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12/03/2015

Literatura Nacional – considerações sobre o panorama atual





A literatura brasileira ainda carece de maiores incentivos e de competitividade para ser bem vista pelos leitores brasileiros e concorrer com a produção vinda de fora do país. O preconceito e a subvalorização das obras nacionais são fatores primordiais para construção desse quadro assim como o frequente uso de modismo pelos autores.
                O panorama geral já apresenta mudanças, mas ainda há uma certa restrição das editoras brasileiras em relação à publicação de obras nacionais. E essas restrições são ainda mais contundentes quando se trata de determinados gêneros literários. A Fantasia e o Terror são alguns dos que sofrerão, por falta de uma palavra melhor, um grande boicote por parte da indústria editorial. O autor André Vianco, hoje um best-seller em terras brasileiras com seus livros de vampiros e espíritos, enfrentou inúmeras dificuldades e muitas recusas quando iniciou sua carreira. O motivo? Leitores brasileiros não apreciavam obras nacionais no gênero, diziam as editoras. Quinze anos e 15 obras depois, ele é um dos maiores exemplos de que o preconceito existiu – e ainda existe – mas está sendo superado. Outros escritores como Raphael Draccon e Eduardo Spohr, ambos autores de fantasia, tiveram de recorrer a estratégias como adoção de um nome artístico propositadamente estrangeiro e ausência de foto – no caso do primeiro -  e a massiva divulgação da obra de estreia na internet – no caso do segundo.
                Se as editoras não se interessavam em publicar obras nacionais em gêneros considerados não rentáveis, em parte os leitores tinham sim uma pequena parcela de culpa. “Livros de escritor brasileiro não presta”, diziam uns. “Literatura estrangeira é infinitamente melhor”, diziam outros. Preconceitos e mais preconceitos. Ora, vale lembrar que quando uma editora nacional decide publicar um livro estrangeiro por aqui, ela investe em livros que já são sucesso de venda e de público em seus países de origem.  Portanto, TODOS os livros que chegam em terras tupiniquins já passaram pela prova de fogo que são os leitores de seus próprios países, são best-sellers por lá e, portanto, são garantias de sucesso certo por aqui. Ao passo que quando uma editora decide publicar um livro de um autor nacional, especialmente um autor iniciante, ela está fazendo uma APOSTA naquele livro e naquele autor, que ainda precisará passar pela aprovação do mais implacável dos juízes: o público. Por mais criterioso que seja o processo de seleção da editora, uma história que parece boa pode não agradar aos leitores e aquele livro ser um enorme fracasso. Então o panorama é o seguinte: para as editoras é mais vantajoso publicar um livro estrangeiro já consagrado e com muitas chances de ser um sucesso e, portanto, mostrar-se um bom investimento rendendo muito lucro, que apostar suas fichas em um autor nacional, pouco conhecido ou mesmo desconhecido, sendo este um investimento incerto que pode tanto revelar-se uma tacada de mestre quando ser uma enorme bomba. Para os leitores, pelos mesmos motivos explanados acima, as chances de ter uma boa história em mãos é muito maior quando o livro é estrangeiro. E isso nada tem a ver com falta de qualidade nas obras nacionais e sim com a “peneira” pela qual os estrangeiros passam antes de chegar aqui.
                Outra característica muito comum e que infelizmente em nada contribui para a promoção da Literatura Brasileira é a adoção de modismos. As prateleiras estão inundadas do que pode ser classificado como “mais do mesmo”. Outrora foram as obras com vampiros como tema devido o sucesso da saga “Crepúsculo”. Hoje são os de teor erótico, herança da saga “50 tons de cinza”. Em meio a tamanha oferta de histórias com o mesmo tema, muitos se destacam por ser realmente bons, mas é inevitável que haja muita coisa de baixa qualidade. E só lendo o leitor poderá separar o joio do trigo.
                 A verdade é que a Literatura Nacional ainda enfrenta problemas, mas já se nota uma mudança na mentalidade de editores, escritores e, principalmente, dos leitores. Os leitores estão cada vez mais abertos as obras nacionais. Quando gostam de um livro, de um autor, fazem barulho, divulgam na internet, fazem enormes filas em sessões de autógrafos. Eles interagem entre si, expressam sua paixão como todo bom brasileiro é capaz de fazer. Os escritores já perceberam que a proximidade autor-leitor é benéfica para ambos os lados. E eles se esforçam. Tirando proveito da interação com quem mais entende das histórias, os leitores, eles corrigem pontos fracos, potencializam pontos fortes, se aperfeiçoam e criam histórias cada vez mais impressionantes, instigadoras, emocionantes, maravilhosas. Mais que agradar editores e críticos, os escritores de hoje querem agradar seu público. E conseguem. Eles estão mais unidos e mais organizados enquanto categoria. Outra grande conquista.  Em consequência de tudo isso, as editoras viram uma importante fatia do mercado entrar em franca expansão. E são cada vez mais numerosas aquelas que apostam na literatura nacional. E aqueles gêneros que antes eram vetados para autores nacionais, como fantasia e terror, agora ganham selos específicos para eles. Selos como o Novos Talentos da editora Novo Século, Fantasy Casa da Palavra da Leya Editora e o Fantástica Rocco da Editora Rocco são alguns dos exemplos. E assim, grandes nomes da literatura contemporânea nacional despontam escrevendo principalmente para o público jovem: André Vianco, Eduardo Spohr, Raphael Draccon, Affonso Solano, Leonel Caldela, Fábio Barreto, Raphael Montes, Carolina Munhoz, Talita Rebouças, entre tantos outros. Sinal de que outro mito está sendo derrubado: o de que brasileiros, principalmente os jovens, não leem.
                    Novos ventos sopram a favor da Literatura Nacional. E, ao que tudo indica, esses ventos nos levarão para dias melhores. Que assim seja!


Comentários
9 Comentários

9 comentários:

  1. Oi Hel, adorei! Achei até engraçada a coincidencia, eu acordei pensado nesse tema hoje kkkkk
    Eu não tinha por hábito ler livros nacionais, em parte porque achava que eles não escreviam sobre temas que eu gosto (vampiros, bruxas, fadas, lobisomens, sereias...), em parte porque achava a linguagem meio enrolada, mas isso tudo foi mudando aos poucos.
    Quando eu escolhia um livro para ler ou comprar, era pela sinopse, capa, título, tudo menos o autor. Autor era a ultima coisa em que eu pensava e só me ligava para saber quando terminava o livro.
    Paulo Coelho foi o primeiro autor nacional que procurei para ler porque descobri que ela é um "mago" e demorou muito para que eu voltasse a ler nacional até ler "O Inverno das fadas" sem saber que era nacional. Atualmente minha lista de leituras nacionais tem aumentado gradativamente, em parte pela proximidade com o escritor e em parte por estar finalmente aparecendo muito mais obras de vários gêneros diferentes.
    Autores nacionais escrevem diferente de estrangeiros, mas como tenho percebido, pode ser muito melhor.

    Parabéns pela sua postagem.

    Bjin

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  2. Olá , pois eu amei seu artigo e por ele deu para perceber bem o panorama nacional a quantas andam, infelizmente é isso em diversos setores brasileiro costuma só aplaudir seus compatriotas quando estes retornam do exterior com os louros recebidos lá fora.. é isso eu torço para que isso mude e cada vez mais possamos aprender a valorizar aquilo que é genuinamente nosso. abraços

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  3. Ei Brenda (Mundo B), olha só como os blogueiros andam sintonizados. Até pensamos nos mesmos assuntos, né não? kkkkkkkkkkk
    Mas então, eu havia escrito esse artigo a um tempinho, só não tinha publicado ainda.

    Lunna, é mesmo de dar pena essa cultura de que tudo que há de bom vem de fora. Brasileiro só é patriota em tempos de Copa do Mundo de Futebol. Bem, isso já tema pra outra discussão. O que importa mesmo é que, no que tange a Literatura, nossa mentalidade está mudando e mudando pra melhor. Bom pra todos, né não?

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  4. Uau, muito bom o texto! Super completo!! Concordo com cada palavra!

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  5. Vou ser sincera, eu tenho tendência em ler mais autores internacionais do que nacionais, mas é porque quase não se ouve falar desses temas "fantasia" por aqui e não por preconceito com autor nacional, tanto que adorei a batalha do apocalipse do Eduardo Spohr e nem sabia que ele era brasileiro na época, quando descobri que era, fiquei contente. Acho que é bobagem pensarem assim, se faz sucesso sendo estrangeiro porque não faria sendo brasileiro? É preciso dar uma chance para eles também. Beijos.

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  6. Realmente a literatura nacional está se destacando, as editoras começaram a dar mais valor aos nossos autores, prova disso foi a bienal que fui ano passado, diquei encantada vendo a diversidade literária, ainda rola muitos preconceitos, gosto de livros de ficção, mas por exemplo sou poetisa, consegui lançar meu livro ano passado, o Brasil é terra de poetas, mas as editoras não os valorizam mais, enfim depois de 11 editoras recusarem meu livro finalmente consegui, o importante é não desistir rsrs.
    Adorei o post, muito bem escrito.
    Beijos

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  7. Bom, acho que faltou alguns outros aspectos relativos ao social e histórico no texto, mas de maneira superficial é isso ai mesmo... Existe uma falta de informação quanto a vários gêneros da literatura nacional...
    http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Lilian. Quais outros aspectos? Poderia comentar mais detalhadamente a respeito? Queremos entender da melhor forma possível o cenário da literatura nacional.

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  8. concordo com você. Excelente texto analisando esse panorama do mercado editorial nacional. Infelizmente as editoras, em sua maioria, só visam o lucro que um grande Best seller pode trazer, e por vezes perdem de publicar uma obra tão boa ou até mais que um livro estrangeiro. Temos muitos nomes de talento no país, o que precisa mudar é a valorização que o leitor dá a eles. Tem que aumentar issoaê hehe

    bjs.

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