Tecnologia do Blogger.

15/10/2014

Juventude, literatura e internet




A internet é uma ferramenta tão presente em nossas vidas que seu impacto e sua relevância nos nossos hábitos cotidianos são indiscutíveis. Muito já se falou sobre a relação dos jovens com a internet e a tecnologia. Já se especulou que essa relação tão íntima poderia ser prejudicial e também se especulou que poderia ser benéfica, estimulante. Mas um fato inquestionável é que os jovens usam e abusam dessas ferramentas para se expressar.
Bem, o tema do nosso blog é literatura. E quando se junta as palavras “literatura”, “jovens” e “internet” temos um efeito bastante interessante: os jovens estão usando cada vez mais a rede para expressar suas preferências e suas opiniões sobre livros!!!! E mais, não estão se limitando a consumir histórias, eles estão criando suas próprias histórias. E divulgando, compartilhando, interagindo.
A revista INFO publicou uma matéria muito interessante comentando um pouco sobre essa relação e mostrando alguns casos de jovens apaixonados pela literatura que resolveram compartilhar isso com o mundo. Vamos conhecer? Veja abaixou a transcrição da matéria.


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Eles são jovens, estão conectados, passam horas nas redes sociais e têm milhares de seguidores interessados em... literatura. Em plataformas como YouTube e Facebook. Um grupo cada vez maior desafia os estereótipos da Geração Y e usa a web para escrever, compartilhar e aprender sobre os bons e velhos livros.
                Superficiais e apressados. Consumidores de informação na forma de listas. Amantes de conteúdo digital nativo. Esse é o retrato mais comum da geração Y, que nasceu conectada e cresceu em uma sociedade que, segundo dados do Ibope, passa hoje mais de 3 horas e meia por dia nas redes sociais. Desafiando o estereótipo, um grande número de jovens e adolescentes tem usados ferramentas digitais para escrever, comentar e compartilhar conteúdo ligado a uma das mais antigas formas de mídia: o livro. “As redes sociais se tornaram uma ótima plataforma para debates literários e para aproximar leitores e autores”, diz Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Pesquisas sobre Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espírito Santo.
                Malini e sua equipe analisaram a relação entre internet e leitores na pesquisa “Facebook: A Economia dos Likes e dos RTs dos Usuários de Literatura Brasileira nas Redes Sociais”. Ao medir curtidas, interações e postagens, o estudo concluiu que “a rede se tornou um manancial de novos críticos, de novos mediadores da literatura, por onde as obras da nova geração e dos autores ‘mortos’ ganham vida e sobrevida”.
                Os grupos de debate no Facebook, por exemplo, são uma reedição dos antigos clubes de literatura. Essa troca de informações também acontece em plataformas específicas, como o Skoob, rede social que conta com mais de 140.000 usuários por mês.
                As resenhas literárias também ganharam cara nova por meio do trabalho dos booktubers, internautas que usam a plataforma de vídeos YouTube para falar sobre livros. Com milhões de acesso, esses canais oferecem uma forma fácil de saber mais sobre um título, um autor ou acompanhar os últimos lançamentos. A popularidade é tanta que, neste ano, um grupo de booktubers foi convidado para fazer parte da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o maior encontro de literatura da América Latina, realizado em agosto.
                Muitas experiências literárias que começaram na internet já ganharam vida e fizeram sucesso no mundo do papel. Um exemplo? O best-seller “Cinquenta Tons de Cinza”, que surgiu de textos que autora americana E. L. James escrevia em uma página de fanfiction, gênero no qual fãs contam histórias baseadas em artistas, livros, seriados e filmes.
                No Brasil, uma das mais conhecidas páginas de fanfiction é a Spirit, com mais de 500.000 usuários e quase 1 milhão de histórias publicadas, muitas sobre astros da música pop, como Justin Bieber, ou inspiradas em best-sellers, como “Jogos Vorazes”. A escolha dos temas evidencia que grande parte dos autores tem mais de 20 anos de idade e parece interessada em escrever textos longos e elaborados. Nem que seja para poder compartilhar depois com os amigos, ganhar likes nas redes sociais e conquistar seguidores aos milhares. Selecionamos quatro jovens brasileiros da geração Y conectados que usam diferentes plataformas online e redes sociais para expressar sua paixão pelos livros e pela literatura.



BRUNO MIRANDA_O booktuber
                O estudante de jornalismo Bruno Miranda tem mais de 70.000 inscritos e 3 milhões de visualizações em seu canal no YouTube, o Minha Estante. Aos 17 anos, Bruno é um ativo booktuber, internauta que usa a plataforma de vídeos para falar sobre livros. “Me apaixonei por literatura há quatro anos, quando li “Marley & Eu”, afirma Bruno. “Fui buscar na internet outras pessoas com o mesmo gosto e não encontrei”. Daí veio a ideia de criar um blog que, mais tarde, se tornaria o canal de vídeos. Para atualizar o Minha Estante semanalmente, Bruno lê até seis livros por mês. Os vídeos variam entre resenhas, dicas de novos autores e curiosidades, sempre com  linguagem simples e bem-humorada. “Quem os assiste tem gosto similar ao meu e já recebi indicações de ótimos livros”, diz Bruno, morador de Santa Catarina. “As pessoas buscam cada vez mais conteúdo ligado à literatura, e assim a internet vem formando novos leitores”.



ANNA BACCARAT_Autora serial
                Quando tinha 13 anos, Anna Baccarat começou a escrever seu primeiro romance, “Encontros e desencontros em Paris: 1932”. Hoje, aos 16 anos, a jovem paulista é autora de oito livros, disponíveis em formato digital na plataforma de autopublicação Widbook. “Recebo muitos comentários e elogios sobre os textos, mas também críticas, que ajudam a corrigir alguns erros gramaticais. Tudo isso fez minha escrita evoluir”, afirma Anna. A plataforma reúne cerca de 40.000 usuários brasileiros e mais de 200.000 cadastrados no mundo. Atualmente há cerca de 25.000 livros sendo criados. A Widbook mistura conceitos de blog com rede social. O autor consegue fazer postagens e receber comentários e, ao fim, pode consolidar os textos em uma única obra. “Uso o Widbook para conhecer novos autores, principalmente com temas relacionados a romance e filosofia”, diz Anna.



ROBERTA NATE_Autora de fanfiction
                Ao chegar à última frase da “Saga Crepúsculo”, a carioca Roberta Nate sentiu-se desapontada. O texto terminou sem dar todos os detalhes que ela gostaria e Roberta resolveu escrever uma continuação para a história. Hoje, aos 19 anos, a estudante de publicidade dedica 3 horas por dia para escrever contos de fanfiction, gênero que recria história de obras famosas. Roberta posta na Spirit, rede social brasileira de fanfiction com mais de 500.000 usuários. Na plataforma, ela já leu mais de 200 histórias e é autora de 12 obras, todas baseadas na série de lobisomem “Teen Wolf”. A mais popular chegou a 50.000 visualizações. “Meus leitores tem entre 14 e 20 anos e participam da criação dos contos”, afirma Roberta, que, além dos contos virtuais, costuma ler pelo menos três livros por semana. “A internet abre portas para que os jovens tenham mais diversidade na hora de ler e, assim, se apaixonem por literatura, diz Roberta.



TIAGO MORINI_Literatura no facebook
                Desde que terminou um longo relacionamento, o advogado Tiago Morini, 29 anos, passa dias em busca de novos romances. E também de contos, crônicas e ensaios. Com o fim do namoro, Tiago também largou os processos judiciais e passou a se dedicar a seu hobby. “Sempre gostei de literatura. Em 2011, decidi criar um blog, que migrou para uma página no falecido Orkut e hoje está no Facebbok”, diz. A página Um Livro Qualquer tem mais de 380.000 curtidas e compartilha conteúdo diversificado sobre literatura. O sucesso da fan page está ainda ligado a quatro grupos fechados para leitores na rede social administrados por Tiago. O maior deles, com 8.000 membros, é o Clube dos Leitores Solteiros. “As pessoas que estão carentes ou que querem conhecer alguém, acabam tendo um engajamento maior”, afirma Tiago, que lançou recentemente seu próprio romance, o e-book “Uma Noite e Seis Semanas”.

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Referência do texto:
- INFO. Era (uma vez) digital. Publicado na revista “INFO”, edição nº 346, outubro de 2014. Páginas 66 a 71.

Crédito das imagens:
- Imagem de capa: Musa Rara;
- Foto Bruno Miranda: perfil no Twitter;
- Foto Anna Baccarat: perfil no Widbook;
- Foto Roberta Nate: perfil no Google+;
- Foto Tiago Morini: perfil no Google+.

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