Tecnologia do Blogger.

30/08/2013

CONTO - A Última Batalha



Título: A Última Batalha
Classificação: +16
Gênero: Ação.
Sinopse: Em uma época onde humanos eram tratados como animais, onde os sádicos romanos clamavam por carnificina e derramamento de sangue. Gladiadores eram treinados para servir de diversão para seus Dominus, nem todos estavam satisfeitos com aquela realidade e alguns se revoltavam. 


A Última Batalha



Como gladiador, nasci para trazer gloria ao meu ludus, gloria embebida com o sangue derramado na magnifica Arena.
Como escravo, nasci para servir meus senhores sem questionar, como se fossem os próprios deuses caminhando sobre a terra.
            Como homem, nasci para ser livre.

            Para os romanos a vida de um escravo não tem valor, somos vendidos e trocados como se nada fossemos, vivemos para servi-los e exalta-los, eles são nossos donos e para eles, somos corpos sem alma.
            Nunca me conformei com essa vida miserável que fui obrigado a levar. Capturado como um selvagem e condenado a servir os malditos romanos como se Júpiter tivesse ordenado e depois vendido como um porco ao abate. Assim eu me tornei um Gladiador.
            Por anos fui treinado para ser um assassino cruel e sanguinário, nada sobrevivia a minha espada, quando se é um Gladiador não se tem escolha, é matar ou morrer.
            Por anos vi meus irmãos morrerem na maldita Arena, alguns inclusive por minhas mãos, para os romanos não basta ver um espetáculo de sangue entre desconhecidos eles gostam de botar irmão contra irmão.
            A Arena é onde, pelo sangue, consegui a tão sonhada glória, sobre o sangue e a areia, e as custas de muitas vidas, vim a me tornar um campeão respeitado. Quando entro a Arena se inflama, romanos das mais diversas idades e classes gritando meu nome, me aclamando como um deus.  Por muito fui aclamado e exaltado por matar meus irmãos, isso não vai mais acontecer.
           

            - Você perdeu a cabeça! – explodiu Barus.
            Permaneci sentado sem alterar minha expressão enquanto encarava meu irmão. Ele me olhava furioso e ao mesmo tempo receoso. Barus desviou o olhar e respirou fundo. Suas cicatrizes de batalha e a marca forjada a fogo em seu braço ficaram visíveis quando ele apoiou seu cotovelo sobre o joelho. Era aquela marca que nos tornava irmãos, irmãos de sangue, assim como todos os outros gladiadores que viviam naquele lugar miserável. O gladiador parecia estar escolhendo as palavras, por vezes abria a boca como se fosse falar algo e antes que suas palavras saíssem ele a fechava e novamente desviava o olhar.
           - Você é louco, Draco, sempre foi. – Ele disse por fim. – E fará isso baseado em que? Em um boato que um dos escravos te contou? Você não pode fazer isso, você é o campeão da Casa Sarpedon, não pode simplesmente deixar isso de lado.
- Campeão? Barus, sou apenas um carrasco, um assassino. – o encarei novamente. – Não quero mais ser responsável pela morte de nenhum irmão, e aqueles malditos romanos clamam por isso! Você sabe que esse pode não ser um boato, só vamos descobrir nossos adversários amanhã na Arena.
- Que venham nossos adversários. Vamos manda-los para o Hades, assim como sempre fizemos. Vamos trazer glória e louros para dentro dessas paredes e ao final do dia seremos brindados com vinho.
- Sabe que as coisas não serão assim. – eu me segurava para não explodir.
Nunca entendi esse sentimento que alguns gladiadores alimentam, é como se não se importassem com o que está realmente acontecendo, como não se importassem de ser tratados como animais. Eles tem sede de sangue, assim como os romanos, eles querem glória e fazem tudo para estar sempre no centro da Arena, ouvindo o público gritar seus nomes e pedir por sangue e morte.
- Draco, as coisas serão assim. Nós vamos vencer, como sempre fazemos. – Barus estava irritado. – Em alguns anos poderemos comprar nossa liberdade e não seremos mais escravos. Juntos e gloriosos, como irmãos, sairemos desse lugar, nossos nomes serão eternos e seremos referencias para todos os novos gladiadores que chegarem. Seremos lendas. Deixe de ser idiota, você irá entrar naquela Arena amanhã e irá matar quem quer que esteja a sua frente, Roma irá gritar seu nome e mais uma vez o Campeão sairá invicto. Não é porque uma escrava alega que iremos nos enfrentar que você deve desistir. Esqueça isso, é mentira. Nos prometeram que nunca mais enfrentaríamos nossos irmãos.
- A promessa de um romano... É a isso que você se prende? A palavra de um romano vale menos que nada, achei que você já tivesse entendido isso há muito tempo. – me levantei e sai sem olhar para trás.

A Arena estava, mais uma vez, em chamas. Os romanos estavam em extrema euforia, eles tinham sede de sangue e não queriam mais esperar para matá-la.  Meu pensamento estava focado no que eu tinha de fazer, pouco me importava as consequências daquilo. Eu sabia o que me aguardava, sempre esperei que esse dia chegasse.

Por trás das enormes grades eu assistia, um após outro, gladiadores caírem e se elevarem. Assistia meus irmãos conquistando vitórias mas também assistia a queda de outros. O cenário era sempre o mesmo e só mudavam os personagens. Não sei quantas milhares de vezes estive aqui, presenciando de perto essas lutas ou quantos amigos já perdi, mesmo após tantos anos eu nunca consegui me acostumar a esse jogo sádico. O ódio foi crescendo a cada nova luta assistida. No início me perguntava como podiam os deuses permitir algo assim, com o passar do tempo passei a compreender que isso era para eles, assim como para os romanos, uma diversão.

As areias da Arena, que um dia foram claras e limpas, já estavam há muito manchadas de vermelho e, novamente, se viam encharcadas com o sangue de inúmeros gladiadores que tiveram suas vidas ceifadas para a diversão dos romanos.
A luta principal, a minha luta, se aproximava a cada homem abatido. Eles tinham uma surpresa para o público, eu sabia qual era, e preparei uma muito maior para eles.

- Povo de Roma! – a voz de um homem vestindo uma túnica branca se fez ouvir, ele estava à frente do camarote principal, onde só os mais ricos e influentes podiam ficar.
A multidão se aquietou e olhou atenta para o homem alto que falava.
- Por muito tempo vocês elevaram vários campeões, clamaram por vários nomes e hoje... – o romano fez uma pausa dramática. – hoje vocês irão descobrir qual é o verdadeiro campeão. Qual desses Gladiadores é o verdadeiro Titã da Arena. – ele deu uma ênfase precisa nessas três últimas palavras.
A plateia entrou novamente em euforia, seus gritos e assovios eram ensurdecedores.
Barus me encarou com tristeza e veio até mim. Ele estava pálido.
- Continuo achando que você está louco. – ele me olhava. – mas estou com você nessa.
- No dia de hoje vocês verão a luta do século! Dez campeões lutarão entre si sob essas areias, somente um sairá vitorioso. – Os gritos da multidão serviam de incentivo para que o homem continuasse a falar cada vez com mais entusiasmo. – Irmão contra irmão, amigo contra amigo, inimigo contra inimigo. É isso o que verão hoje.
- O que tem em mente? – Barus falava enquanto encarava o homem.
- Não estaremos sozinhos na arena. Os guardas irão entrar conosco e se colocar ao redor da luta com lanças. – eu repassava o que me haviam contado.
- Certo, e depois? – ele agora me olhava.
- Atacamos – voltei meus olhos para o centro da arena - e torcemos para que os outros façam o mesmo.   

Fomos anunciados e exaltados como sempre acontecia. A multidão gritava nossos nomes, cada um gritava por seu favorito e por fim não se entendia mais o que os romanos gritavam, eram apenas barulhos estranhos que não podíamos entender. Entramos na arena e seguimos para o centro. Muitas lutas já haviam acontecido naquele lugar e muito sangue havia sido derramado, onde antes havia areia vermelha agora nos afundávamos em alguns centímetros de lama, areia misturada ao sangue fresco daqueles que haviam travado sua última luta naquele dia.
Barus estava ao meu lado. Olhávamos nossos oponentes, alguns rostos familiares, conhecidos de batalhas passadas ou então aqueles que haviam sido vendidos de nosso ludus, antigos irmãos. Segurava minhas espadas com força enquanto olhava meus oponentes e os guardas que nos ceravam, tal como a escrava me havia contado.
Estávamos posicionados em um círculo quase perfeito, quando a luta fosse autorizada a carnificina começaria, um novo banho de sangue faria com que a lama aumentasse e a multidão se alegrasse.
- Comecem. – o homem gritou com entusiasmo.

Essa foi a deixa para que todos começassem a se atacar. Todos foram em direção ao centro do círculo para se enfrentarem e era com isso que eu contava. Barus e eu fomos na direção contrária, atacamos os guardas que estavam mais próximos de nós, eles não esperavam por isso.
Acertei no alvo, passei minha espada pela jugular do guarda que caiu no chão se esvaindo em sangue. As areias da Arena manchadas com sangue romano, isso chegava a ser um tanto irônico. Os outros guardas logo perceberam o ataque, mas não antes que eu acertasse um segundo guarda. Quando os guardas saíram de suas posições para acabar com o caos os outros gladiadores perceberam o que estava acontecendo e vieram se juntar a nós.
Alguns gladiadores sonham com a arena, sonham com a glória que aquelas areias proporcionam. Eles sentem prazer ao ouvir seus nomes aclamados pela multidão. Sentimentos esses que sempre me foram estranhos e repulsivos, era um sentimento que eu jamais compartilharia com meus irmãos mas se tinha um sentimento que todo e qualquer gladiador ou escravo sempre alimentou foi o ódio pelo povo romano, o sonho de um dia poder se vingar de tudo o que sofreram nas mãos daqueles assassinos e por isso, não pensaram duas vezes antes de cravar suas espadas no crânio daqueles guardas nojentos.
Os guardas lutavam melhor do que pensei, deram mais trabalho do que achei que dariam... Eles eram bons, mas não eram gladiadores, não conseguiriam nos vencer.
Minhas espadas já haviam sentido muitas vezes o gosto de sangue mas nunca nenhum foi tão saboroso quanto o que sentiam agora. Sangue romano, com sabor de vingança.
Os guardas jaziam no chão cobertos de areia e sangue. Parei encarando o camarote principal, onde os poderosos romanos assistiam aquela cena sem acreditar no que viam. Eu não tinha muito tempo, mais guardas chegariam.
Retirei duas lanças do peito de um guarda que ainda agonizava e as segurei com força ainda encarando os rostos assustados do camarote.
- Sangue exige sangue. – eu pronunciava as palavras com ódio. – Eu nunca pedi para estar aqui, matando meus semelhantes. Vocês, romanos, nos tratam como selvagens e não enxergam que a irracionalidade está em vocês. Vocês são os verdadeiros selvagens, clamando por sangue.
Os guardas chegaram, mas o homem que anunciava os jogos fez sinal para que esperassem. Os gladiadores restantes mantinham suas espadas e lanças apontadas para eles enquanto eu falava.
- Por muitos anos vi meus irmãos caírem enquanto todos encaravam isso como um esporte, uma diversão. Não vou mais aceitar isso. As areias dessa arena estão manchadas com um novo tipo de sangue, sangue romano, para que sempre se lembrem desse dia.
- Já chega, escravo. – o homem gritou do camarote.
- Draco, pare com isso, eu ordeno. – Dominus gritou se levantando e vindo à frente do camarote.  
- Dominus. – eu disse com desdém – não havia visto o senhor. – eu o encarei com ódio. – A vida de vocês, pertence somente a vocês! – eu agora me dirigia aos escravos e gladiadores que me olhavam atentos. – Vocês merecem a liberdade, e nunca encontrarão isso se continuarem se curvando para aquele que se denomina seu ‘Dominus’.
Voltei a encara-lo.
- Pare com isso agora. – Dominus berrou enfurecido.
- Como queira, meu senhor. – apontei uma das lanças para ele e lancei.
Seu olho esquerdo foi perfurado com exatidão, ele caiu pra frente e o cabo da lança o sustentou enquanto seu crânio deslizava lentamente em direção ao chão. Seu sangue escorrendo e manchando o chão do camarote.
A segunda lança também não errou seu alvo, o coração do homem que anunciava os jogos foi atingido e ele despencou de cima do camarote em direção as areias manchadas.
Olhei a cena e sorri e enquanto saboreava a vingança uma dor aguda me atingiu por trás, ao olhar pra baixo me deparei com a ponta da espada que havia me atravessado, o sorriso não saiu do meu rosto. Cai de joelhos, ainda sorrindo enquanto o caos aumentava ao meu redor. Outra lamina me atingiu, dessa vez no ombro, e eu cai ali, no centro da Arena.
Eu sempre soube onde seria meu fim mas ele não vai ser da maneira como todos esperavam.

Um escravo nunca ganha sua liberdade. Aquele que nasce para ser um escravo está condenado a viver uma vida de miséria eterna.
Todo homem nasceu para ser livre, poder escolher seus caminhos, mas isso nunca é respeitado e aquele que nasce escravo vai morrer como escravo, e na morte finalmente encontrar sua tão almejada liberdade.
Um gladiador não teme a morte, ele a abraça.
Uma morte honrosa e a promessa de finalmente ser livre é o que sempre esperei.
Com minhas últimas ações posso ter mudado alguma coisa, posso não ter mudado nada, mas abraçarei a morte com a certeza de que fiz o que deveria ter feito, não me calei diante a opressão e vinguei aqueles que o fizeram. 




Autora: Jéssyca Alves. 

Idade: 19 anos 

Localidade: Brasília

Redes Sociais: FacebookTwitterGoogle +  

Quer saber como enviar o seu conto? Clique aqui.


Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Spartacus é uma série ótima e a FanFic ficou tão boa quanto.

    ResponderExcluir
  2. Spartacus é uma das minhas séries preferidas, muito boa mesmo :)

    Valeu ^.^

    ResponderExcluir

Deixe o seu comentário!