo, Neel.

“Conto a Neel o que aconteceu. Explico à maneira da introdução de uma aventura no Rockets & Warlocks: as subtramas, os personagens, a busca anterior à nossa. O quadro está se formando, digo: há um trapaceiro (que sou eu), e uma feiticeira (Kat). Agora preciso de um guerreiro. (Mas afinal, por que o grupo típico de aventuras consiste de um feiticeiro, um guerreiro e um trapaceiro? Na realidade, deveria ser um mago, um guerreiro e um cara rico. Senão, quem vai pagar por todas as espadas e feitiços e quartos de hotel?).”
Pág. 123

A verdade é que todas as características dessa história fazem dela basicamente uma aventura moderna de RPG onde o cenário fantástico típico é trocado por São Francisco e Nova York.  Referências à cultura pop também não faltam.

“Debruçados em torno de uma mesa baixa feita de caixas antigas de fita magnética, acho que podemos ser descritos assim, não como uma empresa, mas pelo menos como algo novo em formação. Somos uma pequena Aliança Rebelde, e Penumbra é nosso Obi-Wan. Todos sabemos quem Corvina é.”
Pág. 159
Ou ainda:

“Conforme descemos degrau a degrau, começo a ouvir sons. Murmúrios baixos; depois, um ronco baixo; em seguida, o eco de vozes. Os degraus terminam e há uma moldura de luz bem à frente. Passamos por ela. Kat fica sem fala e expira formando uma pequena nuvem.
Isso não é uma biblioteca. Isso é a Batcaverna.”
Pág. 148

                Mas há algo que se faz necessário dizer a respeito de “A Livraria 24 Horas do Mr. Penumbra”: não é o final que importa e sim o processo construído até chegar a ele. Traduzindo: o desfecho da história pode decepcionar muitos leitores, mas vai agradar aqueles que perceberem a mensagem transmitida pelo livro (não vou dar detalhes sobre o final e também não vou falar qual é a mensagem. Novamente, você terá que ler para descobrir).
                Para narrar essa envolvente e curiosa aventura pelo universo dos amantes de livros, Robin Sloan elegeu seu protagonista como personagem-narrador. A narração em primeira pessoa oferece a visão de Clay sobre os fatos. Oferece também suas conjecturas, suas desconfianças e suas deduções. E é seu jeito irreverente e jovial que dá o tom da trama, sempre com alguma piadinha ou com alguma colocação pessoal acerca do que está acontecendo ou do que ele pensa estar acontecendo. O ritmo de leitura é muito natural porque a obra adota uma linguagem simples e de fácil compreensão. Também contribui para a fluidez da leitura a linearidade da narrativa e a maneira ágil, mas sem atropelos, como os acontecimentos e desdobramentos se sucedem e se desenrolam. Os personagens são variados e quase caricatos. Há o velho excêntrico e muito culto dono da livraria igualmente excêntrica.  Há o líder ultraconservador de uma irmandade secreta. Há a garota louca por tecnologia que acredita que este é o caminho e a resposta para tudo e que possui vários conjuntos iguais de roupa à la Steve Jobs. Há o garotinho nerd e antissocial que se torna um milionário desenvolvedor de softwares.  E há Clay, o clássico curioso que ignora a regra que o proíbe de fazer algo e, exatamente por isso, ele não apenas faz o que não devia fazer como envolve todos à sua volta em sua “transgressão”. Ainda que caricatos, os personagens são cativantes e muito adequados à proposta da obra. Quanto às características editorias, tais como capa, diagramação e revisão, o trabalho foi muito bem feito, mas não excepcional.
                “A Livraria 24 horas do Mr. Penumbra” é o romance de estreia de Robin Sloan, um economista de Detroit formado em Michigan e também coautor de uma revista literária chamada Aveia. Entre 2002 e 2012, trabalhou no Poynter Institute for Media, na Current TV e no Twitter, dando suporte às novas mídias. Sua passagem do mundo da tecnologia para o mundo impresso aconteceu, segundo ele mesmo, numa manhã de terça-feira quando chegou ao clube Grolier – um reduto de colecionadores de livros raros – e apaixonou-se por todos aqueles livros impressos. Talvez tenha vindo daí sua inspiração para criar essa obra tão singular sobre uma irmandade que “cultua” livros muito, muito raros. Uma inspiração que rendeu uma obra gostosa de ler e com potencial para agradar leitores de variados perfis: do geek amante de tecnologia ao conservador apaixonado por obras clássicas e tipografia; do nerd jogador de RPG ao leitor que busca apenas um bom entretenimento; dos que apreciam um bom mistério aos que se deleitam com teorias da conspiração. Está tudo ali, costurado e orquestrado lindamente para formar uma história que arrebata pela criatividade e pela mistura inusitada. Uma história que apaixona pela construção primorosa de uma trama que se complica para ao fim mostrar a simplicidade de uma fábula moderna sobre computadores e livros.
               

Robin Sloan


Bibliografia de Robin Sloan (ordem cronológica):

Livros:

  • A livraria 24 horas do Mr. Penumbra – Novo Conceito (2013).
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23/02/2015

EVENTO: Lançamento dos livros do Chris e do Rafa

Olá, leitores! Hoje vamos divulgar mais um evento!


O que é?

"Venha para o lançamento de Eu fico Loko e Diário de um Adolescente Apaixonado na Livraria Leitura, no Terraço Shopping!"

Quando?

Dia 26 de Fevereiro (quinta), às 19:30

Onde?

Livraria Cultura - Casa Park Brasília.


Link do evento: aqui.


Quem vamos? Sejam espertos, porque limitaram a 400 senhas! A Academia Literária DF vai marcar presença!


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17/02/2015

RESENHA - Eu destruí aquela vida (Victor Gomes)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: GOMES, Victor. Eu destruí aquela vida. 1ª edição. Campo Grande, Zap Book, 2014. 192 páginas.
Gênero: Drama adulto; Filosofia.
Temas: Deuses, crenças filosóficas e religiosas, traição, ética, tragédia pessoal, loucura.
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2014.











“Todo mundo quer saber se existe, ou não, alguém ‘lá de cima’ intervindo em sua vida. Só digo uma coisa: nesta  vida eu intervenho. Por exemplo: quando Roberto espancar o playboy, será tanto obra minha quanto dele: eu o coloquei nas circunstâncias propícias à ação. Também com o cemitério, de repente o lugar mais fácil por onde caminhar. O guia, você pergunta? Eu.
            Obrigado, obrigado.
            É que às vezes me entedio e aí, bom... aí preciso mexer com meus brinquedinhos. Faço o que quero e você não sabe de absolutamente nada de mim, nem o que eu deixar transparecer ou fizer parecer que é ou não é. Nem sobre mim nem sobre coisa alguma.
            Você não sabe de nada.”
*Eu destruí aquela vida (pág. 09).

                O que pode acontecer quando um deus, possuidor da eternidade, é acometido pelo tédio? E quando este não é exatamente um deus amoroso e benevolente como os humanos, em sua eterna ignorância das questões não materiais, tolamente acreditam ser? Acontece o seguinte: esse deus simplesmente dispõe de um dos seus muitos brinquedos cuja vida nada significa para ele e que, desafortunadamente, despertou-lhe a atenção. Simples assim. O brinquedo da vez é Roberto, um filósofo defensor do Utilitarismo e professor universitário especialista em ética que trai a esposa. Ética, traição e uma visão de mundo que justifique a coexistência de ambas? Eis algo que poderia chamar a atenção de um deus entediado... E a brincadeira se inicia com uma oferta e um acidente.
                “Eu Destruí Aquela Vida” é um título bastante apropriado para esta história. Trata-se de uma trama com bem mais que uma dose de sadismo, em que um deus cruel dispõe da vida de um homem, criando e provocando situações, mexendo com sua cabeça e sua racionalidade, privando-o das coisas mais importantes da sua vida, levando-o a duvidar inclusive da realidade das coisas, conduzindo-o pouco a pouco à loucura, com o único propósito de se divertir e afugentar o tédio, ao menos por um tempo. Assim é “Eu Destruí Aquela Vida”: sádico, perturbador, dramático, irônico, filosófico, singular. E inteligente, sobretudo inteligente. Em suas poucas páginas (192), uma teia de tragédias, arrependimentos, confusão e falsas certezas invade a vida de Roberto a ponto de fazê-lo abandonar tudo em que acreditava. E aos poucos o homem vai perdendo a sanidade, percorrendo um ciclo de culpa, medo, amor e miséria,  e, ao passo em que enlouquece, comete atos extremos e chocantes. Mas a loucura de Roberto não é desprovida de lógica. Ele não é um louco desconexo e sem razão. É apenas um homem que se apega a uma crença que nunca tinha lhe ocorrido e sua loucura – assim parece para quem o observa – tem ainda algo de filosófico, possui um fio condutor e a mão que tece esse fio é de um deus sádico e entediado que se diverte com as conclusões a que Roberto chega a partir das pequenas pistas (falsas e verdadeiras) que ele oferece. Mas sendo ele um deus – embora essa denominação seja apenas intuída pelo leitor, uma vez que o próprio personagem não se refere a si mesmo dessa forma, explicitamente, nem uma vez – suas ações e suas intenções não são reveladas a Roberto e este, como todo humano, permanece no escuro quanto à força que interfere na sua vida.
                Há neste livro dois protagonistas: Roberto, aquele que movimenta a história, que pratica as ações, que experimenta a incerteza e a culpa, em quem toda a trama se foca; e a divindade, aquele que narra a história, que observa os acontecimentos e se deleita com a confusão e o remorso que provoca ao interferir diretamente com a mente de Roberto. O tempo narrativo também se divide em dois: uma narração em terceira pessoa cujo narrador onipresente é a própria divindade, relatando as ações, pensamentos e sentimentos de Roberto e das pessoas com quem ele se relaciona; e também uma narração em primeira pessoa, quando a divindade dialoga diretamente com o leitor, apresentando-se, explanando sobre seu tédio e seu jogo com Roberto, fazendo apontamentos acerca de correntes filosóficas sobre as quais os humanos se debruçam (correntes divergentes defendidas por Roberto – o Utilitarismo – e por seu pai – o Ceticismo) e sobre a natureza da crença em divindades como Jeová, o deus cristão, por exemplo.  Nesses trechos, sempre alguns poucos parágrafos no início de cada capítulo, a divindade deixa transparecer um pouco de sua “personalidade”, extrovertido e cruel. Faz lembrar um pouco os deuses gregos, tão antropomórficos em suas emoções. Mas não é possível determinar de que deus se trata, nem mesmo se é realmente um deus ou outra entidade qualquer, visto que, como dito anteriormente, ele não se denomina nem diz seu nome. Nas palavras dele: “faço o que quero e você não sabe absolutamente nada de mim” (pág. 9).

Créditos: Academia Literária DF

                A estrutura do texto é simples, mas bem construída. São parágrafos curtos, todos iniciados com as divagações da divindade e, após uma pausa textual marcada com um símbolo, a narrativa prossegue com foco em Roberto. Todos parágrafos curtos, exceto um, justamente aquele em que boa parte da ação e da pesada carga dramática se concentra. O trabalho gráfico no interior do livro é simples, porém notável: desprovido de ilustrações, os símbolos de abertura dos capítulos e das pausas textuais são de uma beleza singular. A revisão está adequada, uma vez que apenas um erro de pontuação se faz notar. A capa é o único “porém” nos aspectos editoriais: embora a imagem com o anjo em pedra cobrindo os olhos em sinal de lamento, típico adorno de túmulos antigos, seja bastante significativa, a obra merecia um trabalho mais elaborado para representá-la. A prosa mostra uma maturidade e uma estilística que contrasta com a juventude do autor, então um rapaz de 20 anos quando da publicação do livro. Também impressiona a consistência das ideias e dos argumentos.
                Falando no autor, ele é Victor Gomes, um estudante de Filosofia (!) da Universidade de Brasília. Nascido em março de 1994, este brasiliense apaixonou-se cedo por literatura e decidiu contar suas próprias histórias na esperança de causar em seus leitores o mesmo deslumbramento que tantos livros lhe trouxeram. Com sua obra de estreia, Victor mostra potencial para ir muito longe nessa empreitada.
Eu Destruí Aquela Vida” é um livro para quem aprecia histórias intensas. É um livro para quem deseja algo mais que uma simples leitura. É uma reflexão. Uma alegoria filosófica sobre a ignorância humana acerca da natureza divina, se é que existe mesmo algo divino a reger nossa pobre e frágil vida. Um flerte sobre a fragilidade do véu que separa a crença do fanatismo, a lógica da loucura.



Bibliografia de Victor Gomes (ordem cronológica):

Livros:

  • Eu destruí aquela vida – Zap Book (2014).
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16/02/2015

DIVULGAÇÃO: O Encantador de Flechas

Olá, leitores!

Hoje vamos divulgar a nova capa do livro do nosso autor parceiro Renan Carvalho!

Supernova: O Encantador de Flechas está de casa nova! Em sua segunda edição pela editora Novo Conceito, o livro conta com muitas ilustrações e um capítulo totalmente inédito!

Sinopse: Imersa em uma ditadura implacável, a isolada cidade de Acigam sofre com a ameaça da guerra civil. De um lado, a Guilda, um grupo que utiliza os ensinamentos da Ciência das Energias para exigir direitos para a população. Do outro, um governo tirano, resguardado por soldados especialistas em aniquilar magos nome vulgar dado aos praticantes da tal ciência. No meio desse conflito vive Leran, que, após ser tragado para a rebelião, tenta aprender mais sobre sua misteriosa habilidade de encantar objetos com a energia dos elementos.
Com uma narrativa envolvente e reviravoltas incríveis, Supernova: O Encantador de Flechas é um livro que vai arrebatar os fãs de fantasia.





Querem o de vocês? Aproveita que está com um descontão de pré-venda na Saraiva!

Não conhecem a serie? Vejam abaixo o BookTrailer!



Querem saber mais sobre o autor? Confiram nossa postagem aqui. E nossa entrevista aqui.
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12/02/2015

CONTO - Consulta-Cruel



Título: Consulta-Cruel
Classificação: livre
Gênero: Suspense
Sinopse: Mario sempre teria segredos fortes guardados para si e por isso precisava se consultar frequentemente com um psicólogo. No entanto, o que seu terapeuta não imaginava é que segredos fortes, se revelados, podem gerar consequências cruéis.




Consulta - Cruel

- Eu liguei muito preocupado para essa garota a fim de perguntar se ela usou o anticoncepcional, sabe? Foi horrível como me senti. Então ela contou que eu não precisava me preocupar, já estava tomando o medicamento há 2 meses sem parar. De cara eu fiquei tão feliz!

                O seu confidente terapeuta franze a testa. Confusão mental na certa.

                - Acho que eu não compreendi. Vocês estão saindo há 2 semanas, não 2 meses, correto?

                - Isso. – A felicidade consumia o rosto pálido de Mario. – Significa que eu não devo ser o único da vida dela. Que maravilhoso.

                O doutor faz cara de compreensão perto do que lhe parecera exótico naquele momento.

                - Interessante. – Diz, roboticamente.

                - Isso não é tudo. – Mario fecha seu rosto de um modo inesperado e intrigante. – Na verdade tem a parte ruim. Ela acabou me deixando bem claro... Só usava o medicamento antes de me conhecer por conta dos problemas hormonais dela. Não é por causa de homem. Significa que, como eu inicialmente não imaginava, eu devo ser sim o único da vida dela. Isso é uma droga!

                - Entendo, eu acho. Você pode ser sincero com ela. Querer saber a verdade não machuca ninguém, só impede uma decepção futura. Porém permita-me a pergunta... Qual o motivo de desejar ser só mais um? Você não tinha dito nas outras sessões o quanto era ela magnífica, que lhe desejava pelo resto de sua existência, que nunca havia encontrado ninguém tão incrível quanto e o que mais mesmo? – O doutor ri levemente enquanto encara Mário inclinando-se em sua direção, pensando no resto. – Etc e tal, né? – Desiste de pensar, acomodando-se na poltrona.

                - Exato. – Mario está pensativo olhando para baixo enquanto as mãos estão juntas se mexendo, revelando tensão. – Mas as pessoas a quem eu me apego sempre... sofrem... Eu não posso querer o mesmo para ela, entende?

                - Muitos momentos difíceis ultimamente?

                - Cansei. Não quero mais isso. Eu acabo sendo o que mais sofre. Te contei sobre o que eu ando sentindo... Você sabe que está difícil. Eu sinto que não sou mais o mesmo.

                - Realmente você disse que mudou. – O doutor confere se é verdade folheando suas anotações de sessões passadas. – Mas nunca explicou como.

                - Bem, estão acontecendo coisas estranhas comigo. Esse é o problema. E o pior é que nem você e nem ninguém vai poder ajudar. Você é um homem da ciência, vai ter que ver para crer. E quando ver... vai desejar nunca ter passado por isso. No fim todos morrem.

                - Sofrem.

                - Não, doutor. Eu disse “morrem” mesmo.

                - Ver o que? Mostre-me o que é.

                Mario finalmente levanta seus olhos e encara o doutor.

                - Você não crê em mim. No final eu sou só mais um lunático de mente fraca como qualquer outro que você precisa sempre deixar confortável. E então o dinheiro aparece depois. Muito fácil. Pior de tudo é isso... Como eu queria que fosse exatamente isso. Como eu queria ser um merda no fim das contas.

                O terapeuta se surpreende com a atitude de Mario, sempre tão calmo.

                - Não precisa me alfinetar assim. Estamos no mesmo barco. Eu sou seu amigo. Conte-me tudo. Sou seu ouvinte. E o que pudermos fazer para melhorar será feito.

                O doutor sempre fora tão bom com as palavras e como sempre tocava seu paciente com elas, mas Mário estava longe de ser qualquer um. Não mais. Essas palavras o incomodavam bastante no momento. Mário olha pela janela. A noite está brilhante de tantas estrelas como um presente divino do acaso. A sorte estava lançada aos céus. Momentos românticos ecoariam pela cidade por causa dessa noite e Mário estava com saudades da sua amada.

                - Vou indo. Obrigado por tudo.

                - Mário, nosso tempo ainda não acabou.

                - Nosso tempo já era. Para sempre. Eu não volto mais. Cansei.

                - Você acha que eu não sou o bastante?

                - Não, doutor. – Mário deixa cair uma pequena lágrima do seu olho esquerdo. – Na verdade você é o melhor. – Mário começa a tremer bem devagar. - É exatamente por isso que devo partir. A cada sessão isso fica mais difícil. E você é muito bom para passar por tudo isso. Não... você não.

                - Passar pelo que, filho? Por favor, eu juro... Quero mesmo te ajudar.

                Enquanto o doutor se aproxima de Mário, seu braço passa pela lateral da porta enferrujada e se corta.

                - PORRA. Isso doeu. Espere, Mário, já volto. Fique aí. – O terapeuta vai correndo até uma gaveta no banheiro e pega um Band-Aid a fim de colocar no braço. Ele volta rapidamente. – Onde estávamos?

                O susto aparece quando é observado que Mário está suando frio, aparentemente sem ar, passando mal.

                - Doutor, eu... sai...

                - Mário, o que está acontecendo? Meu deus, vou chamar um médico lá do andar de cima.

                - DOUTOR! SOME DAQUI. SEU BRAÇO...! – O grito assusta. Um calafrio chega com força perfurando a sua espinha rapidamente. Um sexto sentido acusando a existência de algo tenebroso.

                Ao olhar para Mário, seus olhos estão vermelhos e seu grunhido irreconhecível, ou som, ou, enfim, risada, talvez, encontra-se possuída. Sua pele está contida e forçada acusando a existência de tantas veias que em alguns lugares até um médico experiente poderia esquecer que existia. – Doutor, eu tentei... não consigo mais. Sangue, cheiro. É bom... CORRE, PORRA! – Mário grita com uma voz terrivelmente grossa e, ao avisar que ele deveria correr, paradoxalmente e imediatamente avança em seu terapeuta que é logo abatido. A gritaria sonoriza o prédio inteiro e as pessoas de outros locais se espantam tentando identificar o que está havendo e onde.

                O doutor nunca gritara tanto em sua vida e provavelmente nem sentira tanta dor como nesse momento. Mário está preso com seus dentes em seu pescoço, sugando tudo que pode de seu terapeuta. É como se tivesse um ímã em seu pescoço e Mário gosta de ímãs. O prazer é tão forte que um arrependimento é impossível, não até se satisfazer por completo.

                Mário larga-o depois de sugar tudo. O doutor está pálido, sem vida, olhos arregalados e boca aberta numa expressão geral muito sofrível. Fora uma morte dolorosa.

                - Porra, mais um... e logo ele. – Mário chora enquanto volta ao normal. Chora que nem criança. Pega o doutor nos braços. – Não pode. Você não, você não, você não. VOCÊ NÃO!

                Ele se limpa com o sangue escorrendo de seus lábios. Chega no espelho do banheiro e passa a toalha. Mais um caso estranho para desvendarem na cidade. Mais um ato cruel de Mário. Ninguém imagina que um estudante universitário de vida semi solitária e um pouco pacata seja o responsável por esses crimes.

                - Helena. Eu preciso de você.

                Mário abre a janela e pula em direção a um beco escuro nessa noite tão bonita. Ninguém o veria fazendo essa arte e que mal uma queda de 4 metros poderia fazer? Ele estava pronto para Helena. Faria exatamente o que lhe foi ordenado. Seria direto e honesto. Queria saber se ele era só mais um e se não o fosse mesmo, teria que largá-la para sempre. Antes doer o coração do que, novamente, um novo pescoço. Não suportaria ficar sem sua amada, mas matá-la seria ainda pior. A próxima missão vai ser a mais difícil. Maldita doença. Ir contra o amor é quase impossível, porém necessário.



Autor: Felipe de Castro Drummond

Idade: 27 anos

Localidade: Rio de Janeiro

Redes Sociais:  Facebook

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10/02/2015

RESENHA - Assassin's Creed: Unity (Oliver Bowden)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: BOWDEN, Oliver. Assassin’s Creed – Unity. Rio de Janeiro, Galera Record, 2014. Tradução: Ryta Vinagre. 1ª edição, 362 páginas.
Gênero: Ficção, Aventura, Fantasia Histórica.
Temas: Ordem dos Templários; Revolução Francesa.
Categoria: Literatura estrangeira; Literatura Inglesa.
Ano de lançamento: 2014 na Grã-Bretanha; 2014 no Brasil.
Série: Assassin’s Creed – Renascença (Livro 1); Assassin’s Creed – Irmandade (Livro 2); Assassin’s Creed – A cruzada secreta (Livro 3); Assassin’s Creed – Revelações (Livro 4); Assassin’s Creed – Renegado (Livro 5); Assassin’s Creed – Bandeira negra (Livro6); Assassin’s Creed – Unity (Livro 7).










“Ele emitiu um som, algo parecido com boac,e senti seu braço descer, depois vi o lampejo de uma lâmina enquanto minha mãe aproveitava a vantagem e impelia bem fundo a faca de bota na barriga do homem, empurrando-o contra a parede da viela e, com um leve grunhido de esforço, impulsionando a lâmina para cima, e em seguida agastando-se rapidamente enquanto a frente da camisa do homem escurecia com o sangue e se avolumava devido às entranhas derramadas, o homem escorregando ao chão.
Ela aprumou o corpo para enfrentar um segundo ataque do médico, mas só o que vimos foi a capa dele enquanto dava meia-volta e corria, abandonando a viela e fugindo para a rua.
Minha mãe segurou meu braço.
- Venha, Élise, antes que você suje os sapatos de sangue.”
*Assassin’s Creed Unity (pág. 34-35).


Paris.
O Caos tomou conta da cidade que outrora era conhecida como Cidade Luz. Mergulhada numa era de escuridão e terror, em uma época que no futuro seria conhecida nos livros de história como a Revolução Francesa.
Em um período que a divisão entre ricos e pobres se transforma em um abismo praticamente intransponível e uma nação inteira cai de joelhos sob os desmandos de seus líderes, dois jovens, irmãos de coração – Arno Dorian e Élise de La Serre –, se unem na luta para trazer à justiça os assassinos do pai da moça. Em meio a isso, Élise tem de lidar com a responsabilidade de ser a próxima Grã Mestra Templária, além de tentar “converter” seu grande amigo e amor secreto Arno a sua causa, pois ela logo descobre que ele é filho de um Assassino.
Muitas intrigas permeiam a vida da jovem que logo se vê lançada no jogo de maquinações e batalhas envolvendo não só a guerra entre Templários e Assassinos, mas também conspirações internas, batalhas por poder dentro da própria ordem.
E no meio de tudo isso a pergunta: será que um dia existirá trégua entre as duas ordens?
Oliver Bowden traz para as páginas dos livros mais uma adaptação da saga Assassin's Creed. O livro começa com um trecho do diário de Arno, onde ele relata que está em posse do diário de Élise. A obra em si é um retorno ao passado da jovem, onde ela relata toda a sua vida em seu diário, desde pequena. E essa foi a minha primeira “decepção” no livro. Isso porque eu esperava encontrar uma história focada em Arno, como no jogo. (fiquei sabendo que em Assassin's Creed - Renegado e A Cruzada secreta são narrados por terceiros, mas ainda não pude avaliar as obras). A mudança foi significativa e dei um voto de confiança, afinal, estava para conhecer o outro lado da moeda: o lado dos Templários.  
Élise descobre sobre seu destino aos oito anos de idade, após ela e sua mãe, Julia de la Serre, serem alvos de uma tentativa de assassinato. Ambas escapam e a partir daí Élise é treinada por Freddie Weatherall, Templário amigo de Julie, para um dia suceder seu pai, François de la Serre, Grão-Mestre Templário e pai da jovem.
Até aí tudo bem. Esperava que os pais da garota e seu tutor ensinassem a ela (e aos leitores) a filosofia dos Templários e seus dogmas. Essa foi minha segunda decepção. Julie é acometida por uma doença misteriosa e acaba por falecer pouco tempo depois, seu pai se afunda em reuniões com outros membros da ordem e no treinamento de Arno (este que por eventos narrados rapidamente no livro, acaba virando parte da família dos de la Serre na infância) para transformá-lo em um Templário. Élise é meio que esquecida e enviada a uma escola para meninas, a fim de completar seus estudos (sem a parte em que ela será um dia a líder dos Templários Franceses).
                Anos se passaram e uma Élise mais velha surge para continuar narrando a história e agora ela parte em busca do homem que tentou matá-la há tantos anos. A partir desse ponto o livro começa a se arrastar em uma perseguição ferrenha de Élise a seu antigo algoz em busca de respostas. O que poderia ser um ponto forte do livro, acabou por fazer a leitura ficar cansativa, pois o único objetivo dela é encontrar o homem e nada mais. Nada de ensinamentos Templários e muito menos inimigos Assassinos pelo caminho.
                Ao passo que finalmente Élise começa a entender o que está acontecendo a sua volta (depois de cair em uma armadilha), outras perguntas sem respostas surgem na obra e esse talvez seja o ponto mais forte da mesma. Os Templários, em todos os jogos/livros são retratados como homens e mulheres que buscam Status. Enquanto os Assassinos se mesclam na multidão, os Templários ocupam cargos de muito poder e prestigio. E em Unity não é diferente. Grande parte dos altos cargos da corte de Paris era ocupada por um membro da Ordem dos Templários e isso facilitava o uso da maior arma da Ordem: intrigas. Os Templários são mestres no uso de intrigas, maquinações, chantagens e mais uma porção de outros meios para chegar em seus objetivos sem sujar as mãos.
                Élise compreende isso da pior maneira possível ao ser traída pela própria Ordem que deveria governar. O que antes era um desejo de descobrir respostas, acabou transformando-se em puro desejo de vingança e nada mais. Disposta a morrer por isso, Élise abandona todo o seu destino como Templária, fazendo com que a obra seja mais uma caçada de gato e rato do que uma batalha secular entre Assassinos e Templários. E isso faz com que Élise perca o pouco de carisma que ela tinha. Ezio e Edward, por exemplo, tinham seus próprios desejos de vingança, mas isso de forma alguma os tornou obsessivos a ponto de abandonar tudo o que construíram por isso. Por só pensar em vingança, a personagem ficava cada vez mais enfadonha e sem graça. Apenas quando Arno aparecia era que a garota recuperava um pouco do seu passado e do seu desejo de um dia ter uma vida normal.
                Vale lembrar que a serie é uma verdadeira aula de história. Personagens baseados em pessoas reais tomam partido na luta entre Templários e Assassinos, cada qual escolhendo um lado para lugar. Personalidades tais como Maximilien de Robespierre, Honoré Gabriel Riqueti e François Thomas Germain. Outros como Napoleão e o Marquês de Sade aparecem apenas para Arno. Além disso, o livro traz uma conexão com alguns fatos narrados em Assassin's Creed - Renegado e Bandeira negra (resenha aqui), trazendo à tona algumas respostas para questões anteriormente não respondidas. Porém o autor em alguns pontos falha em conectar as duas histórias e alguns fatos são quase que jogados de qualquer jeito na trama, fazendo com que o livro acabe por se tornar mais um complemento do jogo do que um ponto de vista completamente novo ou um olhar escrito do que foi inserido no jogo (como em Bandeira Negra).
A obra é toda narrada em primeira pessoa, em forma de diário. Ela é vista sob o olhar de Élise, mas há trechos do diário de Arno, que faz alguns comentários sobre o que está escrito nas páginas da moça usando seu próprio diário. A fluidez infelizmente não é tranquila, pois há muitos sinônimos no livro e algumas palavras em Francês (sem tradução para o português), fazendo com que leitores mais curiosos tenham de parar a leitura para descobrir o que foi escrito. Como dito antes, o livro é em forma de diário, indo e vindo entre o passado (diário de Élise) e algum momento futuro (diário de Arno). Como o livro é em primeira pessoa, personagens secundários são apresentados e descritos pela ótica de Élise e isso faz alguns deles “surgirem e desaparecerem” de uma hora para outra, pois como visto em outros títulos, os acontecimentos se passam acelerados, com eventos que ocorrem de um dia para o outro ou perduram por vários meses ou anos. Há uma lista dos personagens no final do livro, que pode ajudar o leitor a se lembrar de pessoas que ficam esquecidas no decorrer da obra. A revisão está ótima, quase não vi erros de ortografia. Cada capítulo é separado por datas de registro, sendo essas essenciais para que o leitor não se perca na linha cronológica que Élise escreve seus relatos. A capa é uma das mais bonitas da série (em minha opinião, só perde para a capa de Assassin’s Creed – Bandeira Negra), e mostra Élise com sua arma pessoal, dada por sua mãe, e uma pistola, logo atrás dela está Arno com uma espécie de mini- besta, arma muito usada pelos Assassinos da época (além, claro, da eterna lâmina oculta). Ao fundo, nublado por fumaça, vemos uma Paris tomada pelo caos e destruição.
A série  “Assassin’s Creed” foi transportada para as páginas por Oliver Bowden, um dos pseudônimos utilizado pelo historiador, escritor e gamer Anton Gill, que também adota o pseudônimo Ray Evans. Filho de mãe inglesa e pai alemão, este inglês nasceu em Ilford, Essex  no ano de 1948. Especialista na História Renascentista, Gill já escreveu muitos títulos entre ficção e não-ficção. Antes de dedicar-se à literatura e a história, Anton Gill trabalhou no Royal Court Theatre, em Londres, no Conselho de Artes e também na TV BBC. Casado, vive em Paris, França, com a mulher.
O livro traz uma nova perspectiva dos acontecimentos narrados no game de mesmo nome lançado pela Ubisoft (empresa de jogos eletrônicos). Então, para os que puderam jogar, recomendo este livro como um complemento da história do envolvimento de Arno e Élise. Para aqueles que acompanham a série desde o início, essa é uma leitura quase que obrigatória, por continuar a história da batalha de Assassinos e Templários depois dos eventos de Assassin’s Creed – Renegado. Para os novatos, recomendo que procurem ler primeiro outros títulos da saga, pois não há no livro explicações detalhadas sobre a rixa de Assassinos e Templários. Com certeza os amantes de história vão adorar passear pelos eventos históricos narrados no livro, como a queda da Bastilha e a condenação do Rei à guilhotina.
Mesmo com alguns pontos negativos (tanto no livro quanto no jogo), Assassin’s Creed - Unity ainda é uma grande obra e merece ser lida e apreciada por todos os entusiastas do gênero.




Bibliografia de Oliver Bowden (ordem cronológica):

Livros (publicados no Brasil pelo pseudônimo Oliver Bowden):


  • Assassin s Creed: Renascença - Editora Record (2011);
  • Assassin s Creed: Irmandade - Editora Record (2012);
  • Assassin s Creed: A cruzada secreta - Editora Record (2012);
  • Assassin s Creed: Renegado - Editora Record (2013);
  • Assassin s Creed: Revelações - Editora Record (2013);
  • Assassin`s Creed: Bandeira negra - Editora Record (2013);
  • Assassin’s Creed: Unity - Editora Record (2014).


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09/02/2015

Os livros que vão virar filme em 2015

Atenção!!!
Corre que ainda dá tempo de ler tudo antes das estreias nos cinemas ;)

Cinquenta Tons de Cinza, de E.L. James
Um dos filmes mais esperados de 2015, Cinquenta Tons de Cinza chega aos cinemas no dia 12 de fevereiro, estrelado por Dakota Johnson (Anastasia St.eele) e Jamie Dornan (Christian Grey). O longa promete imagens fortes para mostrar nas telonas o relacionamento do magnata Greycom a jovem Anatasia, que se apaixona por ele após entrevista-lo.



Insurgente, de Veronica Roth
Quem já viu os trailers sabe que o segundo filme da saga Divergente será ainda mais emocionante que o primeiro. Insurgente estreia no Brasil no dia 19 de março e vamos poder ver Tris (Shailene Woodley) lutando contra o governo.




Cidades de Papel, John Green
O segundo livro de John Green a ser adaptado para o cinema tem previsão para estrear no dia 5 de junho, nos Estados Unidos. Ainda dá tempo de ler o livro e ficar por dentro da história que mostra a saga de Quentin (Nat Wolff) para encontrar sua vizinha (por quem ele é apaixonado), Margo (Cara Delevingne), acompanhado dos amigos Ben (Austin Abrams), Radar (Justice Smith) e Lacey (Halston Sage).



Jogos Vorazes - A Esperança, de Suzanne Collins
 A primeira parte do livro já estreou ano passado, mesmo assim quem não leu toda a trilogia de Suzanne Collins, tem tempo de sobre para se interrar da história, já que o último filme só chega aos cinemas em novembro. Finalmente vamos poder ver o desfecho da luta de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) contra o governo totalitário de Panem.




Fallen - Anjo Caído, de Lauren Kate
Ainda sem data para estrear nos cinemas, a adaptação da obra de Lauren Kate já está em fase de pós-produção e é muito aguardada pelos fãs. A história de amor que atravessou milênios entre Lucinda Price, Daniel Grigori e Cam Briel terá os atores Addison Timlin, Jeremy Irvine e Harrison Gilbertson no papel dos protagonistas.




Maze Runner: Prova de Fogo, de James Dashner
O segundo livro da pentalogia de James Dashner tem previsão de estreia no dia 16 de setembro. Vamos descobrir o que aconteceu com personagens depois que eles saíram do labirinto.




O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
A história clássica do francês vai ganhar uma nova versão linda, toda em animação, prevista para estrear no dia 7 de outubro, nos Estados Unidos. Pelo trailer já deu pra ver que muita gente vai se emocionar nos cinemas, ainda mais que as dublagens serão feitas por um elenco de peso: Rachel McAdams, Mackenzie Foy, James Franco (Raposa), Jeff Bridges (Piloto), Marion Cotillard (Rosa) e Benicio Del Toro (cobra).




Eu sei que a maioria acredita que os filmes nem se compara com os livros, mas aposto que alguns estão aguardando ansiosamente por estes lançamentos. Na minha humilde opinião, estou ansiosa para ver o resultado do pequeno príncipe (amo este livro) e menos ansiosa para ver Fallen devido ao fato de não gostar muito do livro. 
Então me diga leitores, qual é o MAIS e o MENOS esperados por vocês? 
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04/02/2015

Parceria: Victor Gomes

Olá amados leitores! 
E vamos a mais uma parceria!!! Hoje vamos falar de um brasiliense, de nossa terra. Um novo autor, apaixonado por literatura e com um livro inovador. Com prazer apresento-lhe Victor Gomes, autor de “Eu destruí aquela vida”. Então vamos saber mais sobre si e sua obra!

Victor Gomes

João Víctor Oliveira Gomes ou por seu nome artístico Victor Gomes nasceu em março de 1994, em Brasília, onde vive atualmente. Estudante de filosofia, mas sempre apaixonado por literatura, começou a escrever na blogosfera literária aos 17, no Literatortura como colunista semanal , iniciando, pouco depois, seu primeiro romance. Escreve esporadicamente para a Sociedade Racionalista sobre temas de filosofia. Seu romance de estreia, “Eu destruí aquela vida”, foi publicado em setembro de 2014 pela Zap Book. Atualmente, trabalha em seu segundo romance.



Links de redes sociais:











“Eu destruí aquela vida” é o seu romance de estreia na literatura. Com promessa de ser um livro louco e instigante. Particularmente a sinopse me deixou curiosa e este livro promete! Confira e me digam se não ficaram curiosos.


As Duas Faces do Destino
Eu destruí aquela vida

Título: Eu destruí aquela vida
Autor: Victor Gomes
Gênero: Drama / Ficção / Literatura Brasileira
Assunto: Romance, Ficção e Drama.
Editora: Zap Book. Idioma: Português
Ano de Lançamento: 2014
Número de páginas: 192
Público-alvo: Adulto
Sinopse: Roberto Linhares é um especialista em ética que trai a esposa. Essa contradição desperta o interesse de um deus entediado e cruel, que resolve brincar com a vida do professor de filosofia. Um mendigo é enviado a Roberto como profeta do deus, mas ele o recusa. Horas depois, um acidente de carro transforma sua vida num inferno de remorso e confusão. Mas nada disso é o suficiente para saciar a divindade, que não medirá esforços para levar Roberto à loucura completa, independente de quem ou que se coloque no caminho.


Onde Encontrar:
Editora
*O Livro pode ser encontrado a venda diretamente com o autor,
 para os interessados em um exemplar autografado.


Poesia

oração do amor livre

tanta gente pra amar
tanto amor
dentro de mim.
Pai, por favor,
deixa eu dividir?
.
Victor Gomes

Quer ver mais poesias, clique AQUI.


Contos:

Victor também escreve contos e você pode conferir abaixo e AQUI.

Bichinhos

A mamãe brigou comigo de novo e eu fiquei muito nervoso. Não gosto quando ela faz isso. Dá vontade de brigar também.
Tudo porque fiquei comendo doce em vez de estudar. A professora chamou ela na escola e disse que eu sou um aluno muito distraído e só fico falando coisa estranha. Disse mais, ela que não quis me contar. Deve ter sido sobre o menino da escola, que ficou chorando no outro dia depois de mexer comigo e levar pedrada.
Me pôs de castigo e mandou fazer o dever, mas eu sei onde ficam os doces e não ia perder a chance. Aí, ela me achou no sofá com um saco de balinha e me bateu. Me deu um tapa na cara mesmo, doeu pra caramba. Não devia ter feito isso.
Queria que eu estudasse, então eu estudei. Aprendo tudo quando quero, até mais do que me pedem pra aprender. Principalmente isso. Tem coisa que criança não sabe, mas eu aprendi do mesmo jeito. A professora viu isso umas vezes. É bom aprender algumas coisas, dá pra se divertir muito, embora ninguém veja graça, só eu.
Não usei doce porque não ia servir. Peguei comida da geladeira mesmo. Quando tava voltando da escola, escondi num lugar da rua que ninguém limpa nem vê. Assim que ela saiu pro trabalho, depois de me pedir desculpa pelo tapa (como se isso fosse valer alguma coisa pra mim), fui buscar a comida e espalhei pela sala junto com o lixo da cozinha.
Eles tavam tão grandes! Fiquei feliz olhando pros bichinhos. E imaginando.
Aí esperei.
Quando a mamãe abriu a porta sentiu o cheiro. E gritou comigo, dizendo que eu tinha deixado comida estragar. Fiquei morrendo de raiva. Ela esqueceu o arrependimento rapidinho, né? Mas eu não ia apanhar de novo. Não mesmo. Então joguei uma pedra na cabeça dela. A mesma do menino da escola. Só que, com ele, era brincadeira. Nela, eu joguei com mais força, pra fazer desmaiar.
Desmaiou.
Ela lá, caída no chão, e eu empurrei os bichinhos pra perto com a vassoura.
Mas não pensei direito. Ela acordou e começou a gritar. Gritava, gritava, muito alto! Fiquei olhando os bichinhos, que já estavam entrando pelo nariz e pelas orelhas, felizes, e ela gritando, gritando, tentando afastar eles e eu fui ficando muito nervoso com tanto barulho. Era pra ser uma coisa em silêncio, só pra me deixar satisfeito! Era pra me divertir e pra ela aprender! Aí eu peguei a pedra de novo e bati um monte de vezes na cabeça dela, até o silêncio voltar. Fez uma sujeira danada, mas ela calou a boca. De tão surpresa a mamãe nem tentou reagir.
Eu já tava muito cansado daquilo tudo e pensei: ufa, agora posso comer doce! Peguei o saco de balinha e fui pro quarto, porque senti preguiça de limpar a bagunça. E não tinha motivo pra ter pressa, porque ela não ia mais reclamar de nada.
Aposto que a mamãe estaria orgulhosa de mim agora, porque eu aprendi como fazer bichinhos. Amanhã, ficaria mais ainda, quando visse a casa limpinha. Aposto que ela não iria mais me bater, se tivesse a chance.
Mas isso não importa de verdade. O melhor é que as balinhas estavam mesmo muito gostosas.


Primeiros Capítulos

 É claro que vou deixar vocês com gostinho de quero mais então leia os primeiros capítulos AQUI!


E você já leu sobre este livro? Conhece o autor? O autor é novo na literatura nacional, então todo apoio e compartilhamento é mais que bem vindo. E quem já tiver lido sua obra deixe aquela sua opinião/comentário esperto dando seu feedback para nós e para o autor.

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