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05/04/2016

RESENHA - 172 Horas na Lua (Johan Harstad)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: HARSTAD, Johan. 172 Horas na Lua. 1ª edição. Ribeirão Preto - SP, Novo Conceito, 2015. Tradução: Camila Fernandes. 285 páginas.
Gênero: Ficção Cientifica
Temas: Missões espaciais, teorias da conspiração, lendas urbanas
Categoria: Literatura Estrangeira; Literatura Europeia.
Ano de lançamento: 2015











“Agora, conseguia olhar através da janelinha do lado direito. Mas tudo o que podia ver era um nada absolutamente negro.
Caitlin soltou seus cintos de segurança e se voltou para Mia, Midori e Antoine. Tirou uma caneta esferográfica do bolso perto da poltrona e segurou-a diante deles. Então, soltou-a. A caneta inclinou-se lentamente, pairando sem peso e afastando-se dela.
Mia ergueu a mão direita, deu um empurrão leve na caneta e viu-a girar na direção de Midori.
Estavam no espaço.”
* 172 horas na lua(pág. 120).


2018.
A humanidade se prepara para um evento histórico: a volta do homem à lua. E com um detalhe: três adolescentes comuns iriam acompanhar os astronautas nessa empreitada. Os tripulantes passariam uma semana em uma base lunar chamada DARLAH 2, um lugar que até pouco tempo atrás só era conhecido pelo mais alto escalão do governo americano.
Mia, Midori e Antoine são os jovens mais sortudos do mundo. Porém, eles nem imaginam que a NASA tinha motivos para não ter enviado mais ninguém à lua.
Estariam mesmo os humanos sozinhos no universo?
Antes de falar sobre o livro, queria agradecer a Jéssica Rodrigues, que insistiu ferozmente para que eu lesse o livro. Saí definitivamente de uma ressaca literária graças a essa dica. Obrigado!
Bom, a obra conta a história de Mia, Antoine e Midori. Os três foram selecionados através de um sorteio para acompanhar astronautas em uma viagem à lua que duraria 172 horas. Depois do anúncio, os três viraram celebridades instantâneas. Eram o centro de toda a mídia do planeta e iriam ter uma experiência que ninguém da idade deles (entre 15 e 17 anos) jamais teve antes na história da humanidade. Os garotos são levados a uma base da NASA para receber treinamento apropriado e depois de alguns meses, partem para a lua no que seria o maior evento televisivo que o mundo já viu.
Até que as coisas começam a dar errado.


172 horas na lua foi um livro que me surpreendeu bastante. Embora não tenha uma pretensão forte em ser um Best Seller da ficção científica, Johan foi muito feliz ao montar seu enredo. No começo da história somos apresentados aos três personagens centrais da trama, antes deles serem selecionados pelo projeto da NASA. A ideia da corporação gira em torno de atrair a mídia para que conseguissem financiamento, com o intuito de fazer novas pesquisas na lua, pois como todos sabem, o programa foi encerrado nos anos 70 por falta de verbas e algumas coisas que eles classificam como ultrassecretas. A tripulação viajaria para o espaço com destino ao Mare Tranquillitatis (Mar da Tranquilidade), que é uma região lunar localizada na face visível da Lua e é famosa, pois foi onde pousou o Módulo Lunar Eagle, da Apollo 11, em 20 de julho de 1969, na primeira missão espacial a pousar na Lua.
E é nessa premissa que o autor começa a tecer os fios invisíveis da trama e a todo o momento deixa evidente que algo vai dar errado. O legal (e aterrorizante para os curiosos e ansiosos) é que é pouco provável que você, leitor, descubra o mistério até ser tarde demais. Alguns podem não gostar e até reclamar, pois o autor deixou algumas pontas soltas no livro e creio que ele fez isso (ao menos nas mais importantes) de propósito. A obra ficou ainda mais tenebrosa com essa nuvem de questionamentos que pairou sobre a minha cabeça depois de ler a última página.


Os personagens principais obedecem a alguns estereótipos bem comuns dos jovens. Mia é daquele tipo rebelde, que constantemente desafia os adultos; Antoine é o garoto que tomou um “pé na bunda” e acha que nada mais importa na vida e Midori quer ser livre dos dogmas de seu país de origem. E embora alguns possam achar isso insuportável, para mim foi altamente verossímil. Um adendo: não vou comentar quais são os países de origem dos protagonistas, descubram na leitura (rsrs). O autor trabalhou muito bem a personalidade dos jovens nesses estereótipos, tanto que chegam a ser cômicos certos “exageros” ditos pelo narrador na hora de expressar os sentimentos dos jovens.  

E ela, estaria feliz ou ainda pensava nele? Não que saber a resposta pudesse lhe fazer bem. Parte dele desejava que ela estivesse chorando de soluçar, que estivesse arrependida de como agira, que fosse atropelada por um trem no dia seguinte ao ir para a escola. Parte dele queria que ela caísse nos trilhos e que a roda do trem lhe partisse o crânio em dois, que as entranhas jorrassem pela boca e o sangue espirrasse na cara dos transeuntes horrorizados. E havia uma outra parte dele, aquela que ainda amava Simone com todas as forças. A parte que desejava para ela a melhor vida possível, fosse com ele ou com outro que a fizesse mais feliz do que ele conseguiria.
172 horas na lua (Pág. 36)

Minha única crítica vai para o fato que o autor acelerou demais a parte do treinamento. No livro, o narrador fala sobre o primeiro dia dos garotos no Centro Espacial Johnson, em Houston e nos capítulos seguintes o livro dá um salto para o tão esperado dia do lançamento. O livro ficaria sim, um pouco maior e dependendo da abordagem, cansativo, mas queria ter visto um pouco de pesquisa sobre o treinamento feito pelos astronautas. Acho que vou ter de pesquisar essa parte por conta própria.

Treinamento em uma piscina gigante para simular a gravidade zero. 
O livro é narrado em terceira pessoa. O Foco da narrativa se concentra nas experiências dos três garotos, embora o autor ceda um bom espaço para personagens coadjuvantes que aparecem na história para acrescentar algo que não teria como ser visto pela ótica dos garotos. Os personagens vão sendo apresentados gradualmente e cada capítulo é focado em um deles, dando uma dinâmica a mais na narrativa. A relação de tempo é linear, com exceção do prólogo que se passa no passado e o das duas páginas finais, que se passam no futuro. A revisão está ótima, com pouquíssimos erros. A diagramação está excelente, com letras no tamanho certo para leitura e bons espaçamentos. O que chamou muito a minha atenção foram as ilustrações (imagem abaixo), onde o autor exemplifica visualmente trechos do livro, como é o caso do mapa das instalações da base lunar DARLAH 2. O livro é dividido em três partes: A Terra, O Céu e Depois com vários capítulos cada. E por fim, há uma nota intrigante do autor que me levou a fazer pesquisas curiosas no Google e de quebra, assistir alguns filmes sobre a temática de viagens espaciais.
Harstad nasceu em Stavanger, Noruega. Ele fez sua estreia literária em 2001, com uma coleção de prosa curta intitulado Herfra blir du eldre nua ("De agora em diante você ficou mais velho"). No ano seguinte, ele publicou uma coleção de histórias curtas chamadas AMBULANSE ("Ambulance") e 2005 viu a publicação de seu primeiro romance, Buzz Aldrin, hvor det ble av deg i alt mylderet? (Buzz Aldrin, o que aconteceu com você em toda a miríade?”). Em 2008 ele publicou seu primeiro sci-fi / horror romance, 172 horas na Lua, um cruzamento entre infanto-juvenil e ficção/Terror.
Sendo uma obra que aborda viagens espaciais, começo recomendando o livro para os entusiastas. Principalmente aqueles que curtem algumas teorias mais escabrosas sobre o porquê de ninguém mais ter pisado na lua, dos motivos que levaram ao fracasso de algumas missões e da seguinte questão: estamos realmente sozinhos? Recomendo para aqueles que, como eu, são curiosos para descobrir o que está acontecendo. O autor esconde a verdade até onde é possível esconder e um pouco além. E por último, para aqueles que adoram quando um autor faz uma salada mista entre ficção e realidade, ao ponto de, no final, você quase não conseguir distinguir a diferença entre os dois.
172 horas na lua é uma história densa e instigante que tem me feito olhar com mais desconfiança para a lua.


Bibliografia de JOHAN HARSTAD (ordem cronológica):

Livros publicados no Brasil:

  • 172 horas na lua – Novo Conceito (2015).


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Comentários
11 Comentários

11 comentários:

  1. Não leio muitos do gênero e quando vi deu vontade de ler por parecer interessante. Mas fui passando e vi algumas coisas desanimadoras dele. Sei lá se leio.
    No geral parece valer a pena, a história é boa e mesmo que tenha uma acelerada em algumas partes acho que ainda assim é bom. Mas sei lá, não tô animada pra ler mais :S

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  2. Oi, Luciano!

    Apesar da sua resenha empolgadíssima, não sou fã de ficção científica, então não me interessei pelo livro. Até porque você disse que no final ainda sobram algumas pontas soltas e eu detesto quando isso acontece... rsrs.


    Beijos!


    www.oblogdasan.com

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  3. Olá!!
    Acontece sempre comigo, de ler um livro só por conta, da insistência de algum, daí depois corro e agradeço desesperadamente por a pessoa ter existido rsrs. Mas isso não aconteceu comigo nesse livro, pois assim q lançou fiquei louca pra ir adoro o gênero e não ia deixar esse passar. Gostei muito desse livro , sua resenha ficou ótima, e como você achei que teve alguns atropelos, varias coisas poderiam ter sido mais detalhadas, mas no geral adorei o livro.
    Bjocas!!

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  4. Oiiie
    não é meu gênero de leitura mas meu amigo leu e super adorou, não costumo ler esse gênero, sua resenha está bem legal e é uma ótima dica para pessoas que curtem ficção cientifica

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  5. Olá!
    Bem, recebi esse livro para resenha há algum tempo, mas como não tive muito interesse, ele acabou ficando para um colaborador meu. Ele adorou o livro! Eu, por outro lado, apesar de achar bem legal a temática do livro e fica bem curiosa a respeito dos mistérios que envolvem a trama que você citou, ainda não me sinto atraída o suficiente para lê-lo. Entranho, não?
    Enfim, gostei da resenha. Bem completa. E achei legal o fato do autor trabalhar em cima da personalidade dos personagens.
    Beijos!
    Laury

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  6. Olá Luciano! Essa capa me instiga toda vez que eu a vejo, parece dar ao livro um ar inquietante. Apesar de ainda não ter lido, minha curiosidade não diminuiu. Descobri que tenho uma tendência a gostar de livros sobre astronautas quando li Perdido Em Marte, acho que já está mais do que na hora de dar uma chance para 172 horas na lua, acho que vou gostar ainda mais com essa conspiração por trás de tudo. Amo teoria de conspirações por mais loucas que sejam!

    umreinomuitodistante.blogspot.com.br

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  7. Olá! Sua resenha me deixou muito confusa (rs). No bom sentido, claro. Eu tinha decidido ler, depois decidi não ler, depois decidi ler e finalmente deixei de lado a ideia de adquirir esse livro. Li resenhas muito contraditórias de quem amou e de quem odiou a obra. Agora, sua resenha veio me deixar novamente com aquele desejo de conhecer essa história. O que mais gostei foi você ter mencionado que provavelmente descobriremos o mistério do livro quando é tarde demais (rs). Adoro isso! Aaaah. O que faço? Acho que preciso ler e ter minha própria opinião.

    Beijos!
    www.myqueenside.com.br

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  8. Olá!

    Primeiramente, eu não conhecia o blog, parabéns, ele é lindo!!
    Eu morro de vontade de ler esse livro! Mesmo sem gostar quase nada de coisas do espaço rs, alguma coisa nele, uma coisinha que me soa meio sinistra, não sei explicar, me chama a atenção!!!

    Bjus
    Blog Fundo Falso

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  9. Olha, também recebi esse livro para resenha no Poesia na alma, dei uma foleada, o enredo é bacana, criativo e instigante, mas o que me fez brochar foi a idade dos protagonistas.

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  10. Eu adoro livros que deixa pontas soltas nos fazendo pensar, criar teorias, assombrar! A ultima vez que peguei um livro que me fizesse ter esse efeito foi OS TRÊS de Sarah Lotz. Então, acho que vou adorar esse livro também!
    Parabéns pela resenha, me deixou realmente curiosa. ^^
    Ni
    Cia do Leitor

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  11. Oi!
    Quando vi esse livro no lançamento fiquei curiosa e lendo a resenha gostei da historia, parece ser diferente e bem interessante, ainda mais tendo o espaço e a lua como cenário o que me deixou bem curiosa, também dessa ideia do sorteio e fiquei curiosa para saber sobre os adolescentes sorteados, também achei que cada um com seus problemas e personalidades diferentes acaba aproximando do leitor e tornando a historia mais real !!

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