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01/08/2017

RESENHA - BONECO DE PANO (DANIEL COLE)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: COLE, Daniel; tradução de Marcelo Mendes. Boneco de Pano. 1ª edição. São Paulo: Arqueiro. 336 páginas.
Gênero: Ficção. Romance policial.
Temas: Vingança. Investigação. Serial killer.
Categoria: Literatura Estrangeira. Literatura inglesa.
Ano de lançamento: 2017.








“Abandonado na companhia do grotesco cadáver, Wolf deixou-se escorregar para o chão e ficou ali, encolhido no seu canto. Correu a mão pela nuca e viu que os dedos saíram sujos de sangue. À sua volta, dezenas de labaredas minúsculas e oleosas ainda ardiam sobre o chão molhado feito lanternas japonesas guiando espíritos perdidos para o mundo dos mortos. Atordoado, ele inclinou a cabeça para trás e abriu as mãos para que a chuva fria dos aspersores lavasse seu sangue.”
*Boneco de Pano (pág. 63).

Após o caos ocorrido no julgamento de um serial killer investigado por William Fawkes, conhecido como Wolf, o detetive vira novamente o centro das atenções quando um cadáver formado por partes de diferentes corpos é colocado no apartamento que fica em frente ao dele, com a mão apontada para o local onde mora. O monstro – que mais parece um boneco de pano por conta da forma que foi costurado – é o próximo caso de Wolf, Emily Baxter e outros colegas da polícia de Londres.
O assassino deixa para a repórter e ex-mulher do detetive fotografias do boneco e uma lista com as seis próximas vítimas. A última é o próprio Wolf. Atordoado pelos fantasmas do passado, o detetive percebe que as pessoas listadas têm muito a ver com ele. Os policiais precisam se desdobrar para encontrar o autor dos crimes que se esconde entre as ruas de Londres.  
 “Boneco de pano” é um livro eletrizante, com várias cenas de ação e diálogos característicos de obras que envolvem investigação policial. Logo no início conhecemos a história do protagonista William Fawkes, o Wolf: ele se envolveu profundamente no caso de um serial killer que foi inocentado mas, pouco tempo depois, voltou a assassinar jovens – como o detetive havia previsto.
Depois de perder a esposa Andrea Hall e recuperar o prestígio, Wolf se vê novamente em frente a um caso que ganha grande repercussão no Reino Unido. O serial killer mata seis pessoas, costura partes dos corpos delas e monta uma espécie de boneco de pano. Intriga o fato da aberração estar posta no prédio em frente ao apartamento do detetive, com a mão apontada para a janela dele. A partir daí, a leitura fica insaciável e quem acompanha quer logo descobrir o que liga Wolf ao assassino.
"Naguib Khalid estava preso numa unidade de segurança máxima. Matá-lo decerto havia exigido um planejamento demorado e complexo. Por isso Wolf supunha, talvez erradamente, que o assassino o tivesse matado primeiro, antes de passar para os alvos fáceis. Ele agora se perguntava qual das outras cinco vítimas já estaria desmembrada no momento da filmagem e, mais importante ainda, por quê?" *Boneco de Pano (pág. 86).
Para amarrar a atenção dos leitores, a obra ainda traz um trunfo: Wolf é o último da lista dos próximos a morrerem, divulgada pelo assassino. O detetive é a chave de todos os crimes e, mesmo jurado de morte, não se deixa abalar. O personagem principal ganha pontos pelo humor e astúcia.
A obra nos apresenta vários personagens da polícia de Londres. Todos estão empregados em correr contra o tempo para desvendar as mortes do caso do boneco de pano e ainda salvar as pessoas que estão na mira do serial killer. Entre eles se destaca Edmunds, o ajudante de Emily. O jovem de 25 anos era novo no departamento de investigação de crimes e é por meio dele que a equipe consegue descobrir grandes pistas sobre o assassino.
Além da ex-esposa de Wolf – a ambiciosa repórter Andrea Hall – a trama envolve a amiga e ex-parceira Emily Baxter. Há um clima de triângulo amoroso entre eles, mas, nesse ponto, o autor decepciona. Durante todo o enredo são contadas histórias que Emily e Wolf viveram juntos. Essas cenas instigam a saber mais sobre o passado e o casal nada comum. A trama, porém, perde pontos ao criar uma expectativa de romance e não conseguir levá-lo adiante.
A obra de Daniel Cole é contada em terceira pessoa, por um narrador onisciente. A linguagem é coloquial e contém, inclusive, palavrões. O enredo é bem fluido, mostra todos os lados da investigação, mas o foco narrativo é a vida de Wolf. A relação temporal é truncada, pois o narrador nos apresenta em alguns capítulos flashbacks que ajudam a contextualizar o desenrolar da história.
Durante a leitura é possível enxergar toda a trama como uma série ou filme. As cenas de ação parecem prontas para a adaptação cinematográfica. Mas isso tem uma explicação: Daniel Cole escreveu “Boneco de Pano”, inicialmente, como um piloto para uma série de TV. Não há, no entanto, notícias sobre uma possível adaptação do romance. 
Boneco de Pano é o primeiro livro de Daniel Cole. O autor foi paramédico e atuou em área de fiscalização, como oficial da Real Sociedade Protetora dos Animais e da Guarda Costeira. Ele vive em Bournemouth, na Inglaterra.
Essa obra agradará os leitores fãs de ação, adrenalina e mistério. O livro estimula a curiosidade e, a todo instante, a tentativa de desvendar a identidade e motivação do assassino. “Boneco de pano” é um romance policial típico e, se adaptado para a TV ou para as telonas, ganhará ainda mais admiradores.



Bibliografia de DANIEL COLE (ordem cronológica):

Livros:

·         Boneco de Pano – Arqueiro (2017).
Comentários
9 Comentários

9 comentários:

  1. Este livro não faz meu estilo literario, mas me chamou um pouco a atenção, quem sabe eu comece a ler.

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  2. Adoro uma boa história de investigação policial, assassinatos e coisas assim. A gente fica preso naquilo e adoro ficar criando teorias para as coisas. Já achei legal esse personagem e o envolvimento dele no caso. Com um bom humor ainda por cima deve tornar muito mais interessante. Saber mais dele, do passado e dos relacionamentos cria um personagem mais real, que a gente consegue imaginar existindo por aí e gosto disso nesse tipo de trama. Faz pensar que o caso é de verdade ou poderia ser, sei lá. Acho que fica mais bacana de ler quando a gente consegue ter uma proximidade com o personagem. Só é uma pena esse detalhe do romance aí, mas talvez não seja tão relevante no fim das contas.
    No geral parece o tipo de história que iria gostar de ler. Entrou pra minha lista ^^

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  3. Oi Isadora, acho a premissa desse livro bem interessante e tem mesmo cara de série ou filme de TV e você falar de que inicialmente o romance era um projeto pra TV confirmou minhas suspeitas. Achei tudo muito interessante e fiquei curiosa pra saber mais do caso e acompanhar a investigação. Inicialmente a trama não parece caber um romance, mas eu gosto e fico triste em saber que o autor não conseguiu levar adiante, mas o autor pode resolver fazer uma série e desenvolver mais essa parte futuramente, eu iria gostar rsr. Gostei da resenha e espero ler esse livro futuramente ;)

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  4. Oi Isadora,
    Adoro thrillers e toda vez que alguma editora lança um livro deste gênero fico bem ansiosa para conhecer a trama, por isso este livro entrou para minha lista. Boneco de Pano trás um tema mais pesado, pois o assassino é sádico, calculista e, ainda, consegue mexer com o psicológico do protagonista. Wolf e sua equipe terão um grande desafio pela frente, pois o tempo é curto e o assassino já tem suas próximas vítimas selecionadas. É uma trama instigante e que lembra muito alguns filmes policiais mais antigos. Em relação a romance não acho necessidade de inseri-lo na trama, pois este tipo de livro me atrai pelo suspense, mas sobre virar uma adaptação me parece que o livro tem o enredo ideal para que isso se torne possível (meio no estilo Seven- Os sete crimes capitais). Já estou com um exemplar em mãos e pretendo ler logo.

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  5. Isadora!
    Achei parecido com O colecionador de ossos, embora não seja tão inteligente quanto ele.
    Tenho mesmo lido muito boas resenhas do livro e um bum de que ele é muito bom, acredito que sua resenha foi a mais 'verdadeira', digamos assim, porque falou realmente sobre sua decepção com o livro e do final que não é lá essas coisas.
    Desejo um mês repleto de realizações!
    “A música é uma revelação superior a toda sabedoria e filosofia.” (Ludwig van Beethoven)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE AGOSTO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  6. Confesso que não sou muito chegada a esse gênero literário.
    Mas estou animada pra ler o livro, estou vendo bastante comentários positivos (sua resenha é um deles).
    Parece ser uma leitura bem envolvente, do inicio ao fim!
    E a história tem um certo diferencial, algo inovador mesmo, que chama a atenção do leitor. Parece ser muito bem construída, os personagens também.
    Espero conferir em breve. As vezes é bom sair um pouco da nossa zona de conforto né.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  7. Oi Isadora, tudo bem?
    A primeira vez que li a premissa deste livro eu pensei "que coisa mais macabra", e ao mesmo tempo fiquei super intrigada para a leitura. Não sabia desse triângulo amoroso e fiquei meio com o pé atrás, não gosto disso. No entanto acho que seria uma ótima experiência fazer esta leitura.
    Beijos

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  8. Achei a história super interessante, adoro romances policiais e pelo jeito esse não vai ser diferente, fiquei super intrigada para descobrir quem é o assassino e poder saber mais sobre a lista e o porquê do Wolf também estar nela, o livro parece ser realmente muito bom, só é uma pena que o autor não conseguiu desenvolver o romance que criou.
    Beijos!

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  9. Oi, Isadora!!
    Gosto muito de livros de suspense e mistério. E esse romance policial é sem dúvida uma ótima indicação de leitura, e estou louca para ler.
    Bjoss

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