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18/04/2017

RESENHA - A CABANA (William P. Young)

Ficha técnica:
Referência bibliográfica: YOUNG, William P.; tradução de Alves Calado. A Cabana. 1ª edição. São Paulo: Arqueiro, 2017. 248 páginas.
Gênero: Ficção.
Temas: Superação. Deus. Assassinato.
Categoria: Literatura Estrangeira. Literatura norte-americana.
Ano de lançamento: 2008.











“Mack concentrou-se no caminho. Enquanto rodeava as árvores, viu pela primeira vez um magnífico jardim e pomar, contido num terreno que não teria mais de 4 mil metros quadrados. Mack imaginara um jardim em estilo inglês, perfeitamente cuidado e organizado. Não era assim!
Era um caos de cores. Jorros ofuscantes de flores se espalhavam em meio a legumes, verduras e ervas plantados aleatoriamente, um tipo de vegetação que Mack nunca vira. Era confuso, espantoso e incrivelmente lindo.”
*A Cabana (pág. 121).

A ‘Grande Tristeza’ anda lado a lado com Mackenzie Allen Phillips desde a morte da sua filha mais nova, Missy. A criança foi sequestrada e o corpo nunca foi encontrado – apenas o vestido que ela vestia antes de sumir. A roupa foi achada ensanguentada em uma cabana velha, e Mack nunca esqueceu aquele lugar. 
Um dia ele recebe uma carta inesperada: Deus o convida para um encontro onde os seus pesadelos moram, naquela terrível cabana. Ele, então, aproveita a saída da esposa Nan e dos filhos em um fim de semana e vai até o local, sem saber se encontrará Deus, o assassino de Missy, ou pior: nada.
William P. Young nos leva a uma aventura ao lado de Mack, o homem que, compreensivelmente, se revoltou contra Deus após  o sumiço da filha mais nova. Ele não se conforma com a maneira como a vida dela foi tirada tão repentinamente. Nan, a mãe de Missy e esposa dele, é diferente: ela tem um apego especial com Papai, como ela chama Deus. 
A primeira parte do livro pode desestimular a leitura. Ela é monótona, melancólica e triste, sem atrativos para acompanhar o ritmo da história. O Mack do início é um homem comum que frequenta a igreja mas não se contenta nem se conforma com a visão que tem de Deus. Ao receber a carta, porém, tudo muda. Nós, então, vibramos com a possibilidade de uma história empolgante. E é exatamente isso que o autor nos dá. 
Mack conhece Deus (Papai), Jesus e Sarayu (o Espírito Santo). O autor estudou teologia e por isso podemos perceber em inúmeras passagens que ele acrescenta explicações e bases religiosas para os personagens criados por ele. Esses, por sua vez, personificam grupos que historicamente sofrem preconceitos: Papai é uma mulher negra e gorda; Jesus é israelense; Sarayu é oriental. A representação dessas pessoas é um dos grandes acertos da trama. 

Edição especial de 10 anos de "A Cabana", publicada pela Arqueiro em 2017 

A edição especial de 10 anos de lançamento da obra – publicada pela Arqueiro aqui no Brasil – traz novidades. Além da capa ser uma cena do filme baseado na história de William P. Young – lançado neste mês –, há outras fotos dentro do livro, que mostram um pouco da representação dos personagens nas telonas. Há também uma nota do autor contando como a obra foi escrita e de que forma ela se tornou um sucesso de vendas. “A Cabana” foi traduzida para 50 idiomas e já vendeu 20 milhões de cópias pelo mundo.
Deus é tudo que a gente imagina de bom. William P. Young não nos acrescenta nada mais além da bondade divina que todos nós conhecemos. Apesar disso, vale a pena descobrir como se configuram intimamente esses três personagens. Podemos acompanhar também a "cura" da alma de Mack. Ele passa poucos dias com Papai e os demais em um ambiente celestial, que impressiona pelas transformações incomuns da natureza.

"- Mack, eu crio um bem incrível a partir de tragédias indescritíveis, mas isso não significa que eu as orquestre. Nunca pense que o fato de eu usar algo para um bem maior significa que eu o provoquei ou que preciso dele para realizar meus propósitos. Essa crença só vai levá-lo a ideias falsas a meu respeito. A graça não depende da existência do sofrimento, mas onde há sofrimento você encontrará a graça de inúmeras maneiras."  *A Cabana, pág. 177.

O livro é narrado em terceira pessoa por um narrador onisciente. A trama é fluida e o foco narrativo se restringe à mudança de Mack em relação ao seu relacionamento com Papai. A aventura do protagonista nos leva a um mundo perfeito, onde tudo é florido e é sempre verão – o que torna a leitura agradável, uma boa companhia em meio à correria do dia a dia.
William P. Young tem uma trajetória incomum: ele foi criado por pais missionários em uma tribo indígena em montanhas da antiga Nova Guiné Holandesa. Para pagar os estudos, trabalhou como DJ, salva-vidas e teve outros empregos temporários. Ele é formado em Religião, no Oregon, EUA.
“A Cabana” é um daqueles livros que nos deleitam por ser leve e nos proporcionar uma história que, apesar de triste, ainda assim é sobre felicidade e superação. Indico esse livro para aqueles que gostam de narrativas que envolvem o mundo espiritual e demonstram a força que a fé tem – ou pode ter – na vida dos personagens. Você pode ser ateu, mas se for um leitor de mente aberta, esse livro também pode te agradar.



Bibliografia de WILLIAM P. YOUNG (ordem cronológica):

Livros:
  • A Cabana – Sextante (2008).
  • A Travessia – Arqueiro (2012).
  • Eva – Arqueiro (2015).  
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Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Tenho bastante interesse em ler o livro e assistir ao filme.
    Parece ser uma história pra lá de emocionante, com um tema bem interessante.
    Vejo muita gente falando bem da obra e isso vem me deixando cada vez mais curiosa.
    Espero conferir ambos em breve.
    Beijos,
    Caroline Garcia

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    1. Oi, Carol! Mesmo com uma trama previsível, o livro me surpreendeu. Vale a pena ler! Também quero muito ver o filme e espero fazê-lo em breve.

      Beijos.

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  2. Isadora!
    Há muito quero fazer a leitura desse livro e se possível assistir o filme tmabém.
    Gosto demais das leituras que nos trazem alguma elevação espiritual e nos fazem trabalhar nosso sentimentos para melhoria.
    Desejo uma ótima semana!
    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria.” (Campbell)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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    1. Olá, Rudy! Gosto desse estilo de enredo porque nos dá esperança de um mundo melhor.

      Beijos.

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  3. Todos estão lendo e vendo esse filme!
    Eu não tenho nenhum interesse nele!
    Sei lá, não bateu vontade de ler.
    Beijoss

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    1. Oi, Rita! Essa é uma obra que agrada muita gente, mas também desagrada por ter um cunho espiritual, bastante otimista. Mas vale a pena conferir, afinal, vai que te surpreende, ein?! Haha.

      Beijos.

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