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01/05/2015

REPORTAGEM: Autores Independentes

Olá, leitores! 
Lembram-se da reportagem que postamos aqui no blog sobre o sucesso que a literatura erótica vem fazendo? Para quem não viu, segue o link. Hoje é um dia especial para muita gente. Sendo 1 de maio o dia do trabalhador, todas aquelas pessoas que exercem qualquer tipo de trabalho devem ser homenageadas nesse dia importante. E aqui, na Academia, é claro que vamos homenagear nossos escritores e amigos blogueiros, pois ambos são profissões e devem ser respeitadas como qualquer outra. A reportagem de hoje, desenvolvida para a matéria "Técnicas de redação e Edição", também junto com a Isadora Teixeira, falamos um pouco sobre os Autores Independentes. O Resultado vocês podem conferir abaixo:



Escritores independentes encontram na autopublicação saída para vender suas obras

Autores contam que a falta de reconhecimento vindo do público e os altos preços de distribuição são algumas das dificuldades deste mercado


         A profissão de escritor começou a ser amplamente reconhecida no cenário nacional. Cada vez mais novos autores aparecem nas livrarias e nas redes sociais com a promessa de uma boa leitura. Grandes editoras começaram a ter interesse por essa nova safra e a cada mês novas publicações despontam em seus catálogos. Segundo dados encontrados no site do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) a venda de livros registrou crescimento de 1,65% e faturamento de 3%em volume de exemplares no comparativo com o mesmo período, em março de 2014. Mas existem aqueles que nadam contra a maré nessa nova onda da literatura nacional. Os autores independentes, ou seja, aqueles que não possuem apoio de nenhum selo editorial, encontraram na autopublicação uma forma de tirar os originais da gaveta e oferecê-los de forma direta para o leitor.
Patricia Colmenero, autora da obra "Porque a Morte Terei Fome
        Patrícia Colmenero, 29 anos, lançou em 2012 seu livro “Porque até a Morte Terei Fome”. Ela conta que tentou publicar seu livro em diversas editoras, mas as recusas e as propostas pouco vantajosas a fizeram optar pela publicação independente. “Não tinha ninguém interessado no que eu estava querendo fazer como nova autora. E eu não estava dentro de nenhuma ‘onda comercial’, então eu não consigo me vender comercialmente muito bem”, conta a autora.
        O maior obstáculo para Patrícia é o anonimato. “Ninguém me conhece, então porque vão comprar meu livro?”, pondera. A falta de apoio em marketing e divulgação muitas vezes faz com que os autores desistam da ideia de autopublicação, mas isso tem mudado gradativamente. “Hoje é descolado você ser independente. Existem feiras de independentes e nelas não entram editoras. Avançou muito o discurso de independente”, completa a autora. Já para Lauro Kociuba, 30 anos, autor de “A Liga dos Artesões: Alvores”, o maior obstáculo está na distribuição da obra. “É muito complicado entrar nas redes como Submarino, Saraiva, Americanas, etc. Conseguir fazer seu livro chegar ao público é um dos preços mais caros a se pagar pela independência”, diz o autor.
         As grandes livrarias, como a Cultura, Saraiva e Leitura dispõem de espaços para autores independentes, como afirma a gerente de Marketing da livraria Leitura Liliane Silva: “Recebemos originais de autores independentes e após a análise do produto é feito um contrato de consignação com o autor, onde geralmente cada parte fica com 50% do valor de capa do livro. O espaço é o mesmo que o das editoras”, porém, nem sempre essa parceria é atrativa para os autores. “Fui na Cultura várias vezes, havia uma documentação enorme, havia muitas regras a cumprir e quando finalmente consegui entrar, ainda tinha de arcar com muitos custos”, conta Patrícia.
Maurício Gomyde, autor de quatro obras independentes
           Para Maurício Gomyde, autor brasiliense de grande sucesso no mercado independente, o caminho da autopublicação foi o primeiro e único caminho a seguir. Ele conta que nunca enviou seus livros para a editora, nem mesmo os que ele já tinha publicado pela via independente. "Apostava na ideia que algum dia as editoras iam prestar atenção, que seria um caminho natural. Acabou que um dia eu estava numa feira de livros e uma autora pegou meu livro e colocou na mão do editor. Ele gostou, pesquisou sobre meu trabalho na rede e entrou em contato. Deu certo e foi muito bacana. Isso não significa, necessariamente, que é o caminho ideal para todo autor. Cada um constrói sua história e, para muitos, o caminho independente poderia não dar certo. O importante é não ficar parado esperando", relata o autor.


Desafio e satisfação 


Lauro Kociuba, autor independente que publicou
sua obra por financiamento coletivo
E ainda há aqueles que tendem a olhar com preconceito para obras isentas de selos. Lauro Kociuba conta que, em função disso, as pessoas “torceram o nariz” para sua obra, mas que isso é parte do desafio de não estar presente nos catálogos das editoras. “Você tem de se esforçar para ir contra a maré e inovar, colocando um trabalho de qualidade (principalmente pelos profissionais envolvidos - revisores, diagramadores, capistas) como alternativa ao tradicional”, conta.
E com a experiência, muitos tiram lições valorosas de como a profissão exige dedicação e muito sacrifício. Patrícia Colmenero afirma que ser independente ensina que todos os autores têm de fazer por eles mesmos, até os mais reconhecidos, e que muita publicidade não garante o sucesso da
próxima publicação.
  Apesar de todas as dificuldades, ambos não têm arrependimentos quanto à publicação independente. Lauro diz que a opção de libertação e independência, além do desafio, foram os motivos que o levaram a escolher este caminho e que “o mais interessante de ser autor independente é estar num contato direto e constante com o seu público”. 
Fora a falta de oportunidade, a independência que este mercado representa é o grande chamariz para os autores interessados. A liberdade de escolha do produto que será lançado é considerada uma vantagem. “Ser independente me traz limitações, ao mesmo tempo em que me liberta. Se eu não dependo de editora nenhuma, posso fazer do jeito que eu quiser”, conclui Patrícia.



Queria agradecer aos escritores Lauro Kociuba, Patrícia Colmenero e Maurício Gomyde por cederem seu tempo para que essa reportagem fosse produzida. Como a outra, essa reportagem foi curta, mas espero que tenham gostado. Espero produzir muitas e muitas reportagens legais para os leitores que acompanham nosso blog.

Até a próxima ;)
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