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01/10/2016

Resenha – Batman: Arkham knight (Marv Wolfman)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: WOLFMAN, Marv. Batman – Arkham Knight. 1ª edição. Cidade, Editora, Ano. Tradução: Alexandre Callari, 272 páginas.
Gênero: Ação, Aventura;
Temas: Heróis, Vilões, Terrorismo.
Categoria: Literatura estrangeira; Literatura Norte-Americana
Ano de lançamento: 2016











“O fim de uma vida, qualquer que seja, pensou Gordon, deveria ser um evento solene. Não a desculpa para uma festa. Mas conforme observava seus colegas tratarem o momento como se fosse véspera do ano-novo, teve a sensação de que a civilização não tinha progredido muito nos últimos dez mil anos.
“Aqui, em Gotham City, ela provavelmente regredira.”
*Batman – Arkham Knight (pág. 10-11).

                O Coringa está morto.
                Quase um ano se passou desde os eventos em que o palhaço louco transformou Gotham em um hospício a céu aberto. A cidade desfrutava de uma paz até duradoura. Até que, no dia das bruxas, o Espantalho detona uma bomba química em um restaurante para demonstrar o poder de sua toxina do medo. Os infectados sofrem delírios terríveis e, em seu desespero, acabam matando uns aos outros. Prometendo novos ataques, o pânico se instaura e quase seis milhões de habitantes fogem às pressas. Sem números suficientes para suprir as demandas de acidentes, roubos e demais casos, a polícia de Gotham fica impotente diante da nova ameaça.
                Gotham necessitava mais uma vez dos esforços do Cruzado Encapuzado.

Wallpaper do Jogo
            Batman – Arkham Knight é a novelização oficial do jogo de vídeo game de mesmo nome lançado para PS4, Xbox One e PC em 2015. A história é narrada nove meses após os eventos de Batman Arkham City, onde o Homem-Morcego derrota o famigerado Coringa de uma vez por todas.
A obra começa com um prólogo, onde o narrador conta o que houve no dia em que o Coringa finalmente deixou de existir. Pelas mãos do Comissário Gordon, o corpo do palhaço foi incinerado até sobrar apenas o pó a ser varrido da história de Gotham. No presente, o Espantalho entrega à cidade uma amostra de sua nova toxina do medo. O resultado é pânico generalizado e uma cidade novamente entregue ao caos, onde mais uma vez Batman precisa intervir.

Mas a guerra nunca chegou.
               Houve conflitos, alguns mais significativos do que outros; contudo, por nove meses, a cidade vivenciou relativa paz.
               Apesar disso, Gordon nunca permitiu-se relaxar. Afinal, aquela era Gotham City. E, na visão dele, a cidade era, por vocação, incapaz de sustentar a esperança.
*Batman – Arkham Knight (pág. 13).

Batman, suas definições de f@&# foram atualizadas

             No meio de tudo isso, o Homem-Morcego ainda tem de encarar mais dois problemas: a aparição de uma figura misteriosa conhecida como “Arkham Knight”, que veste uma armadura semelhante à dele e pior: conhece seus segredos e pontos fracos, inclusive seu nome. E o outro: nos eventos que antecedem a narrativa, Batman é infectado com o sangue do Coringa, que aos poucos afeta sua sanidade, fazendo-o ter alucinações cada vez mais potentes, onde o próprio Coringa aparece para atormentá-lo.  E acredito que isso foi o grande trunfo da obra: o terror psicológico presente no livro. Em vários momentos me peguei pensando no quanto o Homem-Morcego devia estar sofrendo com as investidas dos vilões, tentando se livrar das alucinações, enquanto com a ajuda de seus amigos tenta de alguma forma salvar a cidade.
 E por que o livro é bom? Primeiro, por apresentar um herói com quem simpatizo bastante em seu lado mais humano, com direito a incertezas sobre seu papel no mundo e claro, o medo de não conseguir fazer o que deve ser feito. Segundo por ter uma narrativa fluida e rica de informações. Por onde Batman passava, um pouco da história de Gotham era contada e isso ajudou muito na ambientação da história. E terceiro por mostrar fielmente os heróis e vilões do universo de Batman, como Oráculo, Asa Noturna, Duas-Caras, Pinguim e o próprio Coringa, que em minha opinião roubou a cena em vários momentos da narrativa, atiçando o herói a “aceitar o Coringa que existe dentro dele”.

“Ei, Bats. Você sabia que sua aparência está um lixo?”. Batman virou-se e viu o Coringa sentado ao seu lado, dedilhando um ukulele.
“Quem sabe se você fosse embora e deixasse o asilo para os loucos não haveria por que culpá-lo. Você podia estar numa praia no Havaí pedindo uns coquetéis e tomando banho de sol. E vou te dizer uma coisa, até mesmo lhe dou uma das minhas camisas”, falou o Coringa. “Elas tem umas manchinhas de sangue e tal, mas, depois de um tempo, você nem percebe”.
*Batman – Arkham Knight (pág. 13).

Meio complicado não ficar doido com um cara te olhando assim
Claro, nem tudo são flores. Algumas coisinhas me incomodaram bastante. Primeiro: Batman, embora seja um homem muito acima da média, não é “Super” como o Super-Man ou Mulher-Maravilha. Repetidas vezes ele toma uma coça dos bandidos (em uma ele até quebra uma costela), mas as coisas vão acontecendo tão rápido que ele não pode parar. Afinal, ele é o Batman. Ok, mas como ser humano ele tem suas limitações e isso não é tão explorado na obra. Pra que se recuperar de um espancamento se você tem uma cidade para salvar? É como se eu estivesse jogando, tomasse uma surra e usa-se algum fator de cura do jogo e beleza, vamos para a próxima fase. Segundo: por falar em fase, o jogo é gigantesco. Não joguei, mas acredito que não seja possível colocar tudo em 272 páginas. Resultado: a obra é corrida, as descrições são rápidas, os combates mais ainda e quase não há espaço para um aprofundamento nas relações entre os personagens (embora nenhum tenha se desviado de suas personalidades). E como “ele é o Batman”, tive a sensação de que estava ali jogando o jogo no “mode easy”, justamente pelo fato do herói resolver as coisas com uma facilidade que beirava o absurdo. E por último: quem nunca jogou os jogos anteriores vai ter dificuldade de entender alguns pontos-chaves da trama. Ou seja, o leitor será obrigado a ir pesquisar na internet sobre os outros títulos a fim de saber coisas que, claro, não vou dizer por se tratarem de mega spoilers.
De um modo geral o livro é bom, mas teria sido melhor aproveitado se tivessem feito uma novelização desde o começo, fazendo uma série de obras, cada uma retratando um dos jogos ou então que o autor tivesse encontrado um outro modo de narrar a história para que não parecesse uma “cópia” do jogo.
           O livro é narrado em terceira pessoa. Embora acompanhe os passos de Batman, a narrativa abre espaço para os pontos de vista de outros personagens (inclusive dos vilões) e isso dá um dinamismo a mais. Os capítulos são curtos, a maioria não ultrapassa dez páginas e isso colabora para uma leitura mais rápida. Sabe aquela coisa do só mais um capítulo? Pois é, aqui essa frase é potencializada, tanto por sua linguagem descomplicada, quanto pela ação frenética. Como os personagens já são conhecidos, eles não têm um desenvolvimento. Eles são o que são e ponto. Para conhecê-los a fundo, se faz necessário recorrer a outras histórias.
A revisão pecou um pouco, com alguns erros de português, mas que não atrapalham o ritmo da leitura. O ponto de grande destaque, claro, fica para a diagramação primorosa da editora. O livro tem uma capa dura totalmente negra, o símbolo do morcego e mais nada. A obra é dividida em 46 capítulos, com prólogo e dois epílogos. Cada capítulo mostra no topo o símbolo com o nome do livro. Um dos livros mais lindos que a Darkside já produziu, sem dúvida.

Cada capítulo tem essa imagem do símbolo
Marv Wolfman, nasceu no Brooklyn, no dia 13 de maio de 1946. Ele é roteirista de histórias em quadrinhos. Sua carreira alcançou o auge na década de 1980, quando criou os Omega Men para a DC Comics e Blade e Nova para a Marvel Comics. Em 1985 foi o escritor da mega série Crise das Infinitas Terras, desenhada por George Perez, e que reformulou o universo DC. Ao lado do mesmo desenhista seria o responsável pelo maior sucesso da DC nos anos seguintes, Os Novos Titãs, introduzindo personagens importantes como Cyborg, Estelar, Ravena e Mutano além do supervilão Slade, atualmente famosos por estrelarem um desenho animado em estilo anime.
Não posso deixar de recomendar, obviamente, para os fãs do Homem-Morcego. Se você, leitor, têm algum tipo de coleção do herói em casa, não pode deixar de colocar mais esse item na sua estante. Recomendo também para os que jogaram o jogo, por se tratar de outra imersão na mesma história. Para aqueles que curtem histórias de Super Heróis romantizadas, esse livro é uma boa pedida. Aos que não conhecem muito sobre o a série, tentem se ambientar nos jogos anteriores antes de lerem esse livro. Vai por mim, vai ajudar bastante a entender a trama. E por fim, aos fãs da editora que aposta no escuro, Batman – Arkham Knight é uma obra indispensável à sua coleção.



Bibliografia de MARV WOLFMAN (ordem cronológica):

Livros:

  • Batman: Arkham Knight – Darkside Books (2016).

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Comentários
15 Comentários

15 comentários:

  1. Vi tanta coisa bem...desanimadora desse livro. Muita gente falando que podia ser mais, que faltou alguma coisa, que a escrita deixou a desejar ou não retratou bem o personagem. Mas aí não sei, só lendo mesmo pra entender. Não sou muito fã dele, mas fiquei até um tanto curiosa quando vi. No geral ele parece ser um livro bom mesmo, mas acho que não é desses que a gente vai cheio de expectativas por uma obra fenomenal. É mais uma forma de conhecer o personagem, mas aí acho que só fãs mesmo pra curtir esse jeito do livro.

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    1. Vá sem expectativa que talvez você se anime com a leitura. Mas seria melhor você procurar por outras publicações antes de ler essa.
      Beijos!

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  2. Até que achei legal várias coisas sobre o livro, mas não sei se leria pelos pontos negativos. Nunca joguei o jogo e nem pretendo jogar, muito menos jogos anteriores, então eu não gostaria de ter que pesquisar sobre algo que aparecesse no livro sem explicação. Enfim, quem sabe um dia eu venha a ler, mas não é certeza.

    Abraços :)

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    1. Não é bem sem explicação... é algo como "Isso já foi dito no jogo anterior, não tem porque detalhar isso agora". Uma dica que dou é dar uma olhada em reviews sobre o jogo ou vídeos no Youtube ;)
      Beijos!

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  3. Luciano!
    Como boa fã do Batman desde a adolescência, seria uma leitura interessante de ser feita, embora nunca nem tenha ouvido falar do jogo e não conhecer alguns pontos como você identificou.
    O que me interessou mesmo foi o thriller psicológico devido a contaminação com o sangue do Coringa, gostaria de acompanhar as alucinações que o Batman desenvolve.
    “A sabedoria é um adorno na prosperidade e um refúgio na adversidade.” (Aristóteles)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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    1. Então você vai adorar esse livro! Porque tem muito disso. O Coringa é muito persuasivo em detonar a mente do Batman! rsrs

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  4. Juro que quando vi o nome Batman achei que era uma HQ e já murchei toda, mas a animação voltou quando vi que era algo mais descritivo. Nunca fui fã da franquia, mas acho que seria uma boa oportunidade para eu conhecer mais o personagem e quem sabe mudar de ideia? Tem algum livro anterior a esse ou já começa assim "começado"?
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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    1. Oi Eduarda!, então, esse já começa "começando". Para entender mais sobre essa franquia em especifico tem de jogar os jogos anteriores. Uma boa pedida seria ver os vídeos das Cutscenes no Youtube. Vale a pena :)
      Beijos!

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  5. Então, eu já ouvi falar do livro não o li mas... joguei o jogo (ok falta zerá-lo mas ta indo!). Achei o jogo muito bom e realmente o Coringa cumpre seu papel para deixar o Cavaleiro maluco. Esse é o tipo de livro para complementar quem já conhece o universo de Batman né? Particularmente, achei a presença da Era no jogo bem sem sal, no livro tbm é assim? E realmente, em termos de arte, esse livro está muito bonito! Ótimo post, gostei muito! Abraços!

    Metamorphya•••

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    1. Olá, Bruna! Eu ainda não tive a oportunidade de jogar. Só vi alguns vídeos para poder escrever a resenha rsrs
      Sim, é um livro para complementar para quem já conhece. É necessário recorrer a outras mídias. Apesar da Hera ser crucial, ela é sim sem sal. Ao menos no livro, não sei se ela é assim em outras mídias.
      Obrigado pelas palavras, acompanhe nossos posts especiais de Halloween!
      Beijos ;)

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  6. Hello :)

    Então... Eu não gosto muito do Batman, não sou de ler quadrinhos e muito menos jogar (mas isso é porque não tenho coordenação pra isso), então assim, pense em alguém q n entendeu patavinas do post... Eu! Uma pena porque foi muito bem contruido. Essa área do Batman é com meu irmão haha

    Beijinhos e que a Força esteja com você!
    www.uncreativeplace.com.br

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    1. Olá, Bia! Mostra o post para ele rsrs
      Obrigado pelas palavras.
      Que a força esteja com você também.
      Beijos!

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  7. ADOREI as citações do livro que você colocou no post!
    Ja vi algumas pessoas falando desse livro mas ainda não tinha parado para prestar atenção.
    Me interessei pelo livro, só fiquei com um pouco de receio devido aos pontos negativos que você citou já que eu não joguei o jogo. Mas gostei da sua resenha, ficou bem completa e esse livro também parece ser muito bonito.

    Beijos
    www.epilogoembranco.com.br

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  8. Eu sinceramente não curto novelizaões. Fico com a impressão de que a pessoa só escreveu o que viu, mas isso talvez porque as que eu vi eram bem ruins. É isso que me desanima um pouco na Dark, a grande maioria dos livros são adaptações literárias de filmes. Mas as edições sem dúvidas são muito lindas. E eu gostei muito desse livro do Batman, morro de vontade de te-los nas mãos, mas infelizmente não será tão cedo.

    E sobre o tamanho do jogo, é verdade que ele tem muitos recursos e missões e o mapa é enorme. Mas de história, não tem muito não, acho que realmente o suficiente para caber nessas paginas. Meu namorado jogou aqui em casa, achei bem decepcionante a duração do modo história. Tanto que ao terminar o jogo, ainda sobram várias missões para concluir sem necessidade de história.

    Bites!
    Tary Belmont

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  9. Eu nunca fui super fã do Batman, mas acho que é mais por desconhecimento a respeito do personagem. Só assisti aos filmes mais novos e ainda por cima pulei o primeiro. Mas tanta gente gosta dele que tenho curiosidade para conhecer mais. Achei que com esse livro dava para fazer isso, mas pelo que você falou na resenha, acredito que eu ficaria um pouco perdida :(
    Mas quem sabem se um dia eu jogar os jogos anteriores eu não pegue pra ler? :)
    Essa edição da Darkside é muito bonita mesmo!
    E gostei muito da sua resenha, acho que você passou muito bem os pontos principais e os poréns do livro e ficou super completa!

    Beijos!

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