Tecnologia do Blogger.

18/04/2018

Brasília que escrevo

Olá, queridos leitores da Academia! Como estão? Hoje trago para vocês mais um evento que orgulhosamente a Academia faz parte. Mas antes de tudo, quero perguntar uma coisa para vocês: quantos autores brasilienses você conhece? Um? Dois? Três? Nenhum? Pois saibam que existem VÁRIOS e vamos apresentar alguns para vocês no evento "Brasília que Escrevo".


O que é?



O evento Brasília que Escrevo volta seus olhos para os escritores protagonistas de uma cena literária brasiliense em expansão. É uma iniciativa dos blogs Academia Literária-DF , Leitora Sempre e Ponto Para Ler em parceria com o Sesc-DF que objetiva dar voz e ser uma vitrine para aqueles(as) brasilienses – naturais ou de coração – que escrevem sobre ou ambientam suas histórias na Capital Federal.
Em um bate-papo descontraído, quatro escritores(as) convidados(as), sob a mediação de um colega de profissão, apresentarão suas próprias obras e debaterão a produção literária local, seguido de uma oportuna sessão de autógrafos para estreitar ainda mais os laços entre escritores e leitores.
Sendo aberto ao público, trata-se de uma oportunidade ímpar de conhecer ou rever os talentos da capital, e promover a troca de ideias sobre a Literatura Nacional como um todo e sobre a produção local especificamente, mostrando que a história de nossa Literatura não se encontra apenas no passado, mas que segue viva, crescendo e se reinventando em cada canto desse nosso país.


Autores convidados


Mediador: Daniel Barros 

Sessão 1 (10h00) 
  • Paulliny Gualberto Tort
  • Bruno Bucis

Sessão 2 (15h30)
  • Beatriz Leal 
  • Roberto Klotz

Importante: Algumas pessoas podem estranhar a data do evento (uma segunda-feira), então acho pertinente explicar que este evento é uma das muitas parceiras que nos estamos fazendo com o Sesc com o intuito de atingir diversos públicos e neste caso em específico são os estudantes. O evento é uma iniciativa que o Sesc ofereceu as escolas EDUSEC e RENAPSI, logo, temos de respeitar a demanda dos horários de aula dos alunos e por este motivo o evento será realizado no meio da semana. Porém, nada impede a participação da comunidade. Estão todos convidados, a entrada é gratuita!

Quando?


Dia 23 de Abril (Segunda)

Onde? 


Sesc Presidente Dutra (Setor Comercial Sul)

Mapa:




Esperamos por vocês, leitores! 

Até a próxima ;)

Leia Mais ►

17/04/2018

RESENHA – A Fortaleza: Mundo Sombrio (Day Fernandes)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: FERNANDES, Day. A Fortaleza - Mundo Sombrio. 2ª edição. Brasília, Edição do autor, 2017. 312 páginas.
Gênero: Sci-fi distópico
Temas: Apocalipse, guerra nuclear, sobrevivência
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2017
Série: A Fortaleza - Mundo Sombrio (Vol.1)









“Com o advento das descobertas nucleares, o homem condenou a si mesmo e a seu próprio mundo, contaminando tudo o que existia na superfície terrestre. Milhares de pessoas morreram. Outras centenas continuam morrendo com os efeitos tardios da radiação.
Depois da destruição da superfície, a população mundial foi reduzida a menos de um terço, mas, antes do fim, os esforços de todos os países haviam sido para concentrar a população sobrevivente em complexos estruturais no interior do planeta. Esses lugares são conhecidos como Fortalezas.”
*A Fortaleza – Mundo Sombrio (pág. 9).

                2070
                Vinte anos haviam se passado desde que o mundo testemunhou sua primeira e última guerra nuclear. A vida na terra havia sido erradicada pelas bombas e a humanidade quase foi extinta. Aqueles que sobreviveram agora habitavam gigantescos complexos estruturais subterrâneos conhecidos como “As Fortalezas” e nelas a raça humana tenta sobreviver a extinção completa.
                Na Fortaleza de n°7, um império regado a sangue se ergueu. Nesse mundo cruel vive Camille, que ao herdar de seu pai a posição de líder de um grupo de rebeldes, acaba por descobrir segredos terríveis após salvar um desconhecido em uma missão de resgate. Nem mesmo os diários de seu falecido pai poderiam prepará-la para o que estava por vir. A luta pela sobrevivência estava para começar.
A Fortaleza – Mundo Sombrio é uma obra de ficção distópica escrito pela autora Day Fernandes. Na história somos apresentados a Camille, uma jovem líder de um grupo de rebeldes que se opõe a tirania do governador da Fortaleza n°7. O mundo havia sido arrasado por uma guerra nuclear que devastou a superfície tornando (até onde se sabe) a sobrevivência da vida impossível. Porém, antes do Juízo Final (não, não teve Skynet, foi a burrice humana mesmo que acabou com tudo), vários países se uniram em um esforço conjunto para garantir a sobrevivência da espécie humana.
No mundo de Camille, as pessoas sobreviviam em enormes complexos chamados de “Fortalezas”, cujo controle estava nas mãos dos sentinelas e seu tirano governador, que decidiam sobre a vida das pessoas com base naquilo que elas poderiam “contribuir” para a sobrevivência da comunidade. Coloquei entre aspas porque aqueles que, de acordo com os critérios dos que governavam, não detinham níveis de inteligência suficientes para desempenhar funções intelectuais ou habilidades manuais úteis eram subjugados a escravidão. Essas pessoas eram forçadas a servir e realizar tarefas hediondas e até mesmo podiam ser vendidas, tal como já foi feito no passado.

“[...] Os escravos eram enjaulados, amarrados e obrigados a realizar todos os tipos imagináveis de trabalho. Muitos eram vendidos e até mesmo dados de presente, como se fossem objetos ao invés de pessoas”.
*A Fortaleza – Mundo Sombrio (pág. 19).

É nesse mundo cruel para os mais frágeis que Camille vive e luta contra. Seu pai foi um dos primeiros a questionar os métodos do governo e logo apareceram outros simpatizantes. Após sua morte, a jovem herdou do pai seus ideais, não só porque aquela era uma herança, mas também porque a jovem era destemida e tinha um extraordinário espírito de liderança. Sua primeira investida contra o governo foi logo após o trágico assassinato de seu irmão nas mãos do próprio governador. E ela, com o apoio de seus amigos, tramou um ataque para libertar escravos que eram mantidos em cativeiro num local conhecido como “castelo da morte”. Ao libertá-los, acabou por torna-se aos poucos uma espécie de líder para aquelas pessoas perdidas e desamparadas que passaram a admirá-la e a respeitá-la. O grupo de rebeldes logo ficou conhecido por suas façanhas como “Fantasmas das Sombras”.
               E foi em uma missão dos Fantasmas que tudo mudaria: o plano de Camille e seus amigos era encontrar e libertar rebeldes que haviam sido capturados em uma missão que havia falhado. A missão foi um sucesso, porém com um adicional: havia outro prisioneiro no complexo. Um homem que ela não conhecia e que não tinha a aparência e o porte de um escravo. Seu ímpeto de ajudar o próximo não a deixou seguir com o plano e arriscando o próprio pescoço ela conseguiu a muito custo libertar e fugir com o desconhecido para logo descobrir que ele era muito mais que um simples prisioneiro.

O mundo de Camille foi destruído por bombas nucleares 

                Quem acompanha minhas resenhas sabe que tenho uma quedinha por mundos apocalípticos (os livros do Rodrigo de Oliveira que o digam) e foi com muito entusiasmo que comecei a ler o livro da Day. Embora tenha aquela mesma premissa que estamos acostumados a ver por aí (humanos ferrando com tudo), ela imprimiu certas peculiaridades em sua obra. Por exemplo, na maioria das histórias que li a respeito, as pessoas comuns não estavam cientes de que o mundo acabaria. Aqui sabiam e vivam com medo que uma guerra eclodisse. E como consequência desse temor, países fizeram um esforço em conjunto gigantesco para construir as Fortalezas. E minha nossa, que lugarzinho grande. As Fortalezas medievais, aquelas que vemos em filmes e livros de história são casas se comparadas a estrutura gigantesca criada pela autora.. Ir de um ponto a outro pelo subterrâneo eram jornadas que poderiam levar dias devido a distância. Imagina o tamanho desse lugar.

“- Acha que vamos levar quantos dias para chegar até lá? – perguntou Adam.
Will voltou a prestar atenção no que estava fazendo e deixou as preocupações de lado.
- Depende. Se tudo correr sem problemas, uns cinco dias de caminhada. Mas isso é quase impossível – respondeu.
- Foi o que pensei. Esses túneis são imensos – constatou o rapaz.
- E perigosos – completou Will. –  Tenha cuidado para não se perder ”.
*A Fortaleza – Mundo Sombrio (pág. 89).

Quatro aventureiros da Fortaleza decidem enfrentar a tirania de seus governantes
               
                Falando da história: apesar do tom de urgência com que a obra começa, já com uma missão de resgate, pra mim a narrativa se desenvolveu de forma meio morna. Sei que aquele era o momento de apresentação dos personagens, mas a leitura para mim não fluiu direito. Ao menos até a saída do grupo da capitã (como Camille era chamada por alguns) para o centro nervoso da Fortaleza a fim de ajudar o homem misterioso a recuperar suas lembranças, perdidas por algum motivo. Aí sim as coisas começam a ficar interessantes, com Camille descobrindo que a Fortaleza esconde mais segredos do que ela supunha, instigando o leitor a seguir em frente na leitura e descobrir junto aos personagens o que estava escondido atrás das cortinas.
                É interessante notar o quão fortes e destemidas são as mulheres da obra. Não só na liderança de Camille, mas também na habilidade de Sarah e a pontaria certeira de Eleonor. Em um texto no qual a autora fala sobre a representação feminina na ficção científica (recomendo demais a leitura neste link), podemos ver o quão grande é o abismo que separa as referências do gênero em ambos os sexos. Não só autoras (conte aí nos dedos quantas você conhece), mas também quanto às personagens. Vou deixar um trechinho do texto para vocês entenderem melhor:

Como leitora e autora de scifi, no momento em que decidi colocar minha obra “A Fortaleza: Mundo Sombrio” no papel, eu soube que o grande destaque estaria nas mulheres da história. Eram elas quem salvariam o planeta, quem lutariam nas linhas de frente, quem comandariam exércitos, e ainda assim se apaixonariam, se sacrificariam, sofreriam, cometeriam erros e acertos, como toda e qualquer pessoa. Eu queria personagens reais. Contudo, mais do que isso, eu queria mostrar a força feminina em pé de igualdade com a masculina. Mulheres fortes que mantêm sua essência”.

Então só posso deixar aqui meus parabéns para a autora por escrever uma obra com mulheres tão fortes e decididas, mas que ao mesmo tempo são tão frágeis e sensíveis, que estão ali para fazer a diferença e não apenas ser um rostinho bonito para ser cortejada por homens (nada contra quem gosta desse tipo de situação, por favor!). Apenas acho digno ver algo diferente. Ver um pouco de representatividade feminina nas histórias é bom.
E por fim, devo destacar a reviravolta do clímax. Obviamente não darei spoilers, mas achei muito legal a forma que a autora nos leva a crer uma coisa para mostrar outra completamente diferente. Ela não estava brincando quando disse na sinopse que a missão de resgate de Camille mudaria não só o destino dela, mas o da raça humana inteira.
Como crítica eu tenho duas: alguns acontecimentos na trama aconteceram rápido demais e deveriam ter recebido uma atenção a mais da autora. Tomo como exemplo algumas desavenças que alguns personagens tinham uns com os outros. Outro exemplo é em relação ao clímax. Como disse, teve aquela reviravolta de explodir mentes com a revelação dos segredos da Fortaleza. Ali merecia um desencadeamento mais detalhado do como isso impactou na vida dos seus habitantes. E a outra é que algumas falas dos personagens eram, como posso dizer, rasas demais. Quase mecânicas. Não consigo externar isso em palavras, mas pensem num robô tentando por profundidade em frases pré-programadas. É mais ou menos isso. Porém, acredito que a autora tem muito potencial para entregar a seus leitores uma história ainda mais densa e rica em detalhes no próximo volume que acredito eu, deve estar para chegar.



                O livro é narrado em primeira pessoa. A história linear acompanha as façanhas de Camille e seu grupo de renegados, com flashbacks pontuais que explicam alguma passagem específica da obra. E apesar da história se concentrar nas ações da protagonista, a autora separa alguns momentos para dar foco aos personagens coadjuvantes, como Will e Sarah. Os personagens se desenvolvem bem ao longo da trama. Só acho que alguns diálogos ficaram muito rasos e vez ou outra havia uma carga dramática excessiva nas ações deles. Afora isso curti o modo como à autora trabalhou com os personagens, em especial, com as mulheres.
                A revisão pecou um pouquinho, encontrei uns errinhos que não deveriam aparecer justamente por essa ser uma segunda edição da obra. Porém, não é nada que estrague a leitura. Apenas falta de atenção mesmo. A diagramação (especialmente se comparada com a edição anterior) está ótima e como dito na capa, a edição que eu li é a que contém ilustrações (bem legais, por sinal) feitas pela ilustradora Eliana Trujillo.
  E temos um mapa! Vocês sabem que eu sou o louco dos mapas e fiquei contente de ter um nessa obra. E ele me lembra bastante os desenhos de dungeons que eu fazia quando jogava RPG com os meus amigos. Cada corredor um encontro aleatório diferente… (divagando aqui). A capa também é bem legal e chama atenção pela fonte estilizada. Ao todo são 25 capítulos, divididos em três partes, mais o prólogo, epílogo, um extra. No final do livro temos duas páginas dedicadas à cronologia de eventos (tomem cuidado com ela, há spoilers!) e no final os agradecimentos da autora.

Parte do mapa que mostra o complexo gigantesco que é a Fortaleza.

                Day Fernandes tem 26 anos, é psicóloga e escritora, casada e natural da cidade de Brasília-DF. Apaixonada por romance, ficção científica e teorias da conspiração, começou a escrever aos treze anos, criando histórias em quadrinhos. No final de 2015 deu início à sua carreira profissional na literatura através da plataforma Wattpad, lançando o romance intitulado “A Fortaleza: Mundo Sombrio”. Em pouco mais de seis meses, a obra alcançou mais de oito mil leituras. Dayanne também adora escrever contos e possui publicações em antologias diversas, nos gêneros de terror, sci-fi, suspense, romance e fantasia.
                Devo começar recomendando essa obra para aqueles que, assim como eu, não veem a hora do apocalipse começar, gostam de histórias onde a humanidade é levada ao extremo para continuar existindo. A leitura é leve, então recomendo também para quem quer começar a explorar esse tipo de narrativa.
             Agora vamos à recomendação dos nacionais: Day é uma ótima representante da literatura Sci-fi (quantas mulheres você conhece que escreve esse gênero?). O livro dela é independente, ou seja, não tem o selo de editora. Então se já é complicado vender com uma editora que tem uma logística por trás, imagina para esse pessoal que faz de tudo um pouco para seu livro chegar na mão dos leitores. Então se você curte esse tipo de leitura, vale a pena ter essa obra na sua estante.
  E sim, teremos uma continuação. O final do livro deixou MUITOS questionamentos no ar e um gancho com várias possibilidades. A história de Camille continuará em um lugar que nem mesmo eu tinha imaginado enquanto lia o livro.
Corra para ler, antes que as bombas comecem a cruzar o céu e seja tarde demais... 


Bibliografia de DAY FERNANDES (ordem cronológica):

Livros:
  • A Fortaleza - Mundo Sombrio – Edição do autor (2017).
  • Uma ilha no Atlântico – Edição do autor (2018).

Contos:
  • Sob a Minha Pele – Edição do autor (2017).
  • Os Opostos Se Distraem Editora Sekhmet (2017).
  • Visões Noturnas – Edição do autor (2017).
  • A Segunda Face do EspelhoDarda Editora (2016). 

Antologias
  • O Hospício de Muskov – Editora Wish (2017).
  • Valquíria – Editora Darda (2016).
  • Abduções e outros contos – Editora Young (2017).

Leia Mais ►

14/04/2018

RESENHA - Ordem Vermelha: Filhos da Degradação (Felipe Castilho)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: CASTILHO, Felipe. Ordem Vermelha - Filhos da Degradação. 1ª edição. Rio de Janeiro, Editora Intrínseca, 2017. 448 páginas.
Gênero: Fantasia Distópica.
Temas: Fantasia, deuses, conspirações.
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2017
Série: Ordem Vermelha - Filhos da Degradação (Vol. 1)








“A espada balançou na mão dele como se fosse uma pluma. O kaorsh gritou em desafio e o atacou, golpeando de cima para baixo e atingindo a lâmina do forasteiro, que atravessou o cabo da arma do soldado e, no mesmo movimento, arrancou metade de sua cabeça.
O sangue espirrou no capuz vermelho do homem, que seguiu na direção dos outros soldados – mais precisamente, na direção do vão que havia sido aberto na parede de escudos.
Girando a espada num golpe lateral, ele fez os soldados recuarem às pressas. Com isso, avançou num passo ágil para dentro da clareira aberta no meio dos inimigos. Qualquer outro oponente evitaria ficar cercado por quase duas dezenas de homens armados, mas aquele parecia querer justamente isso.”
          *Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (pág. 16).

                Aos pés do monte Ahtul, ao lado dos Grandes Pântanos está localizada a última região habitada no mundo: Untherak. A cidade é habitada por humanos, Kaorshs, gigantes, anões, gnholls e sinfos. Todas essas raças vivendo com o único propósito de adorar Una, a deusa unificada que controla tudo com mãos de ferro.
                Por milênios as raças coexistiam em relativa paz até o dia que a Kaorsh Yanisha descobre um terrível segredo que poderia abalar as estruturas do Palácio e consequentemente de toda Untherak. Junto com sua esposa, Raazi, ela arquiteta um plano corajoso mas também arriscado que poderia ceifar sua vida e de sua amada, tendo como palco o famigerado Festival da Morte. 
              Foi por causa desse festival que Aelian perdeu o pai. O jovem teve de aceitar a servidão bem cedo e mesmo tendo perdido tudo, nunca se esqueceu de como é ter uma família. Com o retorno do torneio ele se tornará não só testemunha dos acontecimentos que mudarão tudo para sempre, como também descobrirá que tem um papel muito importante no novo mundo que está para ser revelado.

Da esquerda para a direita: Raazi, Aelian e Una

             Ordem Vermelha – Filhos da Degradação é uma obra do autor Felipe Castilho, com cocriação de Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa. Na história somos apresentados ao jovem Aelian Oruz, um rapaz esperto e corajoso que trabalha desde a infância no Poleiro para quitar uma dívida de família. Isso se deu após seus pais tentarem garantir a semi-liberdade do garoto, mas ao perderem suas vidas, o condenaram a começar seus anos de servidão a soberana Una mais cedo.

“[...] Com a melhor das intenções, os pais de Aelian apostaram tudo e condenaram um garoto de seis anos a começar mais cedo as obrigações que tinha com a soberana. E aquele menino jamais imaginaria o quanto as apostas fariam parte de sua vida dali em diante”.
*Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (pág. 22).

                Paralelamente à história de Aelian, somos apresentados a Kaorsh Raazi e sua esposa Yanisha. Essa última serviu no Palácio de Una durante muitos anos e lá descobriu algo terrível que assombrou seus pesadelos até o momento em que decidiu, junto de Raazi bolar um plano para revelar a todo o povo de Untherak o que descobriu. E seu plano envolvia a participação das duas no Festival da Morte.

- Eu pensei que soubesse. O que você acha que vai acontecer depois que mostrarmos a verdade? A união de todos? Um levante? Que consciência será despertada em pessoas como essas? – perguntou, apontando para o que restava da casa.
Yanisha demorou olhando para o lugar que Raazi indicava. Parecia mais interessada no contraste da mão dela diante da luz das chamas do que no fogo em si.
- Nós somos as fagulhas que darão início à fogueira. Talvez o vento nos sopre para longe, talvez possamos iniciar um incêndio. – Ela segurou o rosto da esposa nas mãos. O calor entre as duas era mais poderoso que aquele que obliterava seu antigo lar. – Como fagulhas, o que fazemos de melhor é brilhar. Queimar.
*Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (pág. 87).

                Mas antes de tudo isso, o autor nos leva em algum ponto no futuro. Nas páginas de cor negra somos apresentados a um homem de manto vermelho e espada gigante que adentra em uma Untherak entregue à miséria (como se aquele pedaço de mundo já não fosse miserável o bastante) derrotando todo mundo que ousasse cruzar seu caminho. E aqui vale uma curiosidade: enquanto lia sobre esse misterioso homem que vestia um manto vermelho e rodopiava uma imensa espada que fatiava na força bruta tudo que tocava, não conseguia parar de pensar que ele se parecia com o Gutz, do Mangá/Anime Berserker.
Um cara com uma capa, espada gigante, dilacerando inimigos. Impossível dar errado 💀

Claro que fui tirar a dúvida com o autor, que me confirmou que o homem era uma clara referência ao Espadachim Negro. Esse homem que veio da Degradação (como se já não fosse absurdo o suficiente usar um manto da cor proibida) tinha alguma relação com a cidade, já que ao abordar um mendigo fez perguntas como se ele já tivesse vivido ali antes. E devo dizer que esse trecho foi uma “maldade” à parte do autor, já que os momentos onde esse personagem aparece são muito distantes um do outro e quando finalmente descobrimos quem é ele… o livro acaba. Sim, acaba. Já aviso logo para poupar vocês do choque. Cadê a segunda edição, senhor Castilho? (rsrs)
Essa não é a única referência que pude encontrar na obra. Aelian não é só um jovem esperto, ele também é um exímio escalador que vive saltando de prédio em prédio para dar suas escapadas. E logo no começo do livro é dito que há um assassino em Untherak que usava um capuz pontudo e assassinava seus inimigos com setas envenenadas… para quem não pegou essa, eu explico: são qualidades, por assim dizer, dos assassinos em Assassin’s Creed. Existem outras mais sutis, mas vou focar só nessas duas porque senão farei uma resenha só com referências legais.
E o que falar desses personagens únicos? Cada novo personagem apresentado na obra enriquecia ainda mais a experiência de leitura. Adoraria falar sobre cada um deles aqui, mas essa resenha ficaria enorme. Dos personagens centrais aos personagens mais secundários, todos têm algo interessante para acrescentar à narrativa.

Artes conceituais dos personagens. Obs: Eu imaginava o Aelian bem mais jovem que isso.
O livro também fala de um novo mundo que é a cidade de Untherak. A obra toda se passa dentro das muralhas da cidadela, pois todos aprendem desde cedo que não existe vida na Degradação. E por intermédio dos personagens somos apresentados a localidades como o Miolo, os assentamentos (uma alegoria às favelas), o Pâncreas de Gifro (não podem faltar tavernas em histórias de ficção fantástica), a Arena de Obsidiana onde ocorre o Festival da Morte, entre outros.
E como este é um mundo novo, existem certas peculiaridades interessantes, como por exemplo a proibição da cor vermelha. Nada em Untherak poderia ser representado por essa cor. As pessoas eram ensinadas a bater na testa três vezes ao verem essa cor a fim de se proteger do “Mal Rubro”. Existe também a Mácula. De acordo com a lenda, a Mácula é o sumo do Sol que a Deusa Una escureceu durante a criação de Untherak. Para os humanos, a Mácula era sentença de morte, mas para Kaorshs, anões e sinfos ocorria o efeito de batismo. Os batizados se tormam criaturas selvagens. Armas também poderiam ser batizadas na Mácula e então passavam a ter dois efeitos sobre suas vítimas: o primeiro, era que o ferimento provindo de uma arma maculada não vertia sangue, já que ela era capaz de cortar e cauterizar preenchendo na mesma hora o ferimento com seu resíduo; o segundo era que os ferimentos não agrediam (tanto) a integridade física da vítima. Ou seja, o método de castigo perfeito.     

“A dor causada por uma arma batizada era singular, pois continuava se fazendo presente por dias sem retirar a integridade física mínima necessária para que o castigado continuasse com suas funções a serviço de Una. Uma punição que não prejudica a produtividade é o sonho de um sistema que depende de esforço e de mão de obra barata – e, caso o servo merecesse uma pena mais definitiva, sempre haveria o banho de Mácula.
*Ordem Vermelha – Filhos da Degradação (pág. 61).

                É interessante notar que, mesmo a história sendo situada em um mundo fictício com suas próprias regras, o autor deu um jeitinho de inserir questões muito presentes na nossa sociedade como, por exemplo, o preconceito, a identidade de gênero e o analfabetismo como forma de controle da massa. Como dito anteriormente, a Kaorsh Raazi tinha uma esposa chamada Yanisha. Nem preciso dizer que grande parte dos homens que topam com as duas fazem todo tipo de gracejo… para se arrependerem amargamente depois. Em dado momento somos apresentados ao personagem  Ziggy, da raça dos Sinfos, raça essa que em geral não se identificavam com um sexo, já que eles eram assexuados e hermafroditas, transitando facilmente entre os dois gênero… ou além. E a habilidade de ler era um benefício concedido apenas ao alto escalão do governo de Una. Obviamente que com isso era muito mais fácil controlar as pessoas. Afinal, o vencedor é aquele que conta a história. Existem muitas outras curiosidades, porém vou deixar para vocês descobrirem.
Tenho só uma ressalva quanto ao desenrolar da história: em determinado momento, os heróis renegados começam a realizar uma série de ataques ao sistema tirânico de Untherak, destruindo pontos sensíveis para o controle da cidade a fim de promover o caos e desmascarar aqueles que estavam por trás de tudo de ruim que acontecia. Senti falta de uma narrativa que mostrasse de forma mais direta as implicações desses ataques, dizendo, por exemplo, o que os manda chuvas de Untherak fizeram para dar o troco, mas apenas depois de cinco meses de ataques que o narrador mostra o tal contra ataque. Sei que é mimimi meu, mas seria interessante ver o desenrolar desses fatos na narrativa.
                Essa foi a minha primeira experiência com o autor Felipe Castilho, este que conheci na Bienal de 2015 e vivo encontrando nas bienais e CCXP da vida. Tenho de dizer que tive uma experiência maravilhosa com o primeiro contato. A história que Felipe (e os cocriadores, não podemos jamais retirar o mérito de cada um) criou é sensacional e serve para exemplificar que nossa literatura fantástica tem muito potencial para conquistar a atenção do leitor de igual para igual com os títulos que vem de fora do país. Tanto é que este livro é uma parceria de seus criadores, da Intrínseca e da CCXP (sim, isso mesmo que você leu). Ordem Vermelha – Filhos da Degradação é o primeiro “produto” oficial do evento e a divulgação em cima dessa obra foi simplesmente monstruosa. Quem esteve no evento sabe bem. Para aqueles que não estiveram presentes, saibam que a Intrínseca montou um Stand temático para a obra e por todo lado tinha banners gigantes promovendo o livro. É ou não é para ficar orgulhoso do trabalho produzido aqui no Brasil?

Que tal esse painel especial para o lançamento da obra na CCXP? Créditos: Mundo Estranho
Vou parar por aqui, porque senão vou me estender demais na resenha e, embora eu tenha muita coisa para contar sobre esse espetacular novo mundo criado por mentes incríveis, vou deixar que vocês, leitores, tirarem suas próprias conclusões. 
A obra é narrada em terceira pessoa e se foca em três núcleos: a de Aelian, a de Raazi e Yanisha e a do espadachim misterioso. Em algum momento da narrativa os dois primeiros núcleos se misturam, enquanto que o último permanece isolado até o final, onde as pontas que ligavam passado, presente e futuro se conectam. E por falar nisso, a história se desenrola de forma linear, mas em certos momentos o narrador volta ao passado para contar fatos marcantes de alguns personagens, principalmente a de Aelian e sua relação com o Festival da Morte. Acontecimentos no futuro também são abordados, narrando o que o misterioso homem encapuzado está planejando ao adentrar em Untherak. E embora Aelian seja o personagem principal, a história não foca apenas nas ações do falcoeiro. Ela abre muito espaço para o rico desenvolvimento de outros personagens que são, assim como ele próprio, peças chave na trama.

Mapas... como eu adoro mapas 


                A revisão está excelente, um errinho ou outro que encontrei. A Intrínseca caprichou demais na diagramação desse livro, com exceção da localização do mapa (imagem acima). Poxa, colocar o mapa no meio do livro foi sacanagem. Pode ser chatisse da minha parte, mas seria mais interessante deixar o mapa próximo do glossário, facilitaria a pesquisa. E por falar nele, obrigado por existir! Sentiu-se confuso com alguma localidade, algum nome? Vai lá no glossário e seja feliz. Só tome MUITO cuidado, pois o deixaram do lado do diabo da última página do livro. Uma espiadinha para o lado e BAMMM, já era (sério, SPOILER daqueles de tirar a sanidade de uma pessoa). A capa é uma maravilha a parte, daquelas que você poderia facilmente comprar sem nem saber do que se trata a história. Ela foi feita pelo ilustrador Rodrigo Bastos Didier. O livro possui um site oficial que vocês podem dar uma espiada pelo link. Lá vocês podem encontrar o mapa e ilustrações dos personagens.
Felipe Castilho descansa da escrita de livros escrevendo roteiros. Autor da série O Legado Folclórico, composta pelos livros “Ouro, Fogo & Megabytes”, “Prata, Terra & Lua Cheia” e “Ferro, Água & Escuridão”, também escreveu “Savana de Pedra”, finalista do Prêmio Jabuti 2017 na categoria História em Quadrinhos. Mora em São Paulo, onde gosta de visitar lugares chiques usando chinelos.
A Ordem Vermelha – Filhos da Degradação é uma obra que fala sobre escolhas e suas consequências. Sobre viver na sombra da ignorância ou resistir à opressão. Sobre perdas e vitórias. Sobre confiança e traição. Sobre segredos enterrados e verdades terríveis. E principalmente sobre esperança de um futuro melhor. Uma obra de fantasia nacional que eu recomendo fortemente aos fãs do gênero. Existem muitos elementos interessantes que podem encher os olhos dos leitores. Além de ser um livro muito bem escrito, cheio de cenas fortes, personagens carismáticos, batalhas intensas e reviravoltas de cair o queixo, existe todo um universo novo que poderia muito bem migrar para outras mídias (como jogos de RPG, Action Figures, Card Game…). Se você também é fã de leituras que falam sobre mundos distópicos e regentes tiranos, esse livro é uma ótima pedida.
E vou deixar aquela recomendação que sempre faço quando resenho nacionais: apoie a produção de obras nacionais. Nem precisa ser só de fantasia, mas como um todo. Tem muita gente fera por aí que merece estar na sua estante. E o Felipe com certeza é um deles.
O livro terá uma continuação. Há muitas pontas soltas ainda para serem explicadas, muito material introduzido nesse volume que pode ser ampliado no próximo. E só de lembrar daquele final...
Maldito final.
Daqueles que você quer tacar o livro pela janela, mas só porque não têm o segundo volume em mãos.
Maldito Castilho.
Todo sucesso do mundo para você! HAHAHA


Bibliografia de NOME DO AUTOR (ordem cronológica):


Livros:
  • Ouro, Fogo & Megabytes – Gutenburg (2012).
  • Prata Terra & Lua Cheia – Gutenburg (2013).
  • Ferro, Água & Escuridão – Gutenburg (2015).
  • Savana de Pedra – Editora Alto Astral (2017).
  • Ordem Vermelha - Filhos da Degradação – Editora (2017).



Leia Mais ►

13/04/2018

Rede Sesc de leituras promove a "Arte da Palavra"

Olá, queridos leitores! Como estão? Hoje trago para vocês um evento muito legal que irá rolar no Sesc do Setor Comercial Sul (sim, o mesmo onde realizamos o Literatura por Mulheres). Trata-se da "Arte da Palavra". Vamos saber o que é esse evento no post de hoje 😉.


O que é?


A Arte da Palavra é um projeto realizado pela rede Sesc de leituras que tem como objetivo promover a literatura no Brasil. Nesse projeto estão o Circuito de autores, que irá promover bate papo com autores de diversos estilos. Também será realizado o Circuito de oralidades, que reunirá manifestações como narrações de histórias, saraus, performances e slam poetry (modalidade da poesia falada em formato de batalha de versos) e o Circuito de criação literária, que contará com oficinas para aspirantes a escritores. Na próxima terça (17/04) teremos no circuito de autores, os autores convidados Clarissa Macedo (BA) e Luiz Silva (SP). A entrada é GRATUITA!


Quando?


Dia 17 de Abril (terça), às 19h30

Onde? 


Sesc Presidente Dutra (Setor Comercial Sul)

Mapa:



Esperamos por vocês, leitores!

Até a próxima ;)


Leia Mais ►

10/04/2018

RESENHA – Trono de Vidro: Coroa da Meia-Noite (Sarah J. Maas)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MAAS, Sarah J. Trono de Vidro: Coroa da Meia-Noite. 1ª edição. Rio de Janeiro, Galera Record, 2014. Tradução: Mariana Kohnert. 312 páginas.
Gênero: Romance, fantasia, ficção infantojuvenil
Temas: assassinato, magia, guerra, lealdade
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Americana
Ano de lançamento: 2013 no exterior e 2014 no Brasil
Série: Trono deVidro (Livro 1), Trono de Vidro: Coroa da Meia-Noite (Livro 2), Trono de Vidro: Herdeira do Fogo (Livro 3), Trono de Vidro: Rainha das Sombras (Livro 4), Trono de Vidro: Império de Tempestades – Tomo 1 (Livro 5), Trono de Vidro: Império de Tempestades – Tomo 2 (Livro 6).







“Mais que qualquer um já a amou. Ele a amava o suficiente para arriscar tudo – para desistir de tudo. Ele a amava tanto que Celaena ainda sentia os ecos daquele amor, mesmo agora.”
Trono de vidro: Coroa da Meia-Noite – Livro 2. (posição 784 - E-book via – Amazon )

Queridos leitores, este é o segundo livro da série “trono de vidro”. Como a história é uma continuação da primeira, sugiro que não leiam os livros de forma separada. Além disso, se você não leu o primeiro, sugiro que não leia esta resenha, pois ela contém spoiler.
O último livro termina com a Celaena Sardothien nomeada a campeã do rei, sendo que a sua função era não fazer perguntas, apenas obedecer as ordens do rei – que sempre era matar alguém que não agrava ao rei –, afinal, sua liberdade dependia disso.
Como campeã, ela passou a ter algumas regalias no castelo, já que a sua patente só era inferior ao do capitão da guarda, o Chaol Westfall.
Após algum tempo, o rei informou que existia um movimento rebelde na cidade para derrubá-lo do poder. Por isso, a sua próxima missão seria matá-los, começando pelo Archer Finn, que, para a infelicidade da garota, era um grande conhecido seu.  
Ainda mais, ela deu um fim no seu romance com o príncipe Dorian, pois percebeu que por mais que gostasse dele, os dois nunca poderiam ter um final feliz. Ao longo da história, ela também percebeu que, na realidade, o que sentia pelo rapaz era um grande amizade e um grande carinho. Ela também percebeu que o seu coração sempre bateu mais forte pelo capitão e que todas as suas ações sempre giravam em torno dele.
Quando eles se permitiram vivenciar o amor, eles se tornaram um lindo casal apaixonado, até que um grande segredo foi revelado e que abalou a confiança que existia entre eles. 
Infelizmente, esse segredo (que até agora estou de boca aberta) vai impactar na vida de muitos, principalmente em como a Cealena, o Chaol e o Dorian vão lidar com essas descobertas.
Confesso que achei o início do livro um pouco lento, mas depois as coisas foram acontecendo tão rapidamente que eu não consegui me controlar, devorei o livro em apenas dois dias.
A autora do livro, Sarah J. Maas, vive no sul da Califórnia, gosta dos filmes da Disney e de música pop. Ela adora contos de fadas e balé, bebidas de café, e assistir programas de TV. Quando ela não está ocupada escrevendo romances de fantasia Young Adult, gosta de explorar a costa da Califórnia.
O livro possui 56 capítulos, e é narrado de forma linear cronológica e em terceira pessoa pelo ponto de vista da Celaena, do Chaol e do Dorian. Além disso, no início do livro é disponibilizado um mapa dos reinos, para podermos nos ambientar com as divisões geográficas de Erileia.
Estou muito ansiosa para ler o que vai acontecer no próximo livro, “Herdeira do Fogo”, que foi lançado aqui no Brasil em 2015.

Bibliografia de Sarah J. Maas (ordem cronológica):
Livros:
  • Trono de Vidro – Galera Record (2013)
  • Coroa da Meia-Noite – Galera Record (2014)
  • Corte de Espinhos e Rosas – Galera Record (2015)
  • Herdeira do Fogo – Galera Record (2015)
  • A Lâmina da Assassina: histórias do trono de vidro – Galera Record (2015)
  • Corte de Névoa e Fúria – Galera Record (2016)
  • Rainha das Sombras – Galera Record (2016)
  • Império de Tempestades – Tomo 1 – Galera Record (2017)
  • Império de Tempestades – Tomo 2 – Galera Record (2017)



Leia Mais ►

09/04/2018

Conheça o livro de contos "Terra Suspensa"


Olá, queridos leitores da Academia! Como estão? Esses dias estava de boas visualizando meu feed no Facebook quando me deparado uma publicação da autora Patrícia Baikal, no qual ela falava de um projeto muito bacana de literatura fantástica. Quando vi fiquei maravilhado! E é sobre isso que vamos conversar no post de hoje.


Eu sempre curti literatura fantástica. Acho que isso é uma herança do RPG. Afinal, eu era (e ainda sou) um narrador. Ou mestre. Aquele cara que lança os desafios para os heróis. Já fui jogador também. Criei personagens que desafiavam monstros, dragões e deuses. Então é notável que eu tenha um carinho todo especial por esse estilo (inclusive logo teremos resenha de um livro de fantasia). E eu acho interessante quando autores inserem elementos (ou cenários) reais em mundos fantásticos. Um exemplo de quem faz isso é o André Vianco com seus vampiros. Ou o Eduardo Spohr com os anjos.  Ou ainda o Raphal Draccon com seus Rangers e dragões. O fato é: acho muito legal. E foi por conta disso que eu gostei muito da proposta do livro “Terra Suspensa”.


O livro:

“Terra Suspensa é uma antologia de contos sobre o Distrito Federal, que constrói a partir desse pedaço de terra aparentemente minúsculo no universo, linhas que vão te desprender do solo e que ganham vida própria, um novo microcosmos mitológico.
Criado a partir dos devaneios de autores de diversos cantos do país, o livro propõe uma nova perspectiva literária sobre o planalto central para despertar o imaginário fantástico na região. São cerca de 250 páginas de histórias fantásticas que vão mudar sua visão sobre o quadradinho da capital e seus arredores”.



Isso mesmo, queridos leitores! Este é uma antologia de contos fantásticos que tem Brasília como cenário. Imaginem o que não pode sair disso? Perguntei para um dos idealizadores do projeto, o Filipe, a respeito do significado da capa (linda) e ele me disse o seguinte: “Seria essa ideia de fantástico, de conexão entre o mundo imaginário, um mundo das ideias, acima da gente, que é a copa da árvore, com a raiz esse mundo que a gente  considera o normal, o comum. Além da figura da árvore carregar esse conceito mítico, que se relaciona com o tempo, com as histórias contadas pelos antepassados, a árvore genealógica. O nome do projeto que propôs o concurso do livro se chama Além da fogueira, então traz em seu conceito essa coisa relacionada com a natureza, com as histórias que passam de boca a boca pelo tempo, e em volta do fogo”. E por falar em projeto, vamos entender um pouco mais sobre ele:

O projeto:

A antologia de contos Terra Suspensa surgiu a partir do anseio de se promover um espaço literário mais amplo no Distrito Federal. Com esse sonho em mente, os idealizadores do projeto, Filipe Henz, Frederico Tales e Fábio Lucas apostaram na chance de reunir autores do Brasil para falar sobre Brasília e seus arredores. Para encontrar esses artistas, foi organizado um concurso. Além dos idealizadores e selecionados via concurso, três autoras foram convidadas para compor a obra.
O livro nasceu para reunir histórias que promovam a criação de um novo imaginário e quebrem com os padrões e sensos comuns existentes sobre as cidades do Planalto Central.
O projeto Terra Suspensa busca criar um espaço para a desconstrução de clichês, por meio de narrativas que, sob pontos de vista distintos, apresentam novas perspectivas a respeito da capital do país. Vamos juntos embarcar nessa viagem!

Lembro que quando postei sobre a coletânea de contos “Sussurros da Boca do Monte” (link) comentei que seria muito legal ter algo do tipo aqui em Brasília. E isso pode ser possível com a sua ajuda! A obra Terra Suspensa está em busca de apoiadores no Kikante. No site (link) está tudo explicadinho. Desde a ideia do livro, dos autores participantes até as formas de recompensa. E seu apoio pode ser vital para o sucesso da empreitada.  
Precisamos de mais iniciativas como essa. Não só para valorizar a literatura fantástica, mas a literatura nacional como um todo. E de quebra valorizar a cultura local de Brasília. Parabéns a todos os idealizadores e autores que estão participando da antologia. Que seja um sucesso!


Até a próxima ;)
Leia Mais ►

07/04/2018

RESENHA- Sonata em Punk Rock (Babi Dewet)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: DEWET, Babi. Sonata em punk rock. 1ª edição Belo Horizonte, Gutenberg Editora, 2016. 382 páginas.
Gênero: Ficção Juvenil
Temas: Música, amor, disciplina, adaptação, sonhos
CategoriaLiteratura brasileira
Ano de lançamento: 2016













          “A vida é como uma orquestra: são necessários muitos instrumentos em harmonia para que a música toda faça sentido.” *Sonata em Punk Rock (pág.281).

            A obra conta a história da jovem Valentina Gontcharov, mais conhecida como Tim, uma garota que divide o seu tempo entre trabalhar em um mercado e ajudar nas tarefas domesticas que sua mãe solteira não consegue cumprir sozinha. Apesar dessa vida medíocre, Tim tem um sonho, se tornar uma estrela do Punck Rock. A música é seu grande amor e ela possui uma grande arma ao seu favor, um dom, o ouvido absoluto, uma habilidade que a faz capaz de tirar a partitura de uma música apenas a escutando. Talento é algo que Tim tem e este que a faz passar na seleção para um dos maiores conservatórios de música do país, a Academia Margareth Vivela. Passar para tal instituição pega a garota de surpresa, já que não acreditava que fosse capaz e nem mesmo podia se imaginar em um reino da música clássica tal como aquele, sendo que a guitarra é sua verdadeira amante. Assim começa a jornada desta jovem em busca de seu sonho e ela que terá que passar por muitos aprendizados entre uma nota e outra.
       O livro se trata basicamente da experiência de Valentina nessa grande escola de música. Focando em aspectos como a dificuldade que a protagonista sente ao entrar em contato com um piano; como a estética de Tim é vista com maus olhos, sendo ela uma moça com tendências punk e gótica em meio a um lugar repleto de pessoas comedidas e puritanas; como a música transforma tudo e como é preciso nos entendermos para seguirmos nossos sonhos. Tudo isso é tratado no livro e é interessante, imaginar uma realidade diferente ao lê-lo, uma atmosfera de dedicação e entrega.
           É preciso dizer que incialmente a autora trás um certo drama em relação ao pai da Tim, que no caso abandonou a mãe muito cedo, tal drama não foi bem desenvolvido durante a história e poderia ter dado um tom muito mais interessante a história, garantindo-lhe uma base e uma maior veracidade. Existem muitos furos quanto ao desenvolvimento da história, vários momentos em que ao lermos nos perguntamos o porquê de certo assunto não ter ganhado continuidade.
            Deixando de lado a linha de desenvolvimento da história, seguimos para os personagens, que não são muitos e não tem muita profundidade, algo que particularmente me incomoda, mas que pode ser desconsiderado por outros. O único personagem que ganha uma dimensão maior além da própria Valentina é Kim, o jovem pianista mais conceituado do Academia Margareth Vilela, um garoto aparentemente todo certinho que aparece para balançar o coração desta moça cheia de rock and roll.
       Com 29 capítulos intitulados com músicas diferentes (o que é bem legal, sendo possível desenvolver a leitura juntamente com a playlist), sendo narrado em primeira pessoa, vez pela Tim, vez pelo seu par romântico Kim, Sonata em Punk Rock tem algo de muito especial, da a música um corpo, a cidade Vilela, que na história é onde se localiza o conservatório. Um romance juvenil daqueles que viram nosso xodó quando somos adolescentes.
         Resumidamente, é um livro levinho, daqueles que usamos como descanso entre livros que possuem uma carga de informações maior. E por mais que eu tenha listado alguns problemas estruturais da obra, continua sendo uma leitura gostosa que em momentos de maior sensibilidade ainda tira lágrimas, forma sorrisos e faz soltar suspiros. Afinal, quem nunca sonhou? Só alguém sem ambição deixaria de simpatizar com certos dilemas da protagonista.

 

Bibliografia de BABI DEWET:

Livros:

· Sábado à noite - Independente (2010) *Editado para a trilogia
Série Sábado à noite
· Sábado à noite I - Editora Generale (2012)
· Sábado à noite II – Dos bailes para a fama - Editora Generale (2013)
· Sábado à noite III – Com amor e música - Editora Generale (2014)
· McFly – Edição especial para fãs - Editora Universo dos Livros (2013)
· Um ano inesquecível - Gutenberg (2015)
Série Cidade da música
· Sonata em Punk Rock - Gutenberg (2016)


Obs.: Fiquem ligados também nas resenhas e postagens do meu blog pessoal: www.variavels.com

Beijão, até a próxima!!! 

Leia Mais ►