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22/08/2013

CONTO - 13ª Infantaria


Título: 13° Infantaria
Classificação: +14
Gênero: Suspense
Sinopse: Esther sempre se perguntou como tudo aquilo começou. Eles davam muitas teorias pra isso, a que mais cabia era que um vírus mortal tinha sido roubado de um centro de vacinas, e desde que o paciente zero espalhou a tal morte no Texas, o mundo passou a ser de carne e sangue.


13ª Infantaria

Abril 2013


Esther Mazzarioli abriu os olhos ainda meio atordoados por conta do sono pesado. A luz que refletia os fazia arder. Sentou-se na beira da cama e levou as duas mãos a cabeça que á minutos começara a latejar. A enfermaria do exército era um lugar agradável em relação aos outros recintos, era silencioso e gelado. A sala onde se encontrava era bastante ampla, com vários leitos hospitalares, sendo cinco deles ocupados por soldados desacordados. Uma mesinha de metal pequena ao lado de cada leito, completo por um copo de água alguns comprimidos e um prontuário médico. Não se lembrara de o porquê de estar ali, só de um feixe de luz e um som alto de estourar os ouvidos. Um médico entrou na sala, ainda olhando para a prancheta na mão. Chegou até a mesinha pegou a cartela de comprimido e retirou um. Estendeu a mão e ofereceu aquela bolinha achatada laranja. __Você tem muita sorte, tenente...  --- Um sorriso amarelo no canto da boca.
__Eu... Eu não me lembro de nada.  
__Faz Sobreviver a uma explosão de um AT 4 não é pra qualquer um. --- Ele me deu o copo. Tomei a medicação. O comprimido desceu rasgando pela garganta.
__Ainda estou na base? 
__Sim
__E meu batalhão? Estão todos bem?
__ Quase todos. Cinco deles sofreram algumas lesões internas. Vou resolver isso e entrega-los prontos pra mais uma. --- Ele assinou algo na prancheta e finalizou. --- Chamarei alguém de seu batalhão para acompanha-la.  Espere um minuto.    --- Ele deu as costas e saiu da sala.
   Terminou de colocar o coturno e amarra-lo. Vestiu a jaqueta camuflada que estava pendurada num pedestal na entrada da sala. Sabia que era dela, pois ele estava com o cheiro do perfume Cubano que ganhou da família em sua ultima visita. Observou mais uma vez a sala. Aqueles cinco serviram com ela, e se sobrevivessem serviriam pela última vez.  Com toda certeza não esperaria alguém leva-la de volta ao batalhão, e saiu assim mesmo.  Passou por duas salas fechadas e uma sala de atendimento rápido.  Abriu a porta principal e vislumbrou aquele sol ardente, a cortina de areia que os Humvee deixavam para trás e a correria pra todo lado. Batalhões marchando, caminhões sendo descarregados com mantimentos e munição. Mais barracões sendo montados. Um ao lado do outro, cada um pra cada batalhão. Soldados distintos em frente aos seus barracões dando risada, tomando uma bebida, jogando cartas e limpando suas armas.  O batalhão do qual Esther era encarregada era o comando do 13º infantaria. Ficava a leste da enfermaria, 500 metros pra ser exata. Começou a caminhar naquela terra seca, desviando do fluxo de carros de guerra. Passava por alguém e era cumprimentada, uma continência e um aperto de mão.  Caminhava em passos fortes e decididos. Procurou por sua Tag no pescoço e não achou. Uma frustração a atingiu a deixando irritada. Já podia avistar a bandeira vermelha encravada no solo em frente o barracão do Comando 13º Infantaria. Logo que apressou o passo ouviu seu nome sendo chamado. Olhou para trás e viu Ryan Kasue correndo.  __Tenente! Tenente!  Espere!  --- parou de andar por um minuto, Kasue chegou e respirava ofegante. Voltaram a caminhada, e antes disso Kasue bateu continência.  __Algum problema Sargento?    --- perguntou sem olhar para ele.
__Fui busca-la na enfermaria e não estava mais lá. 
__Não pude esperar lá...      --- Chegaram até a frente do barracão. Dois soldados dos quais não recordava o nome se assustaram ao vê-la. Estavam jogando cartas, sem as camisas e cada qual com um copo de bebida.  Bateram continência meio envergonhados.   __Coloquem uma camisa... To ficando cega com essa branco de vocês.    ---Brincou Esther entrando no Barracão.   Eles correram logo depois. Avistou como de costume uma fileira  de 15 beliches. O cheiro de suor misturado com tabaco, a fez relembrar dos momentos em que passou ali. Uma grande mesa de madeira improvisada seguia no corredor. O chão estava protegido com um tapume escuro. Alguns Soldados e Cabos dormiam em suas camas. Outros desmontando armas e as limpando. O banheiro que ficava no fundo do barracão exalava até ali na entrada um cheiro horrível de excrementos. Ficou ali parada observando apenas, sem ao menos eles terem notado sua presença. Kasue gritou. “Atenção!”  e todos olharam pasmos e entraram em formação.  Esther não era uma tirana, e nem comandava como uma. Apenas queria disciplina e concentração, em tempos de guerra um soldado nunca dorme. Ela chegou até eles e avaliando cada um, passou por entre as fileiras da formação. Chegou ate o final e voltou sem dizer uma palavra. Virou-se para eles e gritou. ___ Alguém sabe onde esta minha Tag?!    --- Ela esperou pela resposta que demorou a chegar.  Eles estavam apreensivos. O primeiro da fila da direito respondeu.
__Em seus aposentos senhora!      --- Esther chegou mais perto dele com uma de suas sobrancelhas grossas e escuras bem cuidadas. Ela sempre prezou pela beleza ainda que estivesse no exército. __ E quem foi que tirou ela de mim?    --- Aumentou o tom de voz. __ Pensaram que eu tivesse morrido?! Caras só quem pode tirar minha vida é Deus e não uma explosão.      ---O silencio continuava.   __Estou Esperando!     ---Gritou. E um dos soldados um conhecido respondeu.
__Foi eu, Senhora!     --- Ela foi até o meio da formação e gelou quando viu quem a tinha respondido. Rafael Gallerani. Até o nome soava gelado, ela sempre tivera uma quedinha por ele. O melhor atirador da 13º infantaria, ela tinha orgulho de sempre mencioná-lo quando ia a reuniões dos superiores. Olhou bem para aqueles olhos verdes e sorriu. __Descansar!  ---Todos os outros obedeceram à ordem e voltaram os seus afazeres.  __Venha comigo.      ---Ela disse a Rafael que a seguiu até a sala. Era o seu pupilo. Fora que ela o treinou como atirador. Ela abriu a porta da sala e entrou juntamente com Rafael. Viu sua cama bem arrumada a mesa com uns papeis envoltos de um elástico, um porta canetas, uma fotografia de sua família e outra dela junto com a 13º Infantaria.  Tirou a jaqueta e jogou na cama. Abriu um armário de metal e encontrou sua mochila o uniforme de treinamento do exército, o outro coturno. Roupas íntimas e mais em baixo suas armas. Uma garrucha de pirata lançadora de granadas, Uma Beretta Brigadie 96 Inox que fora um presente, uma Colt Carbine m4a1 e uma Barrett M82. Rafael se sentou na cadeira em frente á mesa. E Ela se sentou na sua cadeira atrás da mesa. Ela sabia que a Tag estava com ele. Todos sabiam, ela transformou aquele batalhão numa família. Ele tirou do bolso a tal corrente e colocou na mesa. __ Nós achávamos que você estivesse...    ---Ele não sabia como continuar.
__ Morta eu sei... Por quantos dias eu fiquei na enfermaria?
__ Uma semana...
__ Meu Deus... Foi uma bagunça aqui não foi? Sem mim...
__ Foi sim... Eles não sabem o que fazer sem alguém no comando.
__ Boas noticias, voltei... E voltei com sede... Está dispensado.    ---Ele sorriu se levantou e saiu da sala. Era bom estar de volta, as coisas iriam mudar. Trocou de camiseta e colocou a Tag no pescoço.  Olhou-se no espelho improvisado, penteou os cabelos ondulados negros e prendeu num rabo de cabelo. Saiu da sala com todos olhando pra ela. __Quem vai ser o felizardo que vai até o refeitório pra buscar Whisky?
__Eu vou!      ---Gritou Thomas Ludivice.
    Caminhou por ali pensativa com as mãos para trás. Rafael levantou de seu beliche quando ela passou e começaram a caminhar juntos, sem dizer uma palavra. Ela sabia que ele sentia algo por ela, ainda mais naquela idade e com aqueles tempos. Nenhum queria colocar a tona os sentimentos, pois achavam que iriam afetar o resto da 13º Infantaria. Chegaram até a porta do banheiro. O cheiro entrou pelas narinas e revirou o estômago. Sentiu que algo ia subir por sua garganta. Quando Ludivice entrou afoito e gritando. __Tenente! Tenente! Reunião urgente na praça central!     ---Ela correu ao seu encontro, ele passou uma garrafa de Whisky para ela.  __O que houve?  --Ainda meio atordoada do cheiro.
__Reunião urgente. Acho que vamos sair novamente.
__Porque?
__errantes...    ---Seu coração gelou e a garrafa caiu espalhando a bebida pelo chão. Rafael voltou aos camaradas e Começou a apressa-los “Vamos se arrumar! 3 minutos!”   E logo todos do comando começaram a vestir os uniformes. Verificar as armas, reforçar a munição. Esther entrou correndo no quarto, abriu o armário e pegou a Beretta, verificou o pente e enfio a arma no coldre da perna. Saiu apressada para a praça central. Um caos lá fora, correria pra todo lado, chegou na praça e viu o Marechal dando ordens a todos os tenentes que ali se encontravam.  Esther entrou na roda pra ouvir melhor as ordens.  O marechal pegou seu fuzil que estava com um assistente e passou a bandoleira no ombro. Quando o marechal viu Esther disse-lhe:  “13º infantaria! Quero que vá para o oeste! Recebemos uma mensagem codificada de que o 1º infantaria estava encurralado no lado sul da base. Mandamos homens para verificar e ninguém voltou... Temos relatos de atividades no leste no sul no oeste e no norte. As infantarias vão se espalhar por esses perímetros e acabar com aqueles malditos famintos. Eu não quero falhas. Não quero que voltem até achar os outros. Levam mantimentos, armas e munição. Cada infantaria terá na disponibilidade três Humvee e cinco galões de gasolina. Saída em 5 minutos. Boa sorte.”   Todos se dispersaram para se arrumar. Esther correu de volta pro Barracão e gritou pros homens.
 __ Peguem mantimentos todo munição que puderam! Ludivice leve dois homens com você e preparem três Humvee no pátio de carros. E tragam cinco galões de gasolina. Quero todo mundo pronto em 3 minutos!      --- E todos gritaram “Sim Senhora!” e aumentaram o andar da carruagem. Esther correu pra sala e pegou a mochila. Enfiou no fundo a outra roupa amarrou os cadarços do outro coturno na tira da bolsa. Colocou as armas e a munição extra. Pegou mapas e socou na mochila arrancou as fotos dos quadros e dobrou. Escutou os Humvee parando na porta do barracão e os homens formando uma fila indiana na porta esperando a ordem de Esther, que saiu apressada vendo os homens e suas mochilas gordas nas costas. Cada um com um fuzil nos ombros.
 __Senhora estamos prontos!  
__Ótimo! Temos ordens de ir para o oeste. Seja lá o que iremos encontrar vamos continuar na formação pra não perdemos mais ninguém! Levam tudo que acham que tem algum valor... é passagem só de ida camaradas... Quero um bom piloto em cada carro e um navegador experiente! Vamos!     ---Todos começaram a entrar nos Humvee
Ela esperou até todos estarem dentro dos carros, correu arrancou a bandeira do mastro e a amarrou na antena no primeiro Humvee. E entrou no Ultimo deles.  Procurou por Rafael e ele não estava lá.  Sentou ao lado de Ludivice, olhou pra ele, olhou pro barracão, pegou o radio do carro e disse apertando o botão. __Pode seguir.     --- e logo em seguida a resposta com um pouco de interferência “Positivo”. Os Humvees deram partida seguindo para o portão principal.  Entraram na fila indiana de carros e esperaram até a vez de sair. Ficaram ali por uns três minutos e se foram.  O sol já estava se pondo. Quando chegaram até a rodovia BR 116, saindo da base com suas estradas de terra num chacoalhar impossível. Os caras no banco de trás conversavam freneticamente sobre essa saída inesperada. As infantarias se dispersaram cada um pra um rumo diferente, finalmente em pavimentação. Indo em velocidade de 30 kilometros pra poderem desviar das carcaças podres de veículos largados no meio da rodovia. Já era 18h43min e Esther estava com os pensamentos longe e não ouviu o rádio. Ludivice a cutucou dando o radio pra ela. “Tenente? Tenente?” o radio dizia. Apertou o botão e respondeu. “o que houve?” outra resposta “há um caminhão bloqueando a passagem” Interferência. “ Alguma estrada alternativa?”.    “Negativo. O que vamos fazer?”. Esther pensou por um segundo, é obvio que um caminhão não sairia facilmente da frente. Já estava de noite e ficar ali  tentando tirar a carcaça do caminhão seria suicídio. Mas não havia alternativa. Apertou o botão “Vamos passar a noite aqui. Quero que façam uma barricada em volta dos carros. Não saiam da estrada. Sem fogueira e sem barulho.”   E a resposta logo em seguida “Positivo.”  Os Humvee foram posicionados em forma de L, arrastaram carcaças de metal queimados pra formar um quadrado. Todos cansados se sentaram no asfalto frio e esperaram ali naquele cubículo improvisado.
__Ei soldado!   --- Esther chamou. Ele se levantou e correi até ela.  __ Quero que fique de vigia por uma hora... Se ver qualquer coisa não atire. Vamos usar as facas de caça. Depois pode escolher um pra tomar o posto.  --- Ele assentiu e foi se sentar no capo de um Humvee. Caminhou até ao lado de Ludivice e se sentou. O tempo e o asfalto estavam tão gelados que chegava a trincar os dentes. Observou por um momento Rafael do outro lado do quadrado analisando seu fuzil. Notou que Esther o olhava, deu-lhe um sorriso e voltou à analise. Encostou a cabeça na lataria do carro e tentou dormir um pouco, fez uma careta, pois a dor de cabeça tinha voltado para assombra-la. Já se passava das duas da manha, quando Esther sem sono se sentou no capo ao lado do vigia. Pegou uma lanterna e um mapa local, e começou a analisa-los quando percebeu movimentos atrás do caminhão caído.  Acordou os outros sem barulho e se postaram com as facas de caça. Ester pegou seu fuzil e atravessou o quadrado de carros, fez sinal pra dois soldados a cobrir e ficarem alertas nos matagais. O vento gelado estava fazendo pequenos cortes em seus lábios que ardiam com as rajadas fortes. Chegou perto do caminhão e verificou a cabine, e o restante do mesmo. Olhou por um momento para ver o acampamento e decidiu passar pro outro lado com cuidado.  Viu apenas partes da rodovia. Continuou a ouvir os passos arrastados no matagal envolto dela. Notou um Humvee estranho do Exercito parado atrás de uma carcaça de uma caminhonete, as luzes internas acessas e o chacoalhar dos acessórios da farda, pensou em chegar mais perto e viu um homem lançar algo, tempo suficiente para ver as coisas pequenas e redondas vindos ao seu encontro. Correu de volta pro acampamento e foi lançada contra o asfalto por causa das explosões. Olhou para os lados e viu errantes se aproximando do quadrado de carros. E os homens sem controle usando agora as suas armas. Tiros certeiros na cabeça, daquelas coisas mortas e escrotas, uma gosma pendia de suas bocas, as roupas maltrapilhas e manchadas de sangue coagulado, alguns sem membros, se arrastavam por comida, e aquela canção viril de gemidos que ecoavam através dos ouvidos, tudo sempre cheirou a morte. Esther sempre se perguntou como tudo aquilo começou. Eles davam muitas teorias pra isso, a que mais cabia era que um vírus mortal tinha sido roubado de um centro de vacinas, e desde que o paciente zero espalhou a tal morte no Texas, o mundo passou a ser de carne e sangue. Esther colocou a mão no abdômen por causa de uma dor aguda e viu um grande pedaço de vidro encravado nela. O sangue tomava conta. Levantou-se cambaleante, e caminhou para o abrigo. Alguns errantes vieram ao seu encontro, passou o fuzil no ombro, e empunhou a Beretta. Atirou em pelo menos 5 cabeças. Estava perdendo muito sangue e agora com o esforço perdera muito mais. Ludivice gritou pros homens “Entrem nos carros! Feridos no segundo carro!”. Ajudaram Esther a entrar no Humvee e ao poucos entraram nos carros. Exaltados ficaram ali por uns minutos pensando com os olhos arregalados o que fazer.  Os mortos batiam freneticamente na lataria tentando abrir. Outra explosão do caminhão fez alguns errantes virarem churrasco.  Esther percebeu que Rafael segurava sua cabeça e um pano no abdômen. Ela escutava sua voz dizendo “Fica comigo! Fica acordada!” Mas a voz dele estava ficando cada vez mais longe. Até que a escuridão tomou seus olhos.

Continua...



Autora: Agatha Ribeiro

Idade: 18 anos

Localidade: São Paulo

Redes Sociais:  Facebook

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Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Mais, quero mais! Gostei da história. Que venha a continuação logo!

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  2. Alexandra fico feliz que tenha gostado da 1° parte *---* a continuação esta no forno ... ^^

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  3. Adorei também. Quero só ver a bala comer na próxima parte. \0

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  4. Ótimo conto. Muito bom mesmo ^_^

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