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31/10/2017

RESENHA - O Escravo de Capela (Marcos DeBrito)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: DEBRITO, Marcos. Escravo de Capela. 1ª edição. Barueri/SP, Faro Editorial, 2017. 285 páginas.
Gênero: Terror;
Temas: Escravidão, folclore, assassinatos;
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2017













“Tendo as costas do escravo como tela, o feitor pincelava de vermelho o seu escárnio. Naquela aquarela abstrata de sangue e suor, a dor encontrava bem o seu contorno.
Sabola não conseguia mais gritar. A consciência já quase lhe escapava quando o sino da pequena capela balançou. O alerta sonoro indicando o início da celebração religiosa foi o que impediu o castigo daquela tarde de se tornar uma execução.”
*Escravo de Capela (pág. 13).


O ano de 1792 foi o auge da era colonial brasileira. Um momento onde a produção de açúcar das fazendas de cana faziam seus donos prosperar, enquanto que os reais trabalhadores, aqueles que traziam dinheiro aos bolsos dos senhores de engenho sofriam. Os homens, escravos, negros, que trabalhavam dia a dia debaixo de sol forte eram constantemente açoitados pelos seus senhores ao menor sinal de “moleza”, enquanto que as mulheres se submetiam a todo e qualquer desejo dos mesmos.
Incontáveis eram os negros que sofriam as truculências por qualquer rebeldia. Sangue era derramado na melhor das hipóteses. Na pior, mutilações marcavam para sempre o corpo do transgressor e a morte era uma opção aceitável em meio a todo o sofrimento e o sonho quase impossível de liberdade.
Em meio a esse cenário, uma família é assombrada pelos fantasmas do passado, que insistem em voltar para assombrá-los em um conflito que parecia enterrado, mas que ao voltar, ameaça destrancar um segredo capaz de condenar a todos.
E ainda há a ameaça do monstro.
O Escravo de Capela inicia apresentado aos leitores o jovem Sabola, um escravo recém chegado do Congo à Fazenda Capela que descobriu logo no seu primeiro dia de trabalho forçado o que realmente significava ser um escravo e o quanto seus senhores poderiam ser cruéis. O jovem, por não entender o idioma local e por não ter sido alertado a respeito da truculência dos capatazes, foi severamente punido apenas por entoar uma canção no dialeto de sua região e por desobedecer as ordens de Antônio Segundo, o filho do dono da Fazenda Capela. Depois de quase morrer de tanto apanhar, Sabola começou a entender da pior maneira possível como era a dinâmica da fazenda. Nesse ínterim, ele conhece Akili, um escravo aleijado que nunca saia da senzala. O velho viu um grande potencial na rebeldia de Sabola, já que este queria fugir a qualquer custo. Juntos iniciaram um plano perigoso para conseguir a tão sonhada liberdade.


“- Escravo aqui só tem direito a duas coisas - continuou: - Primeiro: não tem direito a nada! E segundo: não reclamar desse direito. Se tem negro que discorda, para quem ainda não sabe, domesticar os selvagens é a função pela qual eu tenho mais apreço.”
*Escravo de Capela (pág. 12).


Conhecemos também os membros da família Cunha Vasconcelos. O Senhor das terras e patriarca Antônio Batista, seu filho mais velho Antônio Segundo e o recém chegado Inácio, o caçula que saiu do país para estudar medicina. A história dessa família é cercada de segredos e desavenças. Batista sonhava que os filhos pudessem tocar juntos a fazenda, Antônio odiava o irmão mais novo, pois queria a fazenda para si, além de não suportar a complacência dele para com os escravos e Inácio repudiava a forma como os dois tratavam os escravos e foi embora para fugir de qualquer responsabilidade para com a família. E por conta disso ele renegava qualquer tentativa do pai de fazê-lo tocar os negócios da fazenda. Já a matriarca da família, Maria de Lourdes havia falecido há muitos anos. Também são apresentados na história Conceição, a escrava mais velha da fazenda e Damiana, a protegida de Conceição, que ficou órfã assim que nasceu e nunca conheceu o pai; e alguns peões da fazenda, que ajudam os Vasconcelos a tomar conta da fazenda e controlar os escravos.
A história se divide em dois núcleos: a dos escravos, em especial, a de Sabola e Akili e a da família Cunha Vasconcelos. O primeiro núcleo aborda todo o sofrimento que os escravos passam na fazenda e o plano de fuga que ambos criaram para dar a liberdade para Sabola. E preciso dizer o quanto fiquei horrorizado com tudo que li. Claro que eu sabia que naquela época os negros sofriam todo tipo de maldade que só a mente do ser humano é capaz de imaginar e conceber, mas nunca tinha lido uma história tão pesada sobre o assunto. Curto muito as narrativas do Marcos por ele não fazer rodeios e entregar ao leitor uma narrativa nua e crua e ainda mais por utilizar registros históricos para dar ainda mais veracidade para o que está narrando. Não se trata apenas de uma ficção. Algumas coisas retratadas realmente aconteceram e isso que é, pra mim, impactante na história.


“- Existem sacrifícios muito maiores do que o tempo perdido - continuou. - Sacrifícios que você se arrepende para o resto da vida de ter que fazer.
Com o prego devidamente oculto, Akili reparou que a expressão desiludida de um homem derrotado permanecia no rosto do jovem
- Melhor você dormir, Sabola. Sonhar ainda é uma das poucas coisas que os brancos não tiraram da gente. Isso é o mais perto da liberdade que você vai conseguir chegar esta noite.”
*Escravo de Capela (pág. 69).


O segundo núcleo aborda todos os conflitos da família Cunha Vasconcelos e aqui temos a parte “romântica” da obra: o caso de amor proibido entre Inácio e a escrava Damiana. Não que fosse proibido ir para a cama com uma escrava e Antônio Segundo deixa isso muito claro, já que ele estuprava uma escrava da fazenda. Porém, a coisa entre os dois ficou maior, mais intensa e mais perigosa do que apenas noites de sexo. Entendam que naquela época, um branco ter um relacionamento afetivo com um negro era motivo mais que suficiente para jogar o nome de uma família na lama. E é com base nesse romance que a roda dos acontecimentos gira e pouco a pouco os segredos começam a ser desenterrados do túmulo do qual o patriarca Batista fazia questão de que ficasse lá para sempre.


“Eram poucos os passos que os separavam, mas o jovem aproximou-se lentamente, sem agitação. Apesar de estar seguro da conquista, até mesmo o mais preparado dos homens se embaraça na presença da mulher desejada.
Damiana não protestou quando Inácio invadiu o espaço destinado apenas àqueles a quem se confiam os mais secretos pensamentos. A garota podia sentir o calor do rapaz misturando-se ao seu e por fim levantou o rosto para encará-lo com igual resplandecência no olhar
O braço de Inácio alcançou a porte e, com um movimento suave, ele a empurrou contra o batente, refugiando-se com Damiana em seu quarto.”
*Escravo de Capela (pág. 16).
Agora vamos para a parte que interessa: O Saci. Não deve ser segredo (se for, não é mais, sorry) que o autor se baseia no folclore do Saci para montar sua tenebrosa narrativa, assim como o fez com o Lobisomem em “À Sombra da Lua”. Não darei spoilers, mas posso adiantar que o Saci de Marcos é uma criatura horrenda, nada parecido com aquela figura mostrada nos gibis de Maurício de Souza. Um monstro saído dos cantos mais fundos do poço mais escuro do inferno. Uma coisa antinatural que desafia a lógica e a sanidade dos azarados que ficam em seu caminho. Um ser que não faz distinção entre bem e mal; ambos são alvos de sua fúria assassina. Fiquei impressionado como o autor recriou o mito, dando toques próprios a respeito de sua concepção, como por exemplo, do porque ele só tem uma perna ou do porque do nome. E a surpresa aqui vai para o fato de que o autor não explora um, mas DUAS lendas do nosso Folclore. No entanto, não vou dizer quem é ou o que é o outro.


“O peão identificava bem uma silhueta que se debatia para levantar, mas ainda tentava decifrar o enigma do seu contorno quando outra figura estranha começou a sacudir as folhas dos arbustos pela mesma trilha. Parecia o corpo de um homem que avançava em direção ao animal caído, mas seus movimentos eram descompassados e pecava-lhe o equilíbrio. A cada progressão, interrompia seu trajeto para se amparar na firmeza dos troncos. Era como se estivesse saltando, em vez de caminhar.”
*Escravo de Capela (pág. 108).
As definições de "Olha o bicho vindo" foram atualizadas com sucesso. Crédito:  Ricardo Chagas


O autor utiliza de recursos dentro da narrativa para avisar ao leitor que o Saci está vindo. Assim como fez em “À Sombra da Lua”, somos alertados com certa antecedência que “o bicho está vindo”, de uma forma semelhante (dadas as devidas proporções) ao que acontece nos filmes de terror, quando toca aquelas músicas instrumentais que te dizem: lá vem o Freddy, lá vem o Jason. Eles estão perto e alguém vai morrer. E esse recurso nos deixa apreensivos e ansiosos porque SABEMOS que sangue vai espirrar nas próximas páginas. E por falar em sangue, é bom estar preparado, pois se tem algo que não falta é sangue. As bordas do livro não deixam mentir: tem muito sangue, muitas mortes, muita violência.
Nem preciso falar das reviravoltas (mas vou falar mesmo assim). A cada nova obra o Marcos brinda seus leitores com um plot twist de tirar qualquer chapéu. Uns são mais perceptíveis e se você prestar atenção, consegue adivinhar (e ficarmos no sentido um Sherlock da vida pela dedução); outros fazem você fechar o livro bruscamente e soltar um xingamento de excitação. E em O Escravo de Capela existe uma reviravolta tão “Oh my god” que teria feito o Jig Saw convidar o autor desse plano mirabolante para fazer uma dupla com ele em algum Jogo Mortal. Pensa que louco seria.
Diante tudo que falei, só tenho duas ressalvas: a primeira, é que eu esperava que o Saci fosse mais… ativo. Sem spoilers aqui, mas quando ele aparece, o mundo cai, sempre. Pessoas são assassinadas sem distinção. Os sobreviventes ficam apavorados sem saber como reagir a ameaça. Porém, ele é uma criatura coadjuvante dentro da trama. Não é a narrativa que gira em torno do Saci, é o Saci que gira em torno da narrativa. Esperava um pouco mais dele. A história não é sobre o mito do Saci. É do que pessoas são capazes de fazer por amor… e por vingança. Então (ao menos pra mim) a história não brinca tanto com o terror quanto eu imaginei que seria (sério, estava imaginando umas coisas bem malignas), já que boa parte dos núcleos da obra são sobre as pessoas e não sobre o monstro. Mas isso não é nem de longe um problema ou um erro do autor, nada disso. Foi uma expectativa que criei antes mesmo de começar a ler. Algo que está em mim desde “À Sombra da Lua”. Quem leu sabe o quanto o Lobisomem foi "o centro das atenções" dentro da história. Imaginei que o Saci teria um papel semelhante. Não chegou a ser uma frustração, só algo como "poxa, queria mais".  
A segunda é que senti que ficou um pouco vago a “magia” por trás do Saci. O que eu acho interessante na escrita do Marcos é que nada é de graça. Tudo tem uma motivação para acontecer e que em algum momento da narrativa isso é explicado (e eu ficava “Minha nossa senhora das escritas fodas, então foi isso que aconteceu”), mas senti que ficou faltando “algo” no que diz respeito a criação do Saci. Não sei se foi eu que deixei o "algo" passar, mas que pra mim ficou vago, ficou.



O livro é narrado em terceira pessoa. Como dito anteriormente, acompanhamos a história em dois núcleos que a todo momento se cruzam. Vamos conhecendo aos poucos cada personagem, suas vontades e motivações e a medida que as pessoas vão morrendo, seus passados (e muita gente morre!). A fluidez da narrativa é boa, mas como o autor tomou o cuidado de ambientar não só o cenário, mas os personagens à época tratada, existem palavras mais rebuscadas que podem exigir um dicionário por perto. A relação temporal é linear, contudo existem algumas passagens no livro que contam o passado de certos personagens e acontecimentos que fazem conexões diretas com o presente.
A diagramação de um modo geral está excelente. Não canso de elogiar o trabalho da Faro nesse quesito. Os livros por si só são lindos e bem formatados. A revisão também está boa, não me lembro de ter visto erros. A parte visual do livro é uma obra a parte, com belas ilustrações no início. As folhas do livro em vermelho já deixam avisado o que os leitores podem encontrar e a capa com o nome do livro em relevo está simplesmente sensacional. Parabéns aos envolvidos e parabéns a Faro por dar sempre uma atenção especial para cada autor de seu catálogo.

Vejam o cuidado que a editora tem com a diagramação do livro. Lindo demais, não acham? 💗
Um obs: eu acho, só acho, que a Faro está montando uma espécie de “Liga do Mal”. Já repararam? Deem uma olhada nos títulos já lançados pela editora (em especial, os nacionais) e talvez vocês tenham a mesma impressão que eu.
Marcos deBrito é um cinesta premiado e vem sendo considerado um grande expoente na renovação e produção de filmes de suspense e terror no Brasil. Começou a escrever histórias que lhe vinham à cabeça apenas para lidar com seus próprios medos, na esperança de esconjurar seus demônios e calar as vozes que não o deixavam em paz. O destaque de sua produção está na crueza como retrata as diferentes faces do mal, mas não é apenas isso. Todas as suas histórias contèm elementos de mistério e surpresas que desafiam o público a desvendar a mente dos personagens. Diretor, roteirista e escritor, O Escravo de Capela é seu terceiro livro publicado. Condado Macabro, seu primeiro longa-metragem, foi lançado nas salas comerciais em 2015 e vem mostrando a força de sua narrativa em festivais por todo o país e no exterior.
Marcos deBrito para mim é um dos maiores escritores do atual terror nacional e se você é fã do gênero, precisa (mesmo) conferir o trabalho dele. Ama reviravoltas? Ama ser surpreendido por uma revelação bombástica? Um plano mirabolante? Nem pense duas vezes, leia. Para os leitores que adoram histórias que retratam o nosso folclore, essa é uma boa pedida. Não apenas pelas menções ao mito do Saci, mas pela reinvenção do mesmo. Porém, prepare o coração. Embora o livro não seja assustador (ou eu que não me assusto fácil, vai saber), ele é bem (mas BEM mesmo) violento e visceral em suas descrições. Não poupa detalhes, não procura se censurar para poupar o leitor. Alguns colegas blogueiros inclusive relataram terem tido pesadelos depois de ler a obra. Então vocês podem tirar por aí o nível dessa narrativa. E por ser ambientado em uma época terrível da nossa história (a escravidão), é bom estar ciente que racismo, tortura, estupros e assassinatos são coisas recorrentes nas páginas deste livro.
Por fim, deixo minha recomendação para quem aposta na nossa literatura. Marcos deBrito é um exemplo formidável de que a literatura nacional é tão boa (às vezes melhor) do que o que vem de outros países. Basta você dar uma chance.  
Ah, quase me esqueço: não espere um final “e viveram felizes para sempre” nessa história.


Bibliografia de MARCOS DEBRITO (ordem cronológica):


Livros:
À Sombra da Lua – Editora Rocco (2014).
Condado Macabro – Editora Simonsen (2016). O Escravo de Capela – Faro Editorial (2017).

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28/10/2017

RESENHA – O beijo do vencedor (Marie Rutkoski)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: RUTKOSKI, Marie. O beijo do vencedor – série “O vencedor”. 1ª edição. São Paulo, Plataforma 21 (selo da editora V&R Editoras), 2017. Tradução Guilherme Miranda. 448 páginas.
Gênero: Romance, fantasia, ficção juvenil
Temas: guerra, traição, drogas, amor
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Americana
Ano de lançamento: 2014 no exterior 2017 no Brasil
Série: AMaldição do Vencedor (Livro 1), O crime do vencedor (livro 2) e O beijo do vencedor (Livro 3).









“Ele não confiava nela. Nem um pouco. No entanto, entendia que havia certas coisas que se sentem e outras que se escolhem sentir, e que a escolha não torna o sentimento menos válido.”
O beijo do vencedor – Livro 3. (posição 3.635  - E-book via Amazon)


Queridos leitores, este é o desfecho da série “O vencedor”, que conta a história de um amor impossível, onde duas pessoas estão em lados opostos em uma guerra. Caso você não tenha lido o os livros anteriores, recomendo que não leia esta resenha, pois ela contém spoiler.
O segundo livro termina com a Kestrel sendo denunciada pelo seu próprio pai, o general Trajan, ao imperador de Valória por conta de uma carta que ela escreveu ao Arin confessando o seu amor por ele e todas as tentativas de ajudá-lo, inclusive, ela revelava que era a “Mariposa”, espiã que passava as informações para o Tensen, espião de Herran que estava em Valória.
Infelizmente, o Arin nunca chegou a lê-la, pois o Tensen não entregou a ele. Talvez por medo da reação do rapaz, tendo em vista que todas as suas ações sempre eram guiadas pelo coração e não pela razão, e se ele fosse atrás dela poderia prejudicar a defesa deles contra os valorianos.
A coitada da Kestrel foi enviada para as minas de enxofre, um campo de trabalho forçado. Ao chegar lá, ela percebeu que a comida dos prisioneiros continha drogas para que eles ficassem apáticos e não se rebelassem. Sendo assim, ao passar dos dias, por conta das drogas, ela passou a não se lembrar de mais nada do seu passada.
O Arin já havia retornado para Herran, para que pudesse guiar os soldados herranis na defesa do seu território com a ajuda dos dacranos. Após alguns dias, um homem entrou em contato com ele para passar uma mensagem, na qual consistia de uma mariposa entregue por uma prisioneira que pediu para que o inseto fosse entregue diretamente para ele. Com isso, o Arin descobriu que a mulher era a sua amada. Lógico que ele largou tudo para resgatá-la. Neste momento eu soltei vários suspiros para ele <3  
Leitores, após o resgate dela, o Arin sofreu muito para lidar com a situação, haja vista que a Kestrel não se lembrava nem quem ele era. Além disso, de ter medo de ficar próxima dele, a valoriana sofria com a abstinência das drogas que recebia na prisão. Sendo assim, esse momento foi conturbado para o casal.
Confesso que achei um pouco arrastado esse início do livro, mas depois que a memória dela vai retornando, a história flui que é uma beleza.  Acredito que esta trilogia foi um dos melhores livros, no quesito ficção juvenil, que eu já li este ano. Fora que os personagens são apaixonantes.
A autora do livro, Marie Rutkoski, cresceu em Bolingbrook, Illinois (um subúrbio de Chicago), sendo a mais velha de quatro filhos. Possui bacharelado pela University of Iowa e doutorado pela Harvard University. Atualmente vive em Nova York, é professora no Brooklyn College e mora com o marido e dois filhos.
O livro possui 44 capítulos, e é narrado de forma linear cronológica e em terceira pessoa, pelo ponto de vista da Kestrel e do Arin. O que é bom, pois conseguimos perceber as motivações dos dois ao longo do texto.
Por fim, fui procurar no nosso amigo Google o significado de uma mariposa, e, de acordo com o site Dicionário de Símbolos (para saber mais, clique aqui), o inseto “simboliza a morte que transforma - transformação da lagarta ou a imortalidade, o renascer - bem como simboliza a força destruidora da paixão”. Desta forma, não consegui localizar se a autora inseriu esse bicho na trama por conta do seu significado. Contudo, a simbologia dele se encaixou perfeitamente na história do casal, o que acham?


Bibliografia de Marie Rutkoski (ordem cronológica):


Livros:
  • A maldição do vencedor – Plataforma 21 (2016)
  • O crime do vencedor – Plataforma 21 (2016)
  • O beijo do vencedor – Plataforma 21 (2017)
  • Bridge of Snow – sem previsão para ser lançado no Brasil
  • The Shadow Society – sem previsão para ser lançado no Brasil
  • The Cabinet of Wonders – sem previsão para ser lançado no Brasil
  • The Celestial Globe – sem previsão para ser lançado no Brasil
  • The Jewel of the Kalderash – sem previsão para ser lançado no Brasil
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24/10/2017

RESENHA – A Hora do Lobisomem (Stephen King)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: KING, Stephen. A Hora do Lobisomem. 1ª edição. Rio de Janeiro, Editora Suma de Letras, 2017. Tradução: Regiane Winarski, 149 páginas.
Gênero: Terror
Temas: Lobisomem, assassinatos.
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Norte Americana.
Ano de lançamento: 2017








“Uma criatura chegou a Tarker’s Mills, tão sorrateira quanto a lua cheia presidindo o céu noturno. É o lobisomem, e não há mais motivo para o surgimento dele do que haveria para a chegada de um câncer ou de um psicótico com intenções assassinas ou de um tornado devastador. A hora dele é agora, o lugar dele é aqui, nesta pequena cidade do Maine, onde jantares de caridade na igreja são um evento semana, onde garotinhos e garotinhas ainda levam maças para as professoras, onde as Excursões na Natureza do Clube dos Cidadãos Idosos são religiosamente relatadas no jornal semanal. Semana que vem, haverá notícias de natureza mais sombria. ”
*A hora do lobisomem (pág. 17).
       
                O primeiro grito veio de um trabalhador ferroviário isolado pela neve, enquanto as presas do monstro dilaceram sua garganta. No mês seguinte, um grito de êxtase e agonia escapa de uma mulher atacada no próprio quarto.
                Agora, toda vez que a lua cheia brilha sobre a cidade de Tarker’s Mill, acontecem novas cenas de terror inimagináveis. Quem será a próxima vítima?
                Quando a lua sobe no céu, os moradores da cidade são tomados por um medo paralisante. Uivos quase humanos ecoam no vento. E há pegadas por todos os lados de um monstro cuja fome nunca é saciada.
                A hora do lobisomem chegou.
                Antes de mais nada, preciso dizer que essa foi a minha primeira experiência literária com o mestre do terror Stephen King. Sim, eu gosto muito de terror. Como pode eu nunca ter lido nada, não é? Nem eu sei. Mas eu li e quero mais. Porém, em doses leves, pois preciso terminar meu TCC (rsrs).
                A história se passa em uma cidade chamada Tarker’s Mill. Um lugar pacato para se viver, até que uma série de violentos assassinatos começam a acontecer. Muitas teorias são levantadas pelos habitantes locais, porém, apenas um pensava em algo diferente. Apenas um habitante pensava que o autor das brutais mortes era uma criatura que em teoria, povoava apenas o imaginário daqueles loucos o suficiente para imaginarem sua existência. Apenas ele acreditava no lobisomem.
(imagem)

                Como disse antes, essa foi minha primeira experiência com o King e devo dizer que embora o livro não tenha me prendido tanto assim, gostei da premissa. No entanto, é inegável a qualidade de escrita do autor. A maneira como ele conduz a história passa a sensação de que estamos ali pertinho dos personagens, sofrendo junto com eles.
  O livro é dividido em doze capítulos. Cada capítulo se passa no dia de lua cheia. A cada novo mês o lobisomem ataca e deixa a cidade cada vez mais intrigada e com medo do novo ciclo da lua cheia. No início a narrativa parece desencontrada, com relatos aparentemente isolados, quase como se fossem contos. Porém, as coisas começam a se encaixar após o terceiro assassinato, onde o autor mostra porque é o mestre do terror, descrevendo não apenas ataques atrozes da criatura, mas também elucidando o medo crescente na população da cidade.

“As noites em Tarker’s Mills - conforme a lua vai enchendo pela terceira vez naquele ano - estão se tornando momentos de desconforto… Os dias são melhores. Na praça da cidade, o céu fica lotado de pipas durante as tardes. ”
*A Hora do Lobisomem (pág. 39).

            Um fato curioso: não há qualquer explicação dentro da obra para a aparição do lobisomem. Ele simplesmente está lá, assim como o Sol está no horizonte todas as manhãs. A criatura aparece, mata e some sem deixar pistas sobre sua localização. Então não esperem algum tipo de “revelação” sobre a origem do lobisomem.

“Lá fora, as pegadas da criatura são cobertas pela neve, e o uivo do vento parece selvagem de prazer. Não tem nada de Divino ou de Luz naquele som insensível; só há o inverno sombrio e o gelo escuro.
O ciclo do Lobisomem começou”
*A Hora do Lobisomem (pág. 18).
(imagem)
               Também é interessante notar que num primeiro momento não existe um personagem central. Pelo menos não um que apareça sempre e seja o foco de toda a narrativa. O autor concentra a trama nas noites dos ataques. Apenas no decorrer da história conhecemos aquele que é a chave para o mistério em torno das aparições do monstro. Aquele que desvenda o segredo por trás das mortes. E é legal a brincadeira que o autor faz com os personagens, já que a figura do lobisomem representa o que há de mais poderoso em oposição a figura frágil do personagem que descobre sua real identidade. Já devem ter notado que dar “nome aos bois” é spoiler, né?

“A mão livre do lobisomem agarra o cabelo recém-cortado de Neary e o puxa parcialmente para fora da cabine da picape. Uiva uma vez em triunfo e afunda o focinho no pescoço do policial. Alimenta-se enquanto a cerveja gorgoleja para fora da garrafa e faz espuma no chão, ao lado dos pedais do freio e da embreagem.
Adeus psicologia.
Adeus, bom trabalho policial. ”
*A Hora do Lobisomem (pág. 18).

                O livro é bom. Bem curto, você pode ler em apenas uma tarde (ou noite, se a coragem deixar), mas não é aquele tipo de obra que te impacta e te deixa sem dormir dias a fio (pelo menos para mim não foi). Espero em breve ter novas experiências com a escrita do mestre.
  A obra é narrada em terceira pessoa. A fluidez da narrativa é tranquila. O autor sabe como manipular as palavras para que o leitor se sinta mais tentado a devorar rápido as páginas. E ajuda o fato de que nenhum capítulo tem mais de 10 páginas. Aqui não há foco no desenvolvimento dos personagens. Sabemos nomes e algumas poucas características de alguns (a maioria, das futuras vítimas) e só. A única exceção, em partes, é a do personagem que descobre a identidade do lobo.
A relação temporal é toda linear. Cada capítulo se passa em um mês do ano (imagem abaixo), logo após uma ilustração em preto e branco e quase no fim de cada capítulo uma imagem (cada uma mais sensacional que a outra) colorida que mostra alguma passagem do capítulo. A revisão está ótima, assim como a formatação do texto. Nada a reclamar.
O trabalho de diagramação está sensacional. O livro foi relançado pela Suma de Letras, fazendo parte de uma coletânea chamada “Biblioteca do Stephen King”, que já conta com três livros lindos de morrer e talvez esse seja o grande chamariz para que o leitor possa se envolver ainda mais com a obra. Começando pela capa dura e relevo no título do livro. As imagens apresentadas ao longo da narrativa são assinadas pelo ilustrador Bernie Wrightson. Algo que achei legal da parte da editora foi convidar ilustradores brasileiros para deixar ilustrações que representassem sua cena preferida no livro. Todas estão logo após o posfácio.
(imagem)
                Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.
De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).
Stephen King é autor de mais de cinquenta livros best-sellers no mundo. Os romances recentes incluem Mr. Mercedes (vencedor do Edgar Award de melhor romance, em 2015), Achados e perdidos, Último turno, Revival, Escuridão total sem estrelas (vencedor dos prêmios Bram Stoker e British Fantasy), Doutor Sono, Sob a redoma (que virou série) e Novembro de 63.
            Recomendo para os fãs do autor. Não que precise, pois quem já leu algo do King, certamente vai procurar outras obras, como eu farei em breve. Por ser uma história curta, recomendo para aqueles que estão em busca de uma história rápida. Quem gosta do mito do lobisomem também pode curtir a obra. Nem preciso dizer que é um livro de terror, né? Então os que têm coração mais fraco, pense em ler com a luz acesa.
A hora do lobisomem é um livro curto que te ganha pela narrativa veloz e livre de enrolação, entregando ao leitor o que ele veio buscar: medo e morte.


Bibliografia de STEPHEN KING (ordem cronológica):

Livros:
Como o autor tem muitos livros, disponibilizamos o link para a página do skoob.


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23/10/2017

Horóscopo dos livros: Escorpião

signo-de-escorpiao-e-suas-caracteristicas-by-nanaths.jpg (1742×2000)   Quase... <3 ;-)
Fonte: @nanaths - imagem retirada do Pintrest "tão feminino"

Olá, amigos leitores,

A partir de hoje (23/10) o sol entrou na casa de Escorpião, que são pessoas conhecidas por serem intensas e misteriosas. É isso mesmo? Temos alguma escorpiana por aqui?
As revelações abaixo foram extraídas do site Personare, que contém os dados que tratam do deste signo e da carta de tarot sorteada.

Lembrando que este post tem o intuito apenas de descontrair.

Escorpião (23 de outubro - 21 de novembro)

Elemento: Água (Possui uma força penetrante e sutil e está simbolicamente associado à função psíquica do sentimento)

Regente: Plutão (Representa a forma como você lida com as questões relacionadas à morte e ao renascimento. Plutão vai mostrar a existência de um poder maior que você e como geralmente você lida com essa descoberta. Está ligado aos ciclos de vida e à descoberta de grandiosidades maiores que você)

Cor: Vermelho escuro (É estimulante, afasta a tristeza, tira o desânimo. É a cor das conquistas, das paixões e da sexualidade)

Flores: Peônias vermelhas, tulipas, cravos vermelhos, papoulas (As exóticas peônias vermelhas representam romance e poder para o sensual e apaixonado Escorpião. Outras opções são tulipas, cravos vermelhos e papoulas)

Pedras: Hematita, rubi, granada e obsidiana negra

Perfil: Em Escorpião, podemos encontrar um criador de seu próprio destino. É também um signo transformador. E está sempre envolvido com suas emoções, que geralmente são muito intensas e profundas.

Características: intensidade, transformação e mistério

Principal frase: “Eu transformo, logo existo”

Personagem feminina: Sherazade do livro “A Fúria e a Aurora”, da Renée Ahdieh.

Sinopse do livro: Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga.  Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto.

Breve avaliação: A Sherazade tem uma determinação incrível, além de uma língua afiada, que foi o ponto chave da história. Acredito que o seu jeito misterioso conquistou o rei de Khorasan.

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Personagem masculino: Wulfric Bedwyn do livro “Ligeiramente Perigosos”, da Mary Balogh.

Sinopse do livro: Aos 35 anos, Wulfric Bedwyn, o recluso e frio duque de Bewcastle, está ávido por encontrar uma nova amante. Quando chega a Londres, os boatos que correm são os de que ele é tão reservado que nem a maior beldade seria capaz de capturar sua atenção. Durante o evento social mais badalado da temporada, uma dama desperta seu interesse: a única que não tinha essa intenção. Christine é impulsiva, independente e altiva – uma mulher totalmente inadequada para se tornar a companheira de um duque. Ao mesmo tempo, é linda e muito, muito atraente. Mas ela rejeita os galanteios de todos os pretendentes, pois ainda sofre para superar as circunstâncias pavorosas da perda do marido. No entanto, quando o lobo solitário do clã Bedwyn jura seduzi-la, alguma coisa estranha e maravilhosa acontece. Enquanto a atração dela pelo sisudo duque começa a se revelar irresistível, Wulfric descobre que, ao contrário do que sempre pensou, pode ser capaz de deixar o coração ditar o rumo de sua vida.

Breve avaliação: Enquanto a Christine Derrick, personagem principal do livro, foi a escolhida para representar o signo de libra, o Wulfric Bedwyn representa muito bem os signo de escorpião. De todos os personagens da série, o Wulfric era o mais temido, talvez por ser o mais misterioso, com sua personalidade fria e arrogante. Contudo, ao passo que o conhecemos, é possível perceber um personagem intenso e que de “frio” ele não tem nada.

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Carta de tarot sorteada:
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Fonte da imagem: www.iquilibrio.com
O arcano VIII do Tarot, chamado “A Justiça”, emerge como arcano conselheiro para este seu momento em particular, Academia Literária DF, lembrando a importância da reflexão fria e analítica em relação aos fatos do mundo. Há momentos em que de nada adianta reagir emocionalmente às circunstâncias, em que é melhor se recolher e avaliar as coisas a partir de uma perspectiva mais fria, mais elevada. O importante, no momento, é julgar da forma mais imparcial possível. Procure ao máximo agir de maneira diplomática neste momento, Academia Literária DF. Você vai precisar, pois o momento assim exige. As circunstâncias poderão ficar bem difíceis e a tentação de agir de uma maneira impulsiva será muito grande. Segure a onda!

Livro relacionado à carta: Leitores, depois que li a interpretação desta casa, lembrei-me da Ella Harper, do livro “Princesa de papel” (autora Erin Watt), por conta da sua impulsividade em querer resolver algumas coisas, acredito que ela tem muito o que amadurecer e, por isso, esta carta se direciona à ela.  

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Dicas: queridos leitores, para quem quiser curtir uma seleção de músicas ou livros que se relacionam com os escorpianos, basta acessar os links abaixo.

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É isso, até a próxima, queridos leitores!
Astróloga literária (rsrsrs) Gabi Crivellente




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