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30/03/2016

Elencos Imaginários #01: A lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

Olá, leitores da Academia! Tudo bem com vocês? Hoje trazemos a vocês, nossos queridos leitores, mais uma grande novidade! Vamos estrear uma nova coluna no blog chamada Elencos Imaginários!
Vivemos em uma época onde a literatura tem se transportado cada vez mais para as telas do cinema (e contas do Netflix). Obras adaptadas não faltam, não é mesmo? Esse ano 
teremos várias adaptações (e é claro que falaremos de alguns filmes na nossa coluna “Cine Academia”). 
Bom, mas é os nacionais? Já pararam para pensar como seria a adaptação da obra do autor nacional x ou y? Quem seriam os atores? Quem seria o diretor? É essa a proposta que traremos nessa nova seção do blog. Uma brincadeira (com fundos de “pelo amor Netflix! Nunca te pedi nada”).
Para a estreia, convidamos nosso autor parceiro e amigo Enéias Tavares, criador do mundo de Brasiliana Steampunk e autor da obra “A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison”. Sentem-se, peguem sua pipoca e divirtam-se com nosso Elencos Imaginários!



Enéias Tavares

Como já expressei em algumas entrevistas, em minha opinião, o que ainda falta para a consolidação da nossa literatura fantástica nacional seria a adaptação para um grande filme ou minissérie televisiva, como vemos acontecer nos efervescentes mercados estadunidenses e ingleses. Todos ganhariam com isso: Editoras em busca de leitores e emissoras ou produtoras em busca de espectadores, vide o crescente desafio do audiovisual brasileiro em manter suas audiências. Assim, foi com grande entusiasmo que aceitei o convite de Luciano Vellasco para estrear a seção Elencos Imaginários do Academia Literária DF.
Para um escritor, é delicioso cogitar quais seriam os artistas que personificariam os heróis e heroínas de seu mundo ficcional. No caso de Brasiliana Steampunk, esse exercício imaginário, que talvez um dia se realize – vá saber o que os deuses ou os mestres da Netflix têm em mente! – é intensificado pela oportunidade única de não apenas revisitar nosso patrimônio literário como também de valorizar a diversidade étnica e cultural que compreende nosso grande país. Espero que vocês se divirtam com essa brincadeira hipotética. Eu particularmente, senti-me um demiurgo blakeano ao escalar essas estrelas!



Para a direção, não consigo imaginar ninguém melhor do que o mestre Luiz Fernando Carvalho, responsável por pérolas televisivas como Os Maias, Hoje é dia de Maria, Capitu e a Pedra do Reino, além de filmes memoráveis como Lavoura Arcaica e a recente minissérie Dois Irmãos. Seu cuidado com a fotografia, com a reconstituição de época, bem como com a dramaturgia é primoroso, resultando em obras que sempre expandem os limitados padrões da produção audiovisual. Baseada em sua paixão por recriações de obras literárias, penso que ele faria um trabalho memorável com os heróis de Porto Alegre dos Amantes.


Para o roteiro baseado em um romance cuja estrutura é um quebra-cabeça complexo e entrecortado, precisaríamos de um talentoso autor que não apenas tivesse experiência com a mídia audiovisual como também com o gênero romanesco. Essa especificidade é atendida por Max Mallmann, que além de ter assinado diversos roteiros para minisséries e novelas da Rede Globo, é o autor dos romances históricos e fantásticos “O Centésimo em Roma” e “As mil mortes de César”, ambos publicados pela editora Rocco.


Vamos agora ao elenco. Para o jornalista Isaías Caminha, criado por Lima Barreto, herói que nos introduz no universo de Brasiliana Steampunk, eu escalaria Fabrício Boliveira, que fez um trabalho corajoso e marcante no filme Faroeste Caboclo. Sua sensibilidade e força combinam com o jornalista que se vê capturado pelo mistério envolvendo o temível doutor Louison e a sociedade secreta Parthenon Místico.


Para a médium indígena Vitória Acauã, criada por Inglês de Souza, eu sugeriria Suyane Moreira. Além dos traços indígenas belíssimos, ela tem uma voz grave e firme, além de uma presença de cena fabulosa, vide sua atuação na minissérie Amazônia. Diante dela, não surpreende que Isaías tenha desistido de retornar ao Rio de Janeiro de Todos os Orixás.


Pensando no satanista imortal Solfieri de Azevedo, criado por Álvares de Azevedo, Gabriel Leone é uma escolha um tanto óbvia. Além da pele pálida e dos traços delicados, ele tem aquele olhar absolutamente intimidador e enigmático. Adorei-o em algumas cenas da minissérie Verdades Secretas, apesar de ali ele interpretar um sujeito bem mais sensível do que o amaldiçoado anti-herói de Noites na Taverna.


Para a vilã e femme fatale Madame de Quental, uma das personagens inéditas de “Lição de Anatomia”, escolheria Vanessa Giácomo. Apesar de interpretar papeis mais heroicos do que perversos, o ensaio dela para a Vogue Brasil, com fotos de Pino Gomes, comprova seu talento para o sedutoramente perverso, característica marcante desta integrante da Camarilha da Dor.


Quanto ao alienista alienado Simão Bacamarte, criado por Machado de Assis, indicaria o grande Tony Ramos, que não apenas tem uma carreira memorável como a profundidade dramática para interpretar o hediondo doutor e seus experimentos humanos, tudo pelo “bem da nação brasileira”. Tê-lo ao lado de um secretário robótico entrevistando um acorrentado Louison seria impagável.


Quanto à primeira dama do Palacete dos Prazeres, Léonie, criada por Aluízio de Azevedo, precisaríamos de uma atriz mais velha e que, além de beleza e elegância, comunicasse a profundidade associada à perspicaz administradora e dama noturna. Julia Lemmertz atende a todos esses requisitos, além de certamente trazer a esse papel muito da sua costumeira sagacidade.


Para a Lolita Pombinha, também criada por Azevedo, escalaria Giovanna Grigio, não apenas pela beleza delicada e pelo talento primoroso como atriz, como também pela impetuosidade necessária à personagem. Tais características, algumas bem contrastantes, dariam uma profundidade singular a essa dama do Palacete dos Prazeres. Ademais, Grigio também tem “um rosto de Botticelli num corpo de Caravaggio”.


Quanto ao furacão Rita Baiana, fechando a tríade de O Cortiço, nada há, atualmente, nenhuma outra atriz que possua a beleza e a presença de Cris Viana. Por ela, podemos imaginar lutas, batalhas e assassinatos, em cortiços ou palacetes, entre marginais perigosos ou respeitáveis pais de família. Por outro lado, só ela atrairia igualmente Cândido, Louison e Beatriz. Afinal, estamos em Porto Alegre dos Amantes, não?


Par romântico – essa expressão se aplica a Lição de Anatomia? – de Rita Baiana e um dos protagonistas da história, o investigador Pedro Britto Cândido possui aquela justiça autoritária e monocromática, na qual o bem e o mal não se misturam. Para ele, sugeriria Domingos Montagner. Além do rosto pétreo, possui aquele queixo de investigador de filme noir que eu sempre associei ao personagem. Encarnado por ele, Cândido seria certamente um desafio à altura do complexo e ambíguo Louison, o temível doutor.


Quanto ao fundador do Parthenon Místico, o cientista louco Doutor Benignus, criado por Augusto Emílio Zaluar, eu indicaria o hilário Marcos Caruso, que levaria para o velho herói uma dinâmica enérgica e delirante, características desse fabuloso Dom Quixote à brasileira, mistura de explorador lunar de Julio Verne com o viajante espacial e temporal Doctor Who.


Para o aventureiro profissional Bento Alves, criado por Raul Pompeia, eu escolheria Thiago Lacerda, que não apenas interpretou o Capitão Rodrigo, uma de minhas inspirações para essa releitura de Alves, como também por ter aquela expressão ora apaixonada ora zangada, necessária para afugentar os criminosos e calhordas de Porto Alegre dos Amantes. Lacerda mete medo sem nada dizer, o que é o caso deste Indiana Jones tupiniquim.


Para o parceiro de Bento Alves – nas batalhas e nos lençóis! –, o investigador do oculto Sergio Pompeu, também criado por Pompeia para O Ateneu, escalaria Rafael Cardoso, que além do rosto delicado e dos marcantes olhos azuis, tem a delicadeza necessária para o dandismo do personagem. Como Sergio é o protagonista do segundo volume da série, O Parthenon Místico, essa indicação também leva em conta tudo aquilo que o herói vivencia nessa história, ao enfrentar a atroz Ordem Positivista gaúcha.


Chegando ao final do nosso elenco imaginário, indico agora os atores que interpretariam os dois protagonistas inéditos – ou três – de Lição de Anatomia. Para Dante D’Augustive, esse autor de histórias policiais, abolicionista convicto e também fundador do Parthenon Místico, indico Taís Araújo, uma vez que, como veremos esse “cavalheiro” esconde muitos segredos.


Entre eles, o fato de tratar-se de Beatriz de Almeida & Souza, escritora negra que precisou transvestir-se de homem para ter seus textos publicados, prática comum à muitas autoras do século dezenove que eram obrigadas a criar pseudônimos masculinos para evitar o escândalo. Absurdos misóginos à parte, para interpretar Dante/Beatriz precisaríamos de uma atriz que tivesse não apenas as características físicas dos dois personagens como também o talento para encarar a postura máscula de um lado e sensualidade feminina do outro. Novamente, corroboro Taís Araújo como a escolha mais acertada.


Por último, indico o ator que interpretaria o protagonista do romance, o temível doutor Antoine Louison: Neste caso, apostaria em Caco Ciocler que possui tanto a elegância e a civilidade presentes nesse esteta, poeta e humanista, como também o olhar sombrio necessário ao “Assassino da Nata” ou “Estripador da Perdição”, matador serial que aterrorizou Porto Alegre dos Amantes no ano de 1911. Ao som de Mahler, visualizo-o ofertando aos espectadores a sua assustadora lição de anatomia.  


Chegando ao final deste Elencos Imaginários, convoco os leitores & leitoras de Brasiliana Steampunk a também indicarem quais seriam seus atores ou atrizes favoritas para os heróis de Lição de Anatomia. Quem sabe os deuses – ou alguns produtores – não se motivem a investir nessa história escabrosa e absurdamente (des)respeitosa para com os nossos clássicos nacionais.


Um beijo, queridos. Espero que nos reencontremos em breve.
Enéias Tavares
Santa Maria da Bocarra do Monte, 20 de março de 1897.


Texto de Enéias Tavares
Capa de Rodney Buchemi
Ilustrações de Jéssica Lang
Fotos Divulgação



Chegou a vez de vocês, leitores e fãs de Brasiliana! Quais seriam os personagens perfeitos na opinião de vocês?

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Comentários
13 Comentários

13 comentários:

  1. Realmente os personagens são bem parecidos com os atores! Adorei esse elenco! Quero muito ler esse livro, parece interessantíssimo. Abraços :)

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  2. Nossa, nunca tinha parado para analisar esse livro de verdade e fiquei impressionada com a aparente complexidade dos personagens. Já estou bem mais interessada na leitura. Agora com relação aos personagens, não tenho muito o que opinar porque ainda não li para conhecer a particularidade de cada um, mas achei a escolha de atores muito interessante. Todos tem uma capacidade de atuação inquestionável.
    Parabéns a Academia pela nova coluna!
    Beijos!

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  3. Luciano, eu ainda não tive o prazer de conhecer Brasiliana, mas depois de conhecer mais a fundo cada personagem, confesso que fiquei bastante intrigada com a estória. Fiquei também, bastante impressionada com as semelhanças dos personagens com os atores, parece que o autor criou-os inspirando neles! Incrível!!
    Enfim, adorei a ideia desta mais nova coluna e mal posso esperar para os próximos.
    Bjs!

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  4. Oi!
    Gosto muito desse post e principalmente os autores que você escolheu pois parecem muito com as imagens, com certeza eles encaixariam muito bem no papel e concordo deveriam existir essa maior comunicação entre os livros brasileiros e o cinema, tem muita historia de livro brasileiros que adoraria ver na telinha !!

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  5. Adorei essa nova coluna, achei que os personagens combinaram bem com os atores que tu escolheu.
    Não conhecia o livro ainda mas gostei da análise.
    Aguardo a próxima, espero que seja de um livro que eu conheça rs.

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  6. Nossa, adoro esse tipo de coisa!!! Mas normalmente eu não acho rostos que batam com o que eu imaginei hahaha

    Não conheço a obra em si, mas eu adorei a seleção q vcs fizeram!

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  7. Ahh, quem não sonha quando lê algum livro que gosta muito pra que ele vire filme ou coisa assim? Mas nacional é um tanto raro. Até que ultimamente estou vendo umas adaptações de livros daqui ou anúncios de que vão para as telonas. Super legal essa ideia, gostei da escolha de cada um e vendo pelas fotos lado a lado parecem, ficaria muito bom. Uma ótima ideia pra coluna, quero mais!

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  8. Livro bacana!
    Ótimo elenco. Daria um bom filme.

    Beijinhos...
    http://estantedalullys.blogspot.com.br

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  9. MAS, GENTE! :O ESTOU CHOCADA! Hahaha. Cara, cê deveria ser contratado para sugerir elencos cinematográficos. Uau. Eu não li a obra, mas lendo seus comentários sobre cada personagem e as imagens entre ilustração/ator(atriz) é impossível não imaginar que tudo ficou perfeito no fim (hahaha). Realmente, parabéns.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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  10. Olá Luciano,

    caramba ficou extremamente massa esses elencos imaginários, os atores de fato parecem com os personagens nos desenhos, ficou fantástico e você acertou em cheio nas escolhas, concordo com o que a Francine disse acima, ficou perfeito. Parabéns. www.sagaliteraria.com.br

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  11. Ainda não conhecia o livro mas esse elenco ficou bem convincente hein, gostei das escolhas.

    Frases, Trechos e Pensamentos

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  12. Oioi!
    Que bacana essa ideia de elenco imaginários!
    Adorei mesmo e nao conhecia Brasiliana Steampunk, mas ja achei mto legal as suas escolhas.
    Achei tao parecido eles, haha.
    Beijos.

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  13. Muito show! Já fiquei aqui devaneando com a estréia do filme com esse elenco de peso. São muito parecidos! Foi de fato uma ótima escolha.
    Abs
    Ni
    Cia do Leitor

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