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15/12/2015

RESENHA - Alien (Alan Dean Foster)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: FOSTER, Alan Dean. Alien. 1ª edição. São Paulo, Editora Aleph, 2015. Tradução: Henrique Guerra, 328 páginas.
Gênero: Ficção Científica / Terror.
Temas: Alienígenas, Viagens espaciais.
Categoria: Literatura Estrangeira.
Ano de lançamento: 1979 nos Estados Unidos; 2015 no Brasil pela Editora Aleph.














“Uma nódoa vermelha surgira na camiseta de Kane. A mancha de sangue espalhou-se, rápida e irregular, por toda a parte inferior do tórax. O próximo som na sala abarrotada foi íntimo e ofensivo: o som de tecido se rasgando. A camisa se esfrangalhou como a casca de um melão, arregaçando-se nos dois lados, enquanto uma cabeça pequena, do tamanho de um punho humano, surgia pela brecha. A cabeça contorcia-se como a de uma cobra. O minúsculo crânio consistia primordialmente em dentes afiados, riscados de vermelho. A pele, de um branco pálido, doentio, agora se escurecia por um muco carmesim. Não mostrava órgãos externos, nem mesmo olhos. Um odor nauseante e fétido chegou às narinas da tripulação.”
*Alien (pág. 195).


Em uma viagem de volta à Terra, a equipe formada por sete tripulantes de uma nave rebocadora chamada “Nostromo” acorda de seu sono criogênico antes do tempo previsto. A “mãe”, computador de bordo da nave os acorda do sono profundo, pois um sinal vindo de um quadrante não identificado no espaço foi captado por seus sensores. O grupo passa a investigar o que parecia ser um pedido de socorro vindo de um planetoide desconhecido. Ao aterrissar no planeta e investigar o sinal vindo de uma nave alienígena, um dos tripulantes é atacado por uma forma de vida nunca antes vista pelos humanos.
Sete passageiros aterrissam no planeta.
Oito decolam de lá.
           Alien, obra escrita por Alan Dean Foster e baseada no roteiro de Dan O’Bannon e no filme de Ridley Scott, é a novelização de um grande clássico da ficção científica. O livro conta a história da tripulação da Nostromo, que após receber um sinal de socorro e investigá-lo, acaba trazendo para dentro da nave uma forma de vida alienígena altamente perigosa e letal que aos poucos começa a dizimar toda a equipe. Assim como aconteceu na resenha de “Exterminador do Futuro” e “Jurassic Park”, foi muito difícil não comparar livro e filme. Como já havia dito na resenha de Jurassic Park, ainda farei posts comparativos de adaptações.
            O livro começa muito, mas muito devagar. Contando um pouco da história e personalidade de cada tripulante e como eles acordaram do sono criogênico para averiguarem o suposto sinal de socorro. A narrativa é um pouco arrastada nesse início e até a chegada do oitavo passageiro quase nada de significativo acontece. Some isso à escrita rebuscada da obra e temos uma história que pode ser complicada para alguns leitores, já que ela exige mais atenção (e quem sabe, um dicionário de sinônimos por perto). Acredito que isso possa prejudicar e até fazer um leitor que não gosta tanto assim de ficção pensar em desistir de ler a obra. Porém, peço que aguentem firme, pois a espera pelo infame alienígena vai valer a pena.

Mãe: Bora acordar, galerinha?
         No livro temos um aprofundamento maior na relação dos personagens e cenários. Podemos conferir com mais detalhes as personalidades de cada tripulante, bem como o trabalho que o autor teve ao descrever o terror que é estar em uma nave com um monstro assassino a solta. Os tripulantes têm de lidar, por exemplo, com a paranoia e a desconfiança, enquanto pensam em uma maneira de deter a criatura. Algumas acusações são trocadas e desavenças tomam forma à medida que o desespero (e as mortes) aumentam, dando um “tempero” a mais para a narrativa. Uma curiosidade: no livro, embora seja uma adaptação bem fiel do filme, não temos Ripley como personagem principal. O foco fica alternando entre todos os tripulantes. Isso é interessante, pois podemos conhecer as motivações de cada um e as escolhas tomadas diante a ameaça. As descrições dos cenários, bem como a anatomia do Alien (ao menos em suas primeiras formas) são bem explorados pelo autor, enquanto no filme, são detalhes quase que descartáveis.

Aproximou a mão de outra chave vermelha no painel de controle e a afastou sem tocá-la. A ativação da comporta do corredor já devia ter sido detectada na ponte. Isso não alarmaria ninguém que tivesse notado, mas fechar a comporta da nave auxiliar sim. Por isso, deixou aberto o caminho ao corredor, curtindo a reconfortante sensação de estar a um simples toque de fugir da Nostromo, do horror e das incertezas que nela residiam...
Alien (pág 214).

           Intencional ou não, existe dentro da obra uma boa crítica ao sistema capitalista. Na história, o homem já consumiu todo o petróleo que podia explorar na Terra. A essa altura, a ciência já havia conquistado outras formas de combustíveis, porém, não havia como substituir todos os tipos de produtos, como o plástico. Além disso, temos o fato que muitas vezes o dinheiro e a ganância são colocados acima de vidas humanas, que para o bem de conglomerados empresariais, são consideradas secundárias e até mesmo descartáveis. E por fim, até onde a ciência pode ir? Até que ponto é ético tentar subjugar seres viventes em nome das descobertas? Outro detalhe curioso é que naquela época (1979) os autores, tanto do roteiro, quanto do livro, pensavam em viagens interestelares, naves gigantescas, criaturas de outro mundo, mas algumas coisas ainda eram intrínsecas à sua época, como o uso de gravadores de fita cassete que Ripley usa para fazer um registro, algo impensável nos dias de hoje, quem dirá daqui a algumas dezenas de anos no futuro.

As energias de fusão e solar abasteciam todas as máquinas humanas. Mas não conseguiam substituir os produtos petroquímicos. Um motor de fusão não conseguia produzir plásticos, por exemplo. Era mais fácil que os mundos modernos existissem sem energia do que sem plásticos. Portanto, embora incongruente do ponto de vista histórico, a maquinaria carregada pela Nostromo tinha viabilidade comercial, bem como o repulsivo líquido preto que ela paciente processava.
Alien (pág 33).



A equipe da Nostromo. Da esquerda para a direita: Kane, Lambert, Dallas, Parker, Ripley, Brett, Ash

Senti muita falta das pausas textuais. Aqueles pulos de linha ou avisos de que a narrativa mudou de foco. Em vários momentos lia sobre determinado assunto e de repente fui jogado em outro completamente diferente sem aviso. As mudanças de narrativa dos personagens e cenários são bruscas na obra e perdi o foco mais de uma vez tentando identificar onde eu estava na história. O tradutor da obra (não sei como é a versão em inglês) usa em demasia algumas palavras mais rebuscadas que a meu ver são (em sua maioria) desnecessárias e interrompem um tempo precioso de leitura para aqueles que precisam identificar em um dicionário o que a palavra significa e até mesmo aportuguesam algumas palavras que normalmente usamos em inglês (como Layout, que virou leiaute), o que não é muito comum e ficou meio esquisito na minha opinião.

Imagina topar com um bicho desses num corredor...


A obra é toda narrada em terceira pessoa. Como disse anteriormente, o livro começa muito arrastado, o leitor tem de ter um pouco de paciência até o momento em que a leitura fica mais ágil e dinâmica. Os personagens são bem construídos dentro da obra e respeitam suas características apresentadas no começo da narrativa. A relação de tempo é toda linear, acompanhando os passos dos tripulantes na luta pela sobrevivência. A revisão não está livre de erros, principalmente os de concordância. Não são muitos, mas para um livro pequeno como esse, podem incomodar os mais críticos. Já a formatação está ótima, com bons espaços entre as linhas, que facilitam a leitura. A diagramação está excelente. A editora faz um trabalho esplêndido em suas obras. As primeiras páginas contêm ilustrações do Alien, do interior da nave Nostromo e uma nota do autor. Ao final uma entrevista com a atriz Sigourney Weaver (a Subtenente Ripley). A capa dispensa comentários, mostrando logo de cara todo o terror que aguarda os leitores nas pouco mais de 300 páginas que compõem a obra.
          Alan Dean Foster nasceu na cidade de Nova Iorque em 1946. Graduou-se em Ciências Políticas pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, onde também formou-se mestre em Belas-Artes aplicadas ao Cinema. É aclamado por seus romances baseados em sucessos do cinema, entre eles Star Wars e Transformers, além da série Alien, uma das mais bem-sucedidas franquias de terror e ficção científica da história. O roteiro do primeiro filme de Star Trek, lançado em 1979, foi escrito por ele. Foster trabalha também como roteirista de jogos de videogame, e seu livro Shadowkeep é considerado a primeira novelização de um game.
Não tem como negar que Alien meteu medo em muita gente. Então, nada mais justo do que começar recomendando a obra para os entusiastas do gênero. Os fãs de ficção científica também podem se encontrar facilmente nessa obra, pois há várias descrições referentes a viagens espaciais, bem como conceitos sobre o salto no hiperespaço e obviamente, vida alienígena. Aos temerosos, cuidado com a leitura. Altos riscos de sustos. Mantenham as luzes acesas e muito cuidado com os cantos escuros, pois o Alien sabe muito bem se esconder em espaços pequenos. Os que gostam de dinamismo do começo ao fim, peço paciência e aguardem a chegada do oitavo passageiro.
         Se por acaso existir vida em outros planetas, rezo para que não seja algo parecido com essa criatura.


Bibliografia de ALAN DEAN FOSTER (ordem cronológica):

O autor publicou diversas obras ao longo de sua vida e ficou difícil para nós catalogar todas, pois não há informações muito precisas de seus lançamentos aqui no Brasil, então deixo para os leitores um link do Skoob com as diversas obras cadastradas no site. ;)

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Comentários
10 Comentários

10 comentários:

  1. Quero muito ler esse livro, inicialmente a capa me chamou bastante a atenção, mas a história também, pois curto histórias de terror e relacionadas a aliens, lendo sua resenha fiquei mais ansiosa ainda para começar a leitura do livro, pretendo lê-lo em breve.

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  2. Resenha incrível! Gosto quando leio algo tão detalhado assim e "Alien" é um clássico! Não há como não assistir/ler. Acredito que todo bom leitor deve ler ou assistir aos filmes ao menos uma vez. Palavra de quem ainda está aprendendo...

    Ensaiando

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  3. Confesso que estou curioso para ler esse livro! Pois escuto muitos falar tão bem.

    Atenciosamente Um baixinho nos Livros.

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  4. Esse livro anda chamando a minha atenção, pois o tema dele anda me atraindo muito nesses últimos tempos. E essa capa é maravilhosa! Dá um clima de suspense pro livro.

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  5. Olaaa!Uma amiga leu recentemente esse livro, apesar da capa ser estranha acho que lerei ele. Caramba que resenha completa !!!

    Beijão da Lari!
    Brilliant Diamond | Fan Page

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  6. Olá, eu morro de vontade de ler esse livro, primeiro porque adoro o gênero e até agora não vi ninguém falar que não tenha gostado do livro, essa edição está maravilhosa!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  7. Juliana Costa Miyake16 de dezembro de 2015 22:52

    Pq n pensei em ler este livro antes de jogar alien isolation? Explica tanta coisa que o jogo deixa vago

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  8. Gente, que resenha incrível! Há muito tempo atrás, quando eu era bem pequenucha, assisti esse filme com meu pai e irmão. Alguns anos depois, quando ainda era leiga em literatura e ficção científica, tentei, sem sucesso, encontrar esse filme novamente, sem saber que nome pesquisar. Atualmente, não sei se leria a obra, pois, como você mesmo disse, pode ser uma leitura aterrorizante até para os que são fãs do gênero. Mas talvez futuramente eu dê uma chance à obra. :3 A resenha ficou ótima e adorei cada detalhe exposto por você.

    Beijos,
    Fernanda F. Goulart,
    Império Imaginário.

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  9. Oie
    Eu recebi o livro mas não é bem o gênero que curto, mesmo assim a capa está bem legal e deve ser uma ótima pedida a amadores do gênero, bela resenha

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  10. Primeira coisa que me atrai, essa capa <3 Não vi o filme, então não poderia fazer as comparações entre os dois como você fez de forma tão perfeita. Confesso que quando não tem aviso da passagem de um personagem para outro ou de um ponto para o outro eu me perco em 2 segundos e isso me desanima um pouco apesar de eu amar ficção! Eu provavelmente não desistiria, mas pularia direto pra parte que fica interessante com o oitavo passageiro kkk sim, sou dessas u.u Tirando esses pequenos detalhes gostei e me despertou bastante interesse a história e amei mesmo a legenda da imagem, afinal esse povo que só fica dormindo (onde eu arranjo um desses pra poder dormir pra sempre?kkk). Como sempre uma excelente resenha frisando os melhores pontos para deixar qualquer leitor curioso, muito obrigada ¬¬
    Beijos

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