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27/02/2014

Clássicos Nacionais - Castro Alves



Antônio Frederico de Castro Alves, ou apenas Castro Alves, foi um grande poeta brasileiro do século XIX, nascido em 14 de Março de 1847, na cidade de Curralinho, na Bahia. Durante esse período ainda existia a escravidão aqui no Brasil e, apesar do escritor ter um gosto sofisticado para roupas e levar uma vida confortável, esse gentil e simpático escritor foi capaz de compreender as dificuldades dos negros escravizados.

Escreveu vários versos de protesto contra a situação à qual os negros eram submetidos e, graças a esse seu estilo contestador, ficou conhecido como o “Poeta dos Escravos”. Quando tinha 21 anos demonstrou toda sua coragem ao ler o “Navio Negreiro” durante uma comemoração cívica onde, a muito contra gosto, os fazendeiros ouviram-no clamar versos que denunciavam os maus tratos aos quais os negros eram submetidos.

Infelizmente este notável escritor morreu muito jovem, antes mesmo de terminar o curso de Direito que iniciara, devido ao agravamento da tuberculose que vinha sofrendo desde seus 16 anos.



Além de poesia de caráter social, Castro Alves também compôs muitos versos lírico-amorosos, seguindo o estilo de Vitor Hugo. Na classificação muitos escritores, diz-se que Castro Alves foi um poeta de transição entre o Romantismo e o Parnasianismo.

Apesar de ter vivido tão pouco, o escritor deixou para nós livros e poemas muito significativos:

- Espumas Flutuantes, 1870;
- A Cachoeira de Paulo Afonso, 1876;
- Os Escravos, 1883;
- Hinos do Equador, em edição de suas Obras Completas (1921);
- Tragédia no Lar, 1868;
- Navio Negreiro, 1869.

"Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noite! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...

Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são?... Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz![...]"
(Trecho de "Navio Negreiro")
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