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14/11/2013

FANFIC - A queda de Morgan

A queda de Morgan


Título: A queda de Morgan
Classificação: + 16
Gênero: Suspense/Terror.
Sinopse: A história do dia em que Morgan perdeu a vontade de viver. Tudo o que importava a partir daquele dia era sobreviver.


A queda de Morgan


        Aquela era uma manhã de primavera. Duane e eu nos levantamos bem cedo para procurar suprimentos. Eu não queria que ele fosse, mas não tinha escolha. Meu filho tinha que aprender a se virar sozinho, seu velho pai não estaria ao seu lado para sempre, ainda mais nos dias atuais, com essas... coisas perambulando por ai.
Como de costume liguei o rádio e tentei chamar por ele. Novamente estática. Não sei por que ainda me dou ao trabalho. Muitos meses já se passaram e eu nunca tive um retorno sequer. Não consigo parar de pensar na possibilidade mais óbvia e a cada dia estou mais certo de minha escolha, de não ter ido com ele procurar seu filho e sua esposa. Pobre Rick.
Criamos um perímetro ao redor de nossa residência. A partir dali estávamos aos poucos mapeando toda a cidade a procura de suprimentos. Já havíamos vasculhado vários quarteirões em busca de comida e armas e a cada dia nossa encruzilhada se complicava. Havia muitos deles nas ruas e dentro das casas e por conta disso, quase não usava arma de fogo, a não ser em caso de extrema necessidade. Armado com um facão invadia casa atrás de casa. Conseguia alimentos, armas e outras coisas necessárias a nossa sobrevivência. Em uma dessas buscas adentramos em uma residência de dois andares que ainda não tínhamos visitado. O cheiro dos mortos era quase insuportável. Duane passou mal e eu pedi que ele me esperasse no hall. O fedor de morte deixava claro que havia mortos dentro da casa e eu não queria que ele ficasse exposto em um local tão fechado. Vasculhei o térreo e o segundo andar da casa a procura dos mortos. Não havia nada. O odor parecia vir do porão. Comecei a descer as escadas com muito cuidado, usando uma lanterna para iluminar o caminho, pois a falta de luz deixava o lugar na mais completa escuridão. Respirar aquele ar putrefato estava quase impossível, mas ainda não havia qualquer sinal de atividade dos mortos. Bati com o cabo do facão na madeira, fazendo barulho para ver se ouvia algum gemido, mas nada. Quando terminei de descer o lance de escadas fiquei estacado por um momento. A visão era muito perturbadora. Havia cerca de seis corpos. Eles estavam empalados, pendurados como se fossem espetinhos de churrasco, estavam todos nus e dois deles eram crianças. Não tinha como saber se fizeram o que fizeram antes ou depois de se transformarem. Seus corpos estavam em estágios avançados de putrefação. Moscas zuniam aos montes, alguns chegavam a entrar e sair dos orifícios. Meu deus! Que tipo de mente doentia faz algo assim? Quase vomitei. Subi as escadas desenfreadamente, tentando apagar aquela visão grotesca de minha mente.
Quando eu voltei da escuridão, estaquei novamente. Meu coração querendo sair pela boca. A lanterna caiu no chão. Minha mente por um momento travou. Um gemido foi ouvido. Ela estava lá.
Duane estava com a arma apontada para a cabeça dela. Os braços trêmulos, mal aguentando o peso da arma. Ele soluçava e chorava. Sabia que não conseguiria matar a própria mãe, assim como eu não consegui ao longo de todos esses meses. Em alguma parte da minha alma, tinha esperança de que ela voltasse ao normal e esse foi o maior erro que cometi em minha vida. Ela deu um passo em sua direção e tudo a seguir aconteceu rápido demais.
- Duane! – eu gritei seu nome.
Ele se virou para mim, em seu rosto estampado a tristeza e o desespero. Aquela imagem me perseguiria como um fantasma pelo resto de minha vida miserável. No instante seguinte ela estava em cima dele, o jogou no chão e mordeu sua jugular, arrancando um pedaço enorme no processo. Ele soltou um último gripo abafado, antes de perecer a mais uma mordida. Eu só conseguia ver o vermelho. O carpete, meu filho, minha esposa, meu coração. Em um rompante de fúria eu o fiz. Com o rifle que o xerife me deu, mirei e finalmente apertei o gatilho. Sangue seco se misturou ao vermelho. Os dois ficaram ali, estáticos no chão. Eu finalmente fiz o que deveria ter feito.
Mas era tarde.
Em meu egoísmo, minha esperança por um dia reencontrar minha mulher viva, curada dessa desgraça, deixei meu filho, meu amado filho morrer.
Não sei por quanto tempo fiquei de joelhos no meio daquele corredor, com minha família no meu colo. Sei que chorei, gritei e me amaldiçoei por ser tão covarde. Depois de um tempo senti um movimento, os braços dele começaram a se mexer. Apanhei o revolver que trazia comigo e atirei na cabeça de meu filho. Não aguentaria vê-lo transformado, não era justo com ele. Sangue espirrou para todos os lados e minha roupa ficaria manchada para sempre com a marca dos covardes. Agora era a minha vez. Iria morrer ali, com minha família perto de mim. Apontei para minha têmpora, puxei o cão, minhas mãos tremendo, o dedo no gatilho... mas não consegui.
A coragem que eu tinha de dar cabo da minha vida se foi quando eu matei meu filho e minha mulher.
Os covardes, vão herdar está terra.



Autor: Luciano Vellasco

Idade: 24 anos

Localidade: Brasília

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