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11/10/2016

RESENHA - Condado Macabro (Marcos deBrito)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: DEBRITO, Marcos. Condado Macabro. 1ª edição. Santos/SP, Editora Simonsen, 2015. 158 páginas.
Gênero: Terror;
Temas: Mortes, sexo, assassino em série;
Categoria: Literatura Nacional
Ano de lançamento: 2015












           “A menina estava amarrada com o pescoço dilacerado. O sangue que jorrava de sua garganta aberta represara na camisa branca tingindo-a de vermelho. Como um animal pronto a ser servido em uma ceia canibal, uma fruta, que a impedira de berrar antes de sua morte, tapava sua boca.”
*Condado Macabro (pág. 96).


Cinco jovens decidem sair para o interior em um final de semana. Alugam um casarão afastado do centro da cidade. Isolados, com os hormônios em alta, o final de semana promete ser muito regado a bebidas e sexo. Porém, um psicopata assassino decide acabar com a diversão assassinando sem nenhum remorso cada um deles.
Já viram isso em algum lugar?
Condado Macabro, do autor e cineasta Marcos deBrito, é uma adaptação do roteiro do filme de mesmo nome. A história começa com um interrogatório. Um policial chamado Moreira interroga um homem em uma fantasia de palhaço (tinha de ser um...) que estava sendo acusado de promover uma chacina na cidade. O homem algemado à cadeira se diz inocente, mas o sangue que encharca suas mãos e roupas dizem o contrário. Seria ele um assassino ou alguém que estava no lugar errado e na hora errada?
Horas antes, um grupo de cinco amigos Beto, Lena, Théo, Vanessa e Mari saem de férias rumo a uma cidade no interior e lá alugam um casarão com piscina, mesa de sinuca, bar e o principal: longe de qualquer vizinho. Depois de comprar comida e bebida os cinco começam a se divertir (cada qual a sua maneira) na mansão... até que o primeiro deles some misteriosamente.
Antes de tudo preciso dizer o quanto sou fã da escrita do autor pelo excelente “À Sombra da Lua” (resenha). Quanto ao lançamento de Condado Macabro, fiquei curioso pela história e fui alertado pelo próprio autor que essa obra teria uma pegada diferente. Dito e feito. Ao contrário de seu livro de estreia, Condado Macabro não tem qualquer pretensão maior do que ser uma homenagem aos filmes dos anos 80, em especial os do gênero Slasher (cumprindo muito bem esse intento, diga-se de passagem). Para quem não sabe, Slasher é um subgênero do terror e tem como principal característica assassinos em série (Serial-Killers) que matam muitas pessoas, geralmente aleatoriamente ou por tais estarem em “seus territórios”. Quem ai nunca teve vontade de entrar em Crystal Lake, não é mesmo? #SQN

Melhor colônia de férias para jovens cheios de hormônios xD
Lendo esse livro me lembrei por que torcia para o Jason (ou Krueger, ou Chucky...) matar certas pessoas. É um personagem mais bocó que o outro (no sentido de tomar decisões estúpidas) e todos claramente estereotipados. Temos o jovem introvertido e “bom amigo” que nutre um amor pela loira gostosona, uma morena igualmente gostosa, um cara metido a galã, mas que é um tarado de carteirinha e só sabe soltar cantadas de pedreiro e finalmente, a gordinha de quem todo mundo tira sarro (em alguns filmes temos o nerd no lugar desta). Então, leitores, não esperem um aprofundamento na construção dos personagens, como seus passados e motivações. Eles estão ali por um único motivo: serem alvos em potencial de um assassino em série. Este, que por sinal, honra seus antecessores com assassinatos brutais regados a muito sangue e tripas de suas vítimas.
Eu cheguei a fazer um bolão mental para ver quem iria conhecer o céu (ou inferno, vai saber) mais cedo. Essa pra mim é a parte divertida desses filmes/livros: tentar prever quem são as vítimas e quem vai sair inteiro no final. Confesso que errei a ordem de algumas mortes, mas acertei sobre uma das maiores reviravoltas da narrativa. Esta é uma grande peculiaridade do autor: conseguir dar ótimas reviravoltas em suas histórias.

          - Ô, Mari... – ele murmurou todo dengoso em seu ouvido, arrastando-a para dentro de casa. – Eu nunca te falei, mas se o seu peito fosse uma buzina eu não ia deixar nenhum vizinho dormir.
Tentou dar um toque final à piada apertando o seio farto da morena, mas logo que ela percebeu a mão do marmanjo descendo seu ombro já lhe deu o primeiro fora.
             - Ai, Beto! Você não tem jeito! – desvencilhou-se do afago atrevido.
*Condado Macabro (pág. 56).

O livro contém “interferências” em algumas partes. Tenho de dizer que estranhei e não entendi bem para que propósito serviam. Por exemplo: quando um dos jovens comenta sobre a cidade que eles vão, a palavra aparece totalmente rabiscada (imagem abaixo), logo, não dá para saber em qual cidade brasileira aconteceu à história. Em outra, carimbaram um trecho do livro com a palavra “censurado” e mais uma vez fiquei sem entender aquilo. Fui levar minhas dúvidas para o autor e ele me disse o seguinte: “Como no livro, o filme também tem os garranchos visuais, erros propositais. Para o livro eu tentei encontrar uma estética que passasse a mesma ideia de um filme sujo em algumas partes. No cinema justificava os frames faltando como brincadeira pra não mostrar coisas.”. Depois que ele me disse isso, as partes que sofreram algum tipo de “censura” fizeram bastante sentido para mim.
Pequeno trecho do livro com a "interferência" 
A obra é narrada em terceira pessoa. A história é fluida e rápida, graças à forma como o autor a dividiu, pois ela se passa em três momentos: o interrogatório, o dos jovens e o da visão do assassino. O autor habilmente intercala entre esses momentos, sempre deixando um mistério ou ponta solta entre uma e outra passagem, para aguçar a curiosidade do leitor. Como dito anteriormente, os personagens não são aprofundados, apenas suas personalidades são exploradas na narrativa. A revisão pecou um pouco. Encontrei alguns erros, principalmente da metade para o final. A diagramação é boa, com folhas amareladas e bom espaçamento nas letras. A capa mostra a cara de um bizarro palhaço, que com toda certeza botaria muita gente para correr.
Marcos DeBrito é cineasta e roteirista com mais de 30 prêmios no currículo. Seu romance “À Sombra da Lua” marcou sua estreia na literatura, com fortes influências de Edgar Allan Poe e Álvares de Azevedo, além de, naturalmente, beber no que há de melhor do cinema de terror. Condado Macabro é seu primeiro longa-metragem, dirigido ao lado de André de Campos Mello.
Recomendo a obra para os entusiastas do terror, principalmente para aqueles saudosistas que assistiam (tremendo debaixo das cobertas) os filmes das décadas de 80 e 90. O Livro é uma clara homenagem ao gênero Slasher (do qual o autor é fã) e não tem maiores pretensões de ser mais que isso. Nem preciso dizer que o filme tem censura +18, não é? Logo não indico essa obra para qualquer tipo de público. Esteja ciente de que o livro é recheado de palavras de baixo calão, pitadas fortes de erotismo e mortes, muitas mortes! Então antes de ler, tenha em mente que você está diante de uma obra que traz todo o clichê e violência de uma época em que a menção “filme de terror” já causava arrepios nas pessoas.


Bibliografia de MARCOS DEBRITO (ordem cronológica):

Livros:  
  • À Sombra da Lua – Editora Rocco (2014).
  • Condado Macabro Editora Simonsen (2016).


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Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Olá
    Eu assisti o filme em uma mostra aqui na minha cidade, e Xessusss que amiguinho era aquele, que terror XD.
    O filme é bem Slasher mesmo, e é muito bem feito, ainda mais com o orçamento teve.
    O Brito é um querido, ele participou de um bate papo depois da exibição do filme respondeu um monte de perguntas, e ainda deu junto com integrantes da equipe de filmagem um workshop Fime sua Morte, adorei conhecer ele, e comprei seu primeiro livro, só que eu ainda não consegui ler T_T

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    1. Oie Daniele! Poxa, que massa! Ainda não consegui assistir o filme. Quero muito conhecê-lo pessoalmente. Ele é um cara bacana. Pelo amor de deus, LEIA esse livro. É muito bom!
      Beijos!

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  2. Luciano!
    Tive oportunidade de ler à sombra da lua e confesso que fiquei totalmente conquistada pela escrita do Marcos e por sua criatividade.
    Agora estou com muito vontade de acompanhar esse 'roteiro' e apreciar mais essa história tenebrosa do autor.
    “Buscamos, no outro, não a sabedoria do conselho, mas o silêncio da escuta; não a solidez do músculo, mas o colo que acolhe.” (Rubem Alves)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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    1. Que legal! O primeiro livro dele é muito bom. Espero que goste da leitura.
      Beijos ;)

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  3. Quando li "slasher" parei de ler. Não tenho nada contra coisas trash, sinceramente, mas esse subgênero é literalmente um terror. Fujo de qualquer coisa que seja disso. Mas que ótimo que você teve uma boa experiência de leitura.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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    1. Terror no sentido de ser ruim de ver ou que você tem medo? Tem estilos para todo mundo. Não dá para gostar de tudo rsrs
      Beijos!

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