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30/12/2017

RESENHA - O Coletor de Espíritos (Raphael Draccon)


Ficha técnica:
Referência bibliográfica: DRACCON, Raphael. O coletor de espíritos. 1ª edição. Rio de Janeiro, Fantástica Rocco, 2017. 263 páginas.
Gênero: Literatura Fantástica
Temas: Espíritos, lições de vida;
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2017








“Foi no primeiro dia em que tentou se matar que Tobias bebeu muito além do que devia. E caiu no chão. E adormeceu sobre a terra. Depois do banho frio, Anastácia Handam deu-lhe o que comer e o colocou na rede para dormir. Quando ele acordou no dia seguinte já era dia e havia na mesa um prato de sopa. Tobias entrou naquela casa tomado pela vergonha, com o corpo endurecido e os olhos baixos. Mãe Anastácia não disse uma palavra dura, não fez um único sermão justificado nem elevou a voz em qualquer momento. Tratou-o como o homem digno que não era e o fez comer à mesa com suas cinco crianças.
Ele nunca esqueceu.
E, apesar de vez ou outra se render ao vício que o corpo doente exigia, havia decidido, se não parasse de beber, ao menos pararia de tentar se matar.”
Entretanto, você sabe como são os pecadores.
Nem sempre é fácil cumprir essas promessas”.
*O Coletor de Espíritos (pág. 18).

                Véu-vale.
Um vilarejo no meio de lugar nenhum, esquecido pelo tempo e pelo mundo. Um local sombrio, cuja iluminação é fornecida por tochas e a água vem da chuva. Os anos passam e Véu-Vale parece indiferente diante as mudanças, como se preso por toda a eternidade em uma redoma invisível. O vilarejo poderia ser mais um como tantos outros, não fossem os fenômenos inexplicáveis que acontecem durante o terceiro dia consecutivo das noites de chuva. São nesses dias que as trancas são passadas nas portas, que as crianças permanecem próximas aos pais e as mãos das mulheres tomam os terços.
E Véu-Vale se torna silêncio.
            O Coletor de Espíritos, obra de Raphael Draccon,  conta a história de Gualter Handam, um antigo morador de Véu-Vale ao abandonar o lar para tentar a vida na cidade grande tornou-se um psicólogo de renome, fazendo carreira atendendo casos de celebridades. Em um dia como qualquer outro, Gualter quase foi vítima fatal de um acidente de carro, porém foi salvo por “algo” que ele julgou em um primeiro momento ser um delírio de sua mente.
Enquanto tentava entender o que houve naquele dia, Gualter recebe um telefonema de um antigo amigo chamado Pedro. Em meio a um turbilhão de perguntas para o antigo amigo, Gualter recebe a bomba: sua mãe havia sofrido um infarto.  Gualter então viaja junto de sua namorada Marina para o último lugar do universo onde gostaria de estar e o que seria uma viagem de visita a uma mãe doente, se tornou a semente de uma jornada de autodescobrimento.


Tocante.
Se fosse possível descrever essa obra em uma palavra, é essa que eu usaria. Depois de uma experiência não tão boa assim com a série do Legado Ranger (não, ele é bom, mas poderia ter sido muito melhor). Enfim, eu não tinha muitas informações sobre a obra, apenas o motivador para ele tê-la escrito. Logo, não fui com sede ao pote e minhas leituras não estavam tão boas assim (preocupação com o TCC e outras coisas). E devo dizer que essa obra me pegou literalmente de guarda baixa. Essa é uma história que poderia (devidas proporções) acontecer com qualquer um. Uma pessoa que fugiu do passado em busca dos seus sonhos e ambições,  anos depois ele tem de confrontar o passado e voltar às origens para concluir negócios pendentes. Sintetizando em um trecho do próprio livro: “Tu sabe que o valor da vida de um homem vem das histórias que ele pode contar, não sabe?”.

“- Tu sabe que o valor da vida de um homem vem das histórias que ele pode contar, não sabe?
Ele sabia.
- Adoraria escutar as histórias daqui… - disse Marina.
- Peça para teu homem te contar. É um direito teu.
Gualter Handam parecia prestes a protestar.
- Não pretendo assustar Marina, mãe.
- Tu te assusta com tua própria história?
Houve um suspiro. O coração doeu.”
*O Coletor de Espíritos (pág. 71).

                Para quem já pegou alguma obra do Draccon para ler, essa aqui se assemelha um pouco a Espíritos de Gelo (a começar pelo nome). Tanto em O Coletor de Espíritos como em Espíritos de Gelo, o autor nos apresenta personagens misteriosos que a todo momento brincam com enigmas e carregam segredos tão bem enterrados que só conseguimos desvendá-los lá no clímax e com uma ajudinha do narrador.
Algo que achei sensacional é a capacidade do autor em criar mitologias usando-se de coisas que ao primeiro olhar parecem comuns. Quem diria que o simples ato de acender uma tocha poderia criar todo uma história mítica por trás dos acendedores. Não vou me aprofundar muito para não estragar (tanto) a experiência, mas explicando rapidamente, Véu-Vale não possui rede de eletricidade, logo, não há energia. Daí vocês já conseguem imaginar qual é o trabalho dos acendedores.

“Os acendedores passaram a viver daquele esforço e a atuar em todo o vilarejo. Juravam entre eles, tal qual um grupo de escoteiros que um acendedor sempre ilumina seu caminho, afinal, todo adolescente sabe que situações como essas passam a sensação de compromisso diante da passagem para o mundo adulto”.
*O Coletor de Espíritos (pág. 50).

                Não apenas deles, mas de toda Véu-Vale. Afinal, porque os moradores “escutam” no terceiro dia consecutivo de chuva? Porque Gualter sente o gosto de sangue na boca nesse período? Porque algumas pessoas parecem ser mais sensitivas que as outras? O que há de mítico na figura do Antigo? E de Karkumba? Quem é a mulher que Gualter tanto sonha? O protagonista, assim como os leitores, está lá para descobrir os segredos daquele lugar único no mundo.

O Paraíso havia fechado as portas para ele e só havia uma maneira de escapar do Inferno. Ele a encararia. Um homem quando sente que perdeu tudo o que importa na existência implora pela morte, quando acha que é tarde demais para implorar pela vida. Tobias não sabia como chegar a ela. Mas chegaria. Sentiu que braços o erguiam e o impulsionavam na direção da entrada disposta a recebê-lo. Naquela noite silenciosa e seca, ao menos, TObias não estaria só.
                                                               Karkumba o esperava”.
*O Coletor de Espíritos (pág. 82).



Não se enganem com o tamanho do livro. Apesar dele ser pequeno, ele contém muitas informações. Detalhes pequenos que fazem a diferença lá na frente, o que pode exigir atenção redobrada dos leitores e uma boa memória se não quiser voltar páginas para averiguar os detalhes que culminaram em algum acontecimento. Pouco a pouco juntamos os pedaços do quebra-cabeça que o autor montou dentro da narrativa e parte disso foi o que me compeliu a avançar cada vez mais rápido na leitura, pois o desejo de desvendar os mistérios de Véu-Vale crescia à medida que o protagonista Gualter e o narrador mostravam mais peculiaridades do vilarejo.
                Uma curiosidade bem curiosa mesmo: Draccon fez questão de inserir essa obra no mesmo universo de Fios de Prata. Existem algumas referências no livro que jogam na nossa esse fato, mas é em um trecho particular do livro que “surtei”, pois os dois personagens principais de ambos os livros aparecem juntos! Quase um crossover. Claro que não vou dar detalhes, mas para mim que leu Fios de Prata esse trecho em especial foi muito legal e me fez ter a vontade de ler novamente esse livro fantástico. Uma observação: acredito que exista também uma leve referência a Espíritos de Gelo, mas essa eu não posso afirmar com certeza. Um dia eu pergunto pra ele e atualizado aqui.     
             O que realmente tiro o chapéu para o autor é o modo como ele ambientou seus personagens dentro da obra. Tentando explicar: eles são gente como a gente. Eles são críveis, podendo muito bem fazer parte da nossa realidade e por mais que exista uma coisa sobrenatural na obra, seus personagens são tão humanos quanto eu e você. O que faz com que possamos nos identificar rapidamente com eles e, quem sabe, até encontrar semelhanças com alguém que conhecemos (ou com nós mesmos, vai saber). E junto a uma narrativa que sabe aproveitar cada detalhe de seus personagens, temos uma obra fantástica em mãos que merece a atenção dos leitores ávidos por histórias que mexem com o nosso emocional.
                Draccon, não sei se você vai ler isso um dia, mas sinto que preciso dizer o quanto sua história me tocou em um momento particularmente complicado da minha vida. Por me fazer ver (mais uma vez) que por mais que a vida bata em nós, precisamos nos levantar e bater de volta. Você tem o dom de inspirar as pessoas a sonharem mais alto. Obrigado por mais essa oportunidade de ver o bem que a leitura pode fazer na vida de alguém.



                A obra é narrada em terceira pessoa. Embora a narrativa seja linear, existem pedaços da história onde o narrador conta o passado de alguns personagens secundários que, como dito anteriormente, contribuem para montar mais um trecho do quebra cabeça e mesmo que Gualter seja o personagem principal da trama, ela não o acompanha a todo momento, permitindo que até mesmo capítulos inteiros do livro sejam dedicados a outros personagens, o que confere um dinamismo a mais na narrativa.
                A revisão está excelente. Se tinha algum erro passou batido. A formatação das páginas também está ótima, com letras bem espaçadas e fonte boa para leitura. O livro é dividido em três partes (Cheiro de Chuva, O Timbre da Chuva e o Choro da Chuva) e o Epílogo na sequência. O livro têm ao todo 50 capítulos, em sua maioria curtos, alguns não passando de uma página. Cada início de capítulo vem com a sua numeração e “rabiscos” ao fundo que simula a chuva (imagem acima). Por fim, há uma nota do autor e uma carta endereçada a pessoa que o motivou a escrever o livro.


                Raphael Draccon viaja desde garoto entre várias dimensões com a ajuda de livros, videogames e televisão. Romancista e roteirista premiado pela American Screenwriters Association, Raphael é um dos escritores mais influentes do mercado literário brasileiro e já conquistou uma verdadeira legião de leitores dentro e fora do país. Sua obra já foi publicada em Portugal e no México, onde entrou para a lista de mais vendidos. Atualmente vive em Los Angeles, onde trabalha com o mercado cinematográfico.
                Raphael Draccon sem sombra de dúvida é um dos maiores escritores de literatura fantástica da atualidade. E se você é, como eu, fã do trabalho do autor não pode deixar de conferir este que na opinião deste humilde blogueiro é seu livro mais tocante. Não só por conta da narrativa empregada na obra, mas pela motivação por trás do livro. Se você está em dúvida quanto a leitura deste livro, comece lendo a nota do autor e a carta ao final do livro. Se não forem motivos suficientes para comprar o livro, não sei o que mais poderá ser. Recomendo não só para seus fãs, mas para todo mundo que ainda tem fé que boas ações podem salvar vidas ou ao menos acalentar corações desesperados.
                Deixo aqui meus agradecimentos pessoais ao Draccon por me inspirar a ser alguém melhor do que eu fui ontem.       

        
Bibliografia de RAPHAEL DRACCON (ordem cronológica):


    Livros:
    • Dragões de Éter: Caçadores de Bruxas - Editora Planeta (2007);
    • Dragões de Éter: Corações de Neve - Editora Leya Brasil (2009);
    • Dragões de Éter: Círculos de Chuva - Editora Leya Brasil (2010);
    • Espíritos de Gelo - Editora Leya Brasil (2011);
    • Fios de Prata: Reconstruindo Sandman - Editora Leya Brasil (2012);
    • Cemitério de Dragões: Legado Ranger 1 - Editora Rocco (2014).
    • Cidade dos Dragões: Legado Ranger 2 - Editora Rocco (2015)
    • Mundo de Dragões: Legado Ranger 3 - Editora Rocco (2016)
    • O Coletor de Espíritos - Editora Rocco (2017)


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    29/12/2017

    Metas literárias para o novo ano

    Olá, queridos leitores!!! A muito tempo não apareço por aqui devido a correria do último ano de escola, mas agora estou de volta para ajudar a agitar esse blog que nós amamos. Para o post de retorno tenho um assunto que amo de paixão, metas de ano novo. Quem não gosta de fazer aquela listinha de sonhos e desejos a serem realizados na nova etapa? Mesmo que seja mentalmente, quase todos fazem esse tipo de lista. Foi pensando nisso que decidi trazer uma muito especial, uma lista de metas literárias. Serão sugestões de livros diversos (entre famosos e novos) a serem lidos nesse 2018 que vem chegando. Para ficar mais legal separei as metas para os diferentes tipos de leituras e leitores. Em cada meta literária estou trazendo cinco opções de livros, não colocarei mais que isso pois, do contrário, esse post ficaria enorme. Caso tenham gostado da ideia e a forem seguir, basta adicionarem mais livros a serem lidos ou substituírem os que já leram. Confiram:

    Obs. 1: As sugestões literárias deste post são uma junção das dicas da equipe do blog e de algumas outras pessoas, por isso, gostaria de agradecer a essas pessoinhas que me ajudaram com esse post. 💗

    Obs. 2: Todas as sinopses utilizadas nessa postagem foram retiradas do Skoob.




    Meta do amor: Para aqueles(as) que adoram uma boa cena romântica que os(as) façam flutuar de paixão, mas que também presam pelo conteúdo de um livro e esperam bastante de sua trama e personagens.


    1- Orgulho e Preconceito ( Jane Austen)


    Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

    2- Perdida (Carina Rissi) 


    Sofia vive em uma metrópole e está acostumada com a modernidade e as facilidades que ela traz. Ela é independente e tem pavor à mera menção da palavra casamento. Os únicos romances em sua vida são aqueles que os livros proporcionam. Após comprar um celular novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século dezenove, sem ter ideia de como voltar para casa ou se isso sequer é possível. Enquanto tenta desesperadamente encontrar um meio de retornar ao tempo presente, ela é acolhida pela família Clarke. Com a ajuda do prestativo e lindo Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba encontrando pistas que talvez possam ajudá-la a resolver esse mistério e voltar para sua tão amada vida moderna. O que ela não sabia era que seu coração tinha outros planos... 

    3- Ana e o Beijo Francês (Stephanie Perkins)


    Anna Oliphant tem grandes planos para seu último ano em Atlanta: sair com sua melhor amiga, Bridgette, e flertar com seus colegas no Midtown Royal 14 multiplex. Então ela não fica muito feliz quando o pai a envia para um internato em Paris. No entanto, as coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um lindo garoto — que tem namorada. Ele e Anna se tornam amigos próximos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Anna vai conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

    4- Noites de Sol ( Bruno Bucis)


          A noite e o dia são coisas que só se misturam perfeitamente em dois lugares: no céu de Brasília e na mente de Soraya. A protagonista deste livro é uma adolescente da periferia do Distrito Federal que narra os altos [poucos] e [muitos] baixos de seu último ano de ensino médio. Acompanhada de seus amigos que não são tão inseparáveis como ela imagina, Soraya descobre a cada capítulo que amadurecer é mais difícil do que qualquer prova de gramática. É em uma trilha sonora de clássicos da MPB que ela vai buscar conforto para as mudanças que o tempo lhe traz: ela perde o namorado em um pôr do sol; vê amizades antigas de apagarem em uma noite; mas vê também brilhar a luz de novos amores a cada dia. Amores. No plural. Mesmo com o coração dividido, porém, ela vai ter que aprender que a relação mais difícil de se administrar é a consigo mesma. "— Tudo aquilo aconteceu no calor da emoção. Eu estou arrependida."
    "— Já aconteceu, Soraya, e só está começando."

    5- A Fúria e a Aurora ( Renée Ahdieh )


    Personagem central da história, a jovem Sherazade se candidata ao posto de noiva de Khalid Ibn Al-Rashid, o rei de Khorasan, de 18 anos de idade, considerado um monstro pelos moradores da cidade por ele governada. Casando-se todos os dias com uma mulher diferente, o califa degola as eleitas a cada amanhecer. Depois de uma fila de garotas assassinadas no castelo, e inúmeras famílias desoladas, Sherazade perde uma de suas melhores amigas, Shiva, uma das vítimas fatais de Khalid. Em nome da forte amizade entre ambas, Sherazade planeja uma vingança para colocar fim às atrocidades do atual reinado. Noite após noite, Sherazade seduz o rei, tecendo histórias que encantam e que garantem sua sobrevivência, embora saiba que cada aurora pode ser a sua última. De maneira inesperada, no entanto, passa a enxergar outras situações e realidades nas quais vive um rei com um coração atormentado. Apaixonada, a heroína da história entra em conflito ao encarar seu próprio arrebatamento como uma traição imperdoável à amiga. Apesar de não ter perdido a coragem de fazer justiça, de tirar a vida de Khalid em honra às mulheres mortas, Sherazade empreende a missão de desvendar os segredos escondidos nos imensos corredores do palácio de mármore e pedra e em cenários mágicos em meio ao deserto.

    Meta clássica: Aquela meta literária para quem aprecia conhecer as entranhas da literatura e o que ela esconde de mais épico segundo as críticos bons leitores.



    1- Dom Casmurro (Machado de Assis)


       Machado de Assis (1839-1908), escrevendo Dom Casmurro, produziu um dos maiores livros da literatura universal. Mas criando Capitu, a espantosa menina de "olhos oblíquos e dissimulados", de "olhos de ressaca", Machado nos legou um incrível mistério, um mistério até hoje indecifrado. Há quase cem anos os estudiosos e especialistas o esmiuçam, o analisam sob todos os aspectos. Em vão. Embora o autor se tenha dado ao trabalho de distribuir pelo caminho todas as pistas para quem quisesse decifrar o enigma, ninguém ainda o desvendou. A alma de Capitu é, na verdade, um labirinto sem saída, um labirinto que Machado também já explorara em personagens como Virgília (Memórias Póstumas de Brás Cubas) e Sofia (Quincas Borba), personagens construídas a partir da ambigüidade psicológica, como Jorge Luis Borges gostaria de ter inventado.

    2- On The road- Pé na estrada (Jack Kerouac)


        Sal Paradise é o narrador de On the road - pé na estrada. Ele vive com sua tia em New Jersey, Estados Unidos, enquanto tenta escrever um livro. Ele é inteligente, carismático e tem muitos amigos. Até que em Nova York ele conhece um charmoso e alucinante andarilho de Denver de personalidade magnética chamado Dean Moriarty. Dean é cinco anos mais novo que Sal, mas compartilha o seu amor por literatura e jazz, e a ânsia de correr o mundo. Tornam-se amigos e, juntos, atravessam os Estados Unidos, deparando-se com os mais variados tipos de pessoas, numa jornada que é tanto uma viagem pelo interior de um país quanto uma viagem de auto-conhecimento - de uma geração assim como dos personagens.

    3- Guerra e Paz (Leon Tolstói)


        “Não é um romance, muito menos uma epopeia, menos ainda uma crônica histórica.” Ao acompanhar o percurso de cinco famílias aristocráticas russas no período de 1805 a 1820, Tolstói narra a marcha das tropas napoleônicas e seu impacto brutal sobre a vida de centenas de personagens. Em meio a cenas de batalha, bailes da alta sociedade e intrigas veladas, destacam-se as figuras memoráveis dos irmãos Nikolai e Natacha Rostóv, do príncipe Andrei Bolkónski e de Pierre Bezúkhov, filho ilegítimo de um conde, cuja busca espiritual serve como espécie de fio condutor e o torna uma das mais complexas personalidades da literatura do século XIX. Ao descrever o cotidiano e os grandes acontecimentos que se sucederam à invasão de Napoleão em 1812, Tolstói retrata uma Rússia magistral, imponente e, sobretudo, profundamente humana.

    4- Lolita (Vladimir Nabokov)


        Lolita é um dos mais importantes romances do século XX. Polêmico, irônico, tocante, narra o amor obsessivo de Humbert Humbert, um cínico intelectual de meia-idade, por Dolores Haze, Lolita, 12 anos, uma ninfeta que inflama suas loucuras e seus desejos mais agudos. A obra-prima de Nabokov, agora em nova tradução, não é apenas uma assombrosa história de paixão e ruína. É também uma viagem de redescoberta pela América; é a exploração da linguagem e de seus matizes; é uma mostra da arte narrativa em seu auge. Através da voz de Humbert Humbert, o leitor nunca sabe ao certo quem é a caça, quem é o caçador.

    5-O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)


       Versão de Oscar Wilde para o mito faustiano da perda da alma em troca dos prazeres mundanos, "O retrato de Dorian Gray" é um relato de decadência moral e punição, exemplo do humor cáustico e refinado de seu autor. Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade.

    Meta de aventura/ fantasia:  Para os amantes da boa e velha jornada do herói, aqueles que adoram travar uma batalha sangrenta ou mágica contra o mal que assola o mundo.


    1- Senhor dos anéis ( J.R.R Tolkien)


      Numa cidadezinha indolente do Condado, um jovem hobbit é encarregado de uma imensa tarefa. Deve empreender uma perigosa viagem através da Terra-média até as Fendas da Perdição, e lá destruir o Anel do Poder - a única coisa que impede o domínio maléfico do Senhor do Escuro. Pode-se dizer que é impossível transmitir ao novo leitor todas as qualidades e o alcance deste livro. Alternadamente cômica, singela, épica, monstruosa e diabólica, a narrativa desenvolve-se em meio a inúmeras mudanças de cenário e de personagens, num mundo imaginário absolutamente convincente em seus detalhes. Nas palavras do romancista Richard Hughes , quando à amplitude imaginativa, a obra praticamente não tem paralelos, e é quase igualmente notável na sua vividez e na habilidade narrativa, que mantêm o leitor preso página após página. J.R.R Tolkien criou em O Senhor dos Anéis uma nova mitologia, num mundo inventado, que demonstrou possuir um poder de atração atemporal. 

    2- Deuses americanos (Neil Gaiman)


      Após a morte de sua esposa em um acidente de carro, Shadow é liberado da prisão antes de cumprir totalmente sua pena. Perdido, acaba por conhecer um homem misterioso, chamado Wednesday, que será muito mais importante na vida de Shadow do que ele imagina. Shadow aceita trabalhar para Wednesday, e eles se lançam em uma tempestade psicoespiritual que se torna demasiadamente real em suas manifestações. Armado somente de seus truques com moedas e alguma determinação, Shadow inicia uma viagem fantástica pela superfície visível das coisas - ao seu redor, sob ela -, literalmente descobrindo todos os poderosos mitos que os imigrantes europeus trouxeram com eles quando chegaram àquelas terras, assim como os que já viviam lá. Eles aparecem alí onde menos se esperava, zanzando na beira de estradas, comendo hambúrgueres, são agora trapaceiros, prostitutas, sombras. "Esta não é uma boa terra para deuses", diz Shadow.

    3- Ordem Vermelha: Filhos da Degradação (Felipe Castilho)


        Você destruiria seu mundo em nome da verdade? A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono.Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?

    4- Temporada dos Osssos (Samantha Shannon)


        Distopia com uma pegada sobrenatural são os ingredientes da série Bone Season, de Samantha Shannon, que chega ao Brasil pelo selo Fantástica Rocco. Ambientada em 2059, a trama acompanha a protagonista Paige Mahoney, uma andarilha onírica, alguém capaz de entrar na mente das pessoas e captar pensamentos e fragmentos de sonhos. Considerada traidora pelo governo, Paige paga por seu dom com a sua liberdade e é enviada para uma prisão secreta em Oxford. Lá, ela conhece os Rephaim, criaturas de uma raça antiga que desejam controlar a clarividência de Paige e de outros como ela, e precisará aprender a confiar em aliados improváveis não só para reconquistar a liberdade, mas garantir a própria sobrevivência. Considerada um dos principais nomes da literatura de fantasia dos últimos tempos, Samantha Shannon entrega aos leitores um romance surpreendente e arrebatador.


    5- Os Magos (Levi Grossman)



          Quentin Coldwater é um gênio precoce às vésperas de entrar na faculdade. Como a maioria das pessoas, Quentin acreditava que a magia não era algo real. Acreditava. Tudo muda quando ele é surpreendentemente admitido em uma universidade - muito antiga, muito secreta, muito exclusiva - de estudos mágicos, ao norte de Nova York. Após se esgueirar por um terreno baldio do Brooklyn na tarde de inverno em que deveria ter feito sua entrevista para entrar em Princeton, Quentin se vê, em pleno verão, no idílico campus da misteriosa Brakebills. Ali - não antes de um difícil e cansativo exame de admissão - ele dá início a uma extensa e rigorosa iniciação ao universo acadêmico da feitiçaria moderna; ao mesmo tempo, descobre também os princípios boêmios da vida universitária - amizades, amores, sexo e álcool.


    Meta do terror/ suspense: Para aqueles que sabem a diferença entre ambos e adoram esses dois gêneros. Sustos e mistérios para todos os lados. 


    1- Drácula (Bram Stoker)


          Drácula, é uma história de vampiros e lobisomens; de criaturas que estando mortas permanecem vivas. É também uma história de pessoas corajosas que se lançam à destruição de uma insólita e maléfica ameaça. Como quer que seja, permanece intacta nestas páginas a mesma emoção de milhões de leitores e espectadores que penetraram na história que se inicia num castelo desolado nas sombrias florestas da Transilvânia. Lá, um jovem inglês é mantido em cativeiro, à espera de um destino terrível. Longe dele, sua noiva bela e jovem é atacada por uma doença misteriosa que parece extrair o sangue de suas veias. Por trás de tudo, a força sinistra que ameaça suas vidas: Conde Drácula, o vampiro vindo do fundo dos séculos.   

    2- A Ilha do Dr. Moreau (H.G. Wells)


        À deriva, sem esperanças de sobreviver em alto mar, Charles Prendick é resgatado por um navio em missão das mais incomuns: levar a uma pequena ilha no Pacífico algumas espécies de animais selvagens. Ainda debilitado, Prendick é obrigado a desembarcar na ilha junto com o carregamento. Lá, ele conhece a figura do dr. Moureau, um cientista que, exilado por suas pesquisas polêmicas na Inglaterra, realiza experimentos macabros com seus animais. Uma parábola sobre a teoria da evolução, também uma mordaz sátira social, "A ilha do dr. Moreau" é um romance que, mais de cem anos após sua publicação original, permanece com a mesma força da surpresa e do horror.

    3- O adulto (Gillian Flynn)


        Vencedor de um Edgar Award, O adulto, de Gillian Flynn é uma homenagem às clássicas histórias de terror. Uma jovem ganha a vida praticando pequenas fraudes. Seu principal talento é a capacidade de dizer às pessoas exatamente o que elas querem ouvir, e sua mais recente ocupação consiste em se passar por vidente, oferecendo o serviço de leitura de aura para donas de casa ricas e tristes. Certo dia, ela atende Susan Burkes, que se mudou há pouco tempo para a cidade com o marido, o filho pequeno e o enteado adolescente. Experiente observadora do comportamento humano, a falsa sensitiva logo enxerga em Susan uma mulher desesperada por injetar um pouco de emoção em sua vida monótona e planeja tirar vantagem da situação. No entanto, quando visita a impressionante mansão dos Burke, que Susan acredita ser a causa de seus problemas, e se depara com acontecimentos aterrorizantes, a jovem se convence de que há algo tenebroso à espreita. Agora, ela precisa descobrir onde o mal se esconde, e como escapar dele. Se é que há alguma chance. Em seu estilo inconfundível que arrebatou milhares de fãs, Gillian Flynn traça surpreendentes e intrigantes perfis psicológicos dos personagens e tece uma narrativa repleta de suspense ao mesmo tempo em que brinca com elementos clássicos do sobrenatural.

    4- O Sorriso da Hiena (Gustavo Ávila)


        Atormentado por achar que não faz o suficiente para tornar o mundo um lugar melhor, William, um respeitável psicólogo infantil, tem a chance de realizar um estudo que pode ajudar a entender o desenvolvimento da maldade humana. Porém, a proposta feita pelo misterioso David coloca o psicólogo diante de um complexo dilema moral. 
    Para saber se é uma pessoa má por ter presenciado o brutal assassinato dos seus pais quando tinha apenas oito anos, David planeja repetir com outras famílias o mesmo que aconteceu com a dele, dando a William a chance de acompanhar o crescimento das crianças órfãs e descobrir a influência desse trauma na vida delas.
    Até onde ele será capaz de ir? É possível justificar o mal quando há a intenção de fazer o bem?

    5- O Silêncio dos Inocentes (Thomas Harris) 


        Cinco mulheres são brutalmente assassinadas em diferentes localidades dos Estados Unidos. Para chegar até o sanguinário assassino, uma jovem treinada pelo FBI entrevista o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra, cuja mente está perigosamente voltada para o crime. Ao seguir as pistas apontadas por Lecter, a jovem se vê envolvida numa teia mortífera e surpreendente. Uma novela policial arrepiante, escrita pelo célebre autor de Domingo Negro.


    É isso aí, pessoal. Espero que tenham gostado das sugestões. Eu estou querendo seguir a meta clássica, a melhor coisa é estar por dentro dos livros que agitaram o mundo e o Brasil, por falar nisso, fiz questão de colocar várias opções de livros nacionais. Não se esqueçam de compartilhar esse post com amigos para desafiarem eles a seguir uma das metas, ou todas, kkkkk.

    Beijão!!! Um feliz ano novo para vocês e até a próxima. 😘💖





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