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06/10/2015

RESENHA - A Senhora dos Mortos (Rodrigo de Oliveira)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: OLIVEIRA, Rodrigo de. A Senhora dos Mortos. 1ª edição. São Paulo, Faro Editorial, 2014. 276 páginas.
Gênero: Terror Fantástico.
Temas: Apocalipse, Zumbis.
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2015.
Série “As Crônicas dos Mortos”: O Vale dos Mortos (Livro 1); Elevador 16 (Spin Off); A Batalha dos Mortos (Livro 2); A Senhora dos Mortos (Livro 3). 







AVISO: Esta é a resenha de um livro que pertence a uma série, portanto, há spoilers referentes aos livros anteriores. As resenhas das obras anteriores estão nos links acima.




“Os primeiros berros de horror dos sobreviventes diante da visão dos zumbis começaram a se elevar entre os urros ensurdecedores.
Setenta mil zumbis estavam ali, como um exército, todos obedientes à Jezebel.
- Matem todos! – Jezebel gritou. – Cada homem, cada mulher, velho ou criança. Não quero ninguém vivo.
Ao longe, tiros eram disparados em vão por indivíduos que desesperadamente tentavam se salvar. Mas era inútil, não havia forma de sobreviver àquela investida.
- Quero todos mortos – Jezebel sussurrou uma última vez, fechando os olhos em êxtase.
Quando o cheio de sangue humano chegou até suas narinas, ela deixou todo o aparente controle de lado e começou a avançar com sua gigantesca horda de mortos-vivos.”
*A Senhora dos Mortos (pág. 15).




Jezebel.
Esse nome passou a assombrar os pesadelos dos sobreviventes do dia Z. Irmã gêmea de Isabel, Jezebel foi contaminada pelo vírus e voltou como um zumbi. Porém, algo aconteceu. Sua memória permaneceu intacta, seus poderes foram multiplicados por mil e graças aos acontecimentos que antecederam sua transformação, ela agora busca mais que tudo vingança e destruição para aqueles que a abandonaram.
O mundo dos zumbis ganhou uma líder.
Capaz de controlar os zumbis normais, Jezebel marcha para São José dos Campos. Lar de seus inimigos, a Senhora dos Mortos reduzia a escombros tudo o que via pelo caminho, atacando focos de resistência, matando todo e qualquer humano que encontrasse.
Ao saberem da situação alarmante, os sobreviventes começaram a se armar contra a nova ameaça. Uma ação conjunta é criada as pressas na tentativa de encontrar uma forma de destruir aquilo que parecia invencível.  
E vi subir da terra outra besta... e falava como dragão (Apocalipse 13:11).
Rodrigo de Oliveira mais uma vez mostra todo o seu potencial como escritor em sua quarta publicação da saga “As Crônicas dos Mortos”. Dessa vez, o foco é uma ameaça muito mais perigosa e mortal que os criminosos de Taubaté. Jezebel, deixada a própria sorte por Ivan, foi infectada e voltou como um zumbi. Porém, algo aconteceu. Ela não era um zumbi comum.
Em São José dos Campos, Ivan tem de cuidar sozinho da administração do Condomínio Colinas, pois Estela – sua mulher e segunda no comando –, estava de repouso devido à aproximação do nascimento de sua filha. Após a batalha de Taubaté, um período de paz (na medida do possível) se instaurou no refúgio. Mesmo assim, os sobreviventes não estavam livres de problemas. Uma nova pedra no sapato na liderança de Ivan se mostra na figura de Fábio Zonatto. Um homem paranoico que não aceitava suas ordens, fazendo as coisas a sua própria maneira. Enquanto isso, em São Paulo, mais precisamente na sede da Segunda Divisão de Exército, no bairro do Ibirapuera, Coronel Fernandes lidava com seus próprios problemas e com sua filha, Mariana, personagem introduzido no spin off “Elevador 16” (resenha).
Apesar dos zumbis estarem sempre à espreita, nada de grave havia acontecido. Até que uma transmissão de rádio mudou tudo. Jezebel estava a caminho.

- BOA TARDE, CORONEL FERNANDES. É UM PRAZER FALAR COM O SENHOR – Jezebel falou calmamente, com uma voz metalizada e distorcida.
* A Senhora dos Mortos (pág.84).

A narrativa gira em torno da guerra entre os sobreviventes e Jezebel. Os combatentes são postos a prova contra um inimigo sobrenatural e a dura realidade de que o mundo nunca mais será o mesmo foi tão viva como agora. Mais uma vez a liderança de Ivan é posta em xeque quando sua soberba e sede de controle tomam conta de suas ações. E agora, para piorar, até seu casamento é ameaçado pelos problemas que rondam sua liderança.
Os personagens mais uma vez estão muito bem trabalhados. Somos apresentados aos novos: Mariana e Fábio e alguns antigos voltam a ter um papel de destaque na trama. Isabel ainda nutre ódio pelo que Ivan fez no volume anterior e Gisele ainda tenta se livrar dos traumas sofridos no primeiro livro. Felizmente ou infelizmente, há muitos personagens! Alguns, inclusive, me fizeram voltar nos livros anteriores para relembrar quem eram. E o que um autor faz quando tem muitos personagens na história? Ele os mata. Claro. A Senhora dos Mortos é o volume que apresenta até o momento o maior número de mortes de personagens. Preparem-se, pois muitas cabeças rolam na narrativa aterrorizante de Rodrigo de Oliveira.
Jezebel foi a cereja do bolo nessa obra. Estava apreensivo com o que poderia acontecer à saga com a introdução de alguém como ela. Afinal, como vencer o invencível? Como vencer um ser que pode te matar com a força do pensamento? Jezebel, a cada nova aparição demonstrava o quanto seu poder poderia literalmente “mover montanhas”. Tive receio de a obra comprometer o encanto da saga com estilo mais "pé no chão" no que concerne a histórias sobre o apocalipse, do mesmo modo que Resident Evil, ao longo dos anos, foi perdendo seu brilho ao inserir na trama coisas cada vez mais surreais. A inclusão de algo tão “absurdo” quanto foi Jezebel, apesar de estar totalmente empolgado (chamei-a de “Nêmesis de saia” na resenha do livro “A Batalha dos Mortos”), me pareceu muito arriscada. Minhas expectativas eram altas e felizmente não me decepcionei. O autor soube explorar muito bem o potencial da Senhora dos Mortos na trama e entregou uma vilã memorável.

Ela parou diante daquele cenário de desolação composto por troncos de árvores, gigantescos pedaços de asfalto e centenas de toneladas de aço retorcido.
- Deixe-me passar! AGORA!
Uma onda de choque digna de uma explosão nuclear partiu de onde ela estava e foi desintegrando o que encontrava pelo caminho. Parecia que um aríete gigantesco e invisível se deslocava para a frente, pulverizando ou arremessando longe tudo aquilo que antes impedia o avanço da horda.
Jezebel piscou os olhos diante da devastação que causara. Até o que sobrara do asfalto foi arrancado fora. A passagem estava livre.
* A Senhora dos Mortos (pág.13)

Foto da página de um capítulo do livro
A obra é narrada em terceira pessoa. Apresenta uma narrativa bastante fluida. Os leitores vão sentir uma mudança na forma como o autor descreve as cenas nas partes em que Jezebel aparece, já que seus poderes conferem coisas inéditas à narrativa como levantar objetos pesados, demolir prédios e matar pessoas com a força da mente. A relação temporal é truncada, mostrando um pouco do passado de alguns novos personagens inseridos na trama ao mesmo tempo em que, no presente, se divide entre os acontecimentos que se desenrolam em São José dos Campos e o que acontece durante e em meio à marcha de Jezebel. A obra é bem revisada, quase não vi erros. A diagramação, como nos livros anteriores, é uma obra à parte. O título em relevo se destaca na capa, que traz a imagem da Senhora dos mortos e seu exército de Zumbis. Cada capítulo vem com um número, o título e o desenho do que parece ser uma mancha de sangue. As páginas são amareladas, ideais para leitura e mais uma vez a editora usa uma folha mais grossa que o normal, dando ao livro a impressão de ser maior do que ele realmente é. Há um sumário com o desenho de uma ponte em meio a um nevoeiro no começo do livro e os agradecimentos ao fim.
Rodrigo de Oliveira é gestor de TI e um grande fã de ficção científica, dos clássicos do terror, em especial da obra do mestre George Romero. Casado, com dois filhos, nasceu em São Paulo e vive entre a capital e o Vale do Paraíba. Também é autor de “O Vale dos Mortos”, “Elevador 16” (um spin-off dessa série) e “A Batalha dos Mortos”.
 A Senhora dos Mortos é o terceiro livro (sem contar o spin-off)  de uma série intituladaAs Crônicas dos Mortos” e recomendo-a fortemente para os entusiastas do terror fantástico. Mais uma vez o autor mostra a que veio e traz uma ameaça digna de ser comparada aos maiores vilões de Resident Evil. Para os que apreciam histórias que tenham regiões do Brasil como cenário, o livro é um prato cheio. Jezebel avança a partir da cidade de Canelas rumo a São José dos Campos destruindo tudo pelo caminho. Novamente, o nível de violência é alto e muitas são as mortes narradas. Então, tenha isso em mente ao ler esse livro. E por fim, para os que apoiam a literatura nacional, Rodrigo de Oliveira, a cada livro publicado, mostra que merece estar na lista dos melhores autores do terror nacional.
                E que venha a Ilha dos Mortos.




Bibliografia de RODRIGO DE OLIVEIRA (ordem cronológica):

Livros:
  • O Vale dos Mortos – Editora Baraúna (2013); Relançado pela Faro Editorial (2014).
  • Elevador 16 – e-book pela Faro Editorial (2014); livro físico pela Faro Editorial (2015).
  • A Batalha dos Mortos – Faro Editorial (2014).
  • A Senhora dos Mortos – Faro Editorial (2015).
Clique na imagem para saber como partipar
Comentários
24 Comentários

24 comentários:

  1. Oi, Luciano! Adorei a sua resenha, mostrou muito bem os pontos que temos um real interesse em saber antes de ler um livro. Gosto bastante de histórias onde o sobrenatural domina o enredo, mas confesso que zumbis é algo que não me agrada. Mas fico feliz em saber que os personagens são sempre bem trabalhados e que a história é fluída.
    Abçs!

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    1. Oi Alessandra. Tudo bem, todos tem sua preferência :)
      Sempre curti histórias apocalípticas e zumbi é uma das minhas temáticas favoritas. Que bom que você gostou da resenha. Obrigado. Beijos

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  2. Olá, Luciano. Gostei bastante do livro por alguns pontos que gosto muito ou tenho curiosidade de leitura, foram eles: o terror fantástico; o apocalipse zumbi; a guerra. A Senhora dos Mortos me encantou por estes e vários outros fatores, sua resenha pode expressar o verdadeiro combate que encontra-se envolvido neste livro. Quero ler!

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  3. Adorei a resenha, bem interessante, louca para ler

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  4. Eu adoro esse tipo de historia, sou fã de The Walking dead, Resident Evil, Rec, enfim adoro o estilo, seja em livros ou flmes, acho fantastico...rsrs
    Eu tenho aqui os dois primeiros volumes dessa série do Rodrigo de Oliveira, ainda nao li, mas está na minha lista e nao vai demorar pra eu pegar os livros e ler, achei muito diferente essa vilã, o autor arriscou em colocar uma vilã desse jeito, como vc disse poderia comprometer, mas parece que nao foi isso que aconteceu e o livro ficou muito phoda... *-*
    Nao vejo a hora de começar a ler essa série, quando sobrar um dinheiro vou ver se compro esse A senhora dos mortos, pra quando começar a série ja ir embalado e ler tudo de uma vez...rsrs

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  5. Sempre achei a capa desse livro linda e não sabia que se tratava de uma série. Gostei bastante da premissa, mesmo sendo do terceiro volume. Se eu bem entendi a zumbi fala e isso é bem diferente do que estamos acostumados (o tradicional "cérebros" acho que não conta muito bem, né?).
    É muito bom quando gostamos de uma obra e o autor não nos decepciona, ainda mais sendo ela uma série (que pode acontecer com bastante facilidade). Fiquei bastante empolgada para conhecer este livro. Beijos
    SIL | Estilhaçando Livros

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  6. Só li um livro de zumbis que foi the walking dead e confesso que me decepcionou muito, quero muito ler esse e estou torcendo para tambem não acabar me decepcionando, o que pelo visto nãos era o que ira acontecer. Eu oadoro as capas desses livros, são bem assustadoras, eles estão na minha lista, espero poder ler ainda esse ano

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  7. Oi Luciano, tudo bem
    Pelo visto, o autor conseguiu manter o fôlego e trouxe um livro até melhor dos que os primeiros. Se ignorarmos que eles são zumbis, esse livro não deixa de ser um tipo de distopia, eu adoro ver como os seres humanos se comportam nesse tipo de situação, chega a ser de arrepiar e nos faz questionar uma série de valores. Eu nunca gostei de histórias com zumbis, nem filmes e nem livros, mas uma amiga me convenceu, vou começar pelo The Walking dead, risos... e pelo visto, depois posso seguir com essa série, o autor realmente arriscou alto e deu certo, então, dica mais do que anotada. Sua resenha ficou ótima!!!!!
    beijinhos.
    cila.
    http://cantinhoparaleitura.blogspot.com.br/

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  8. Oi Luciano, tudo bem?

    Gostei bastante da sua resenha e sou doida para ler essa série, gosto da literatura nacional estar atingindo os mais altos patamares. Que bom que você não se decepcionou com a inserção da Jezebel e seus poderes sobrenaturais. Os personagens parecem ser bem construídos e já vou me preparar pelas inúmeras mortes.

    Beijinhos,

    Rafaella Lima // Vamos Falar de Livros?

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  9. Se essa resenha já é interessante e excelente, imagina o livro! Quero muito ler logo, minha filha vai adorar também! Parabens pela resenha Luciano.

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  10. Olá, tudo bem?

    Queria tanto ter o o poder de matar os outros com a minha mente HAHAHAHA. Já tinha ouvido falar dessa série (se não me engano foi aqui no seu blog que li a resenha de Elevador 16) e sempre fui muito curioso para ler, mas no momento não estou começando novas séries, pois tenho umas 400 inacabadas. Gostei do texto e amei a capa do livro, não vejo a hora de ter na estante.

    Abraços,
    Matheus Braga
    Vida de Leitor - http://vidadeleitor.blogspot.com.br/

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  11. Oi Luciano, bom, o livro parece ser bem empolgante, contudo não sei muito bem o que pensar. Essa grande quantidade de personagens que você disse conter no livro talvez me confundisse um pouco, e o fato de ter que voltar ao livro anterior para recordar de alguns seria bem chato, odeio ter que interromper minhas leituras por algo assim. De qualquer forma eu já não leria pois não li os livros anteriores

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  12. Aproveitando um pouco do raro tempo livre estou aqui para comentar sobre essa resenha. Admito que a primeira coisa que me chama a atenção é a capa, a segunda são os zumbis (afinal eles são tão <3 ). Gostei bastante da história e gostei principalmente da Jezebel, eu sei que é estranho, mas eu meio que entendo o fato dela querer se vingar e não sei... apenas gostei! Não li nenhum livro do autor, mas já ouvi falarem muito bem de suas obras e com certeza pretendo ler mais para frente. Mas tenho certeza que irei me perder na quantidade de personagens, as vezes me perco nos personagens do mesmo livro, quem dirá no que se refere aos outros? Mas vamos tentar né, quem sabe dá certo! Parabéns pela resenha.
    Beijos

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  13. Eu sempre tive uma certa resistência pra historias de apocalipse zumbis, mesmo amando terro mais quando tinha esse aspecto eu ficava com um pé bem atrás, mais depois de tanta insistência do meu irmão dei uma chance a livros com esse tema e acabei gostando não de todos mais alguns gostei, e venho visto muitas resenhas positivas sobre essa a saga “As Crônicas dos Mortos” e me despertou interesse, não vou ler a resenha porque ainda não li os outros livros , mais vou conferi sua resenha de o " O Vale dos Mortos".
    Bjocas

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  14. Li o primeiro - Vale dos Mortos e amei, com certeza pretendo ler a saga inteira, gosto muito deste tipo de história. E também gostei muito da resenha.

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  15. Adoro livros de terror....estou louco para ler esses.
    Abraços :)

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  16. estou gostando bastante de ler este tipo de leitura. Acabei descobrindo que me amarro em zumbis. Rsrsrs Tem tudo na medida certa nessa trama. Dá pra ficar empolgada do começo ao fim. Foi um prazer conferir esta obra e ver que o autor arrebenta ao escrever esta trama.
    Beijos.

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  17. Oi!
    Eu adoro histórias de zumbis, e essa série em questão me deixa pulando de vontade de começar a ler pra ontem, mas ainda falta o livro 1 e 2 hahahahah.

    Gostei muito da sua resenha, e pretendo ler em breve :)

    www.gordinhaassumida.com.br

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