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20/01/2015

RESENHA - O Reino das Vozes Que Não Se Calam (Carolina Munhóz, Sophia Abrahão)



Ficha técnica:
Referência bibliográfica: MUNHÓZ, Carolina. ABRAHÃO, Sophia. O Reino das vozes que não se calam. Rio de Janeiro, Fantástica Rocco, 2014. 1ª edição, 288 páginas.
Gênero: Ficção infanto-juvenil brasileira, fantasia – ficção.
Temas: Fantasia, seres exóticos, adolescência.  
Categoria: Literatura nacional.
Ano de lançamento: 2014. 















“Lembrava-se da água violeta tocando seu corpo, da sensação reconfortante que aquilo passava, de sentir o vestido colado e a dormência convidativa. Conseguia ainda observar os rostos bizarros dos seres aquáticos jamais vistos até então e absorver a escuridão tão desejada. Cruzara a barreira. Passara pela segunda etapa. No entanto, algo acontecia. (...)”.

“O Reino das vozes que não se calam”, (pág 220).



Dizem que o mundo é cruel. Diante deste, algumas pessoas não conseguem sobreviver à dose de crueldade diária imposta por muitos. Sophie é uma dessas pessoas. Uma jovem corajosa e autêntica que tem o seu brilho natural ofuscado por pessoas egoístas que a menosprezam sem um motivo. Sophie se encontra em um mundo onde nem os pais parecem aceitá-la. Acredita que só tem Dior, o seu cachorro fiel.
De uma hora para outra a vida de Sophie muda completamente, de modo que ela nunca mais será a mesma. Em um dia de cochilo típico, ela acorda em um mundo que não é o seu. Um mundo onde todos parecem aceitá-la e amá-la do jeito que ela é. Porém, ao mesmo tempo em que se encontra noutro mundo, tem de encarar os seus problemas “reais”. Sophie então terá de enfrentar o maior dilema de sua vida.
Fonte: Facebook

Uma jovem bonita e triste: assim se apresenta Sophie, a personagem principal do livro “O Reino Das Vozes que Não Se Calam”. Filha única de George e Laura, Sophie se vê sozinha em um mundo onde todos a julgam e a rejeitam. Ela é uma personagem intrigante e de personalidade forte que vive em um mundo onde não é aceita e, de repente, descobre outro em que todos a amam e necessitam dela. Como em best-sellers de ficção com uma pitada romântica, as autoras conseguiram a receita para o sucesso: unir a infelicidade de uma adolescente com a magia do sobrenatural – o que é capaz de mudar totalmente a vida da jovem. A personagem principal então descobre o “Reino”, um lugar misterioso e convidativo. A descrição do “Reino” é sutil e precisa, porém confesso que me perdi algumas vezes neste por haver detalhes excessivos.
Um grande acerto das autoras foi a construção dos personagens que vivem no “Reino”. Estes são exóticos e é perceptível que foram bem planejados, havendo uma razão e explicação, dentro do enredo, para a maioria deles.
Voltando para o mundo “real”, os personagens George e Laura, pais da Sophie, foram também desenvolvidos e harmoniosos na trama. Eles são clássicos pais que não entendem os filhos, mas tentam apoiá-los sempre. Nada fora dos padrões a que estamos acostumados. Diferentemente do que aconteceu com o personagem Léo, que apesar de ser apaixonante, não parece casar bem com o enredo da obra. Esperava mais deste personagem (que é muito importante) e por isso me decepcionei neste ponto. Os demais personagens, como Mônica e Ana, são bem humoradas e casaram perfeitamente com a vida conturbada e confusa da personagem principal.





Fonte: Facebook

Algumas vezes durante a leitura, me deparei com citações de músicas, inclusive de uma das escritoras, a Sophia Abrahão. Além de música brasileira, há também trechos de músicas internacionais, como The Beatles, Pink Floyd, Oasis (amei!), Lorde etc. A música faz parte da vida das pessoas e aqui fez a diferença na construção do enredo, já que a personagem principal possui o talento do canto, apesar de não gostar que os outros saibam disso. Um detalhe interessante e peculiar.
A obra é narrada em terceira pessoa, através de um narrador onisciente. Algumas frases curtas, em itálico, foram usadas para apresentar pensamentos dos personagens durante a narrativa. O foco narrativo é a personagem principal, Sophie, em suas novas descobertas e ações quanto às essas. A trama é contada de forma linear, com poucos flashbacks.
O livro tem 288 páginas, e é dividido em um prólogo e 28 capítulos enumerados, porém sem nomes. A obra não apresenta erros quanto à revisão e formatação. Foram usados alguns trechos de músicas brasileiras e estrangeiras. Quanto á esta última ocorreu algo incomum: a narrativa se estende à tradução (o mais comum é que seja feita no rodapé) o que, apesar de não dificultar a leitura, trará complicações se acaso a obra vier a ser traduzida para o inglês. No final há um playlist das músicas utilizadas e os nomes das bandas citadas na obra.
A capa e todas as páginas da obra despertam a atenção pela beleza. Cada detalhe parece que foi feito à mão, tamanha a delicadeza encontrada. O meu exemplar tem em algumas páginas erro de impressão, o que resulta em alguns borrões no inferior destas, porém não é nada que atrapalhe o desenvolvimento da leitura.
Em 4 de novembro de 1988 nascia em São José do Rio Preto (SP) Carolina Munhóz Honório, uma brasileira que logo se tornaria jornalista e grande romancista. É integrante do Potterish, um dos maiores sites de Harry Potter do mundo: o que nos dá uma ideia da sua imensa paixão por aventuras. Com apenas 25 anos, a autora de livros de ficção e aventura foi comparada e eleita, pela Revista Época, como seguidora dos passos de autoras renomadas como Cassandra Clare e Alexandra Adornetto. Vencedora do Prêmio Jovem Brasileiro de 2011 e Destaques Literários de 2012, a autora também chamou a atenção de grandes veículos de comunicação como Estadão, O Globo, rádio Record de Londres, Capricho e Disney Channel, além de ter o privilégio do livro “O Reino das vozes que não se calam” ser citado no Domingão do Faustão, programa da Rede Globo.
Esta obra traz uma surpresa: é o resultado de duas mentes brilhantes. Carolina Munhóz contou com a parceria de Sophia Abrahão. Sophia é uma artista completa: modelo, atriz, cantora e agora escritora. Aos 23 anos, a paulistana lançou seu primeiro livro: “O Reino das vozes que não se calam” (2014). Sophia Abrahão é, com certeza, um sucesso, principalmente entre o público jovem. Além de vencer diversos prêmios nacionais, como Melhor Atriz Nacional“, “Mais Estilosa e Melhor Instagram”, no Capricho Awards 2012, a jovem venceu seu primeiro prêmio internacional em 2013: o de Celebridade Fashion Mundial (Celebrity Fashion Shorty Award Leaders) no Shorty Awards, considerado o Oscar das redes sociais pelo The New York Times.
Apesar de ser uma obra infanto-juvenil, durante a leitura, muitas vezes eu me senti no mundo de Sophie, olhando através dos olhos dela, sentindo as angústias e prazeres da mesma. Uma sensação que só foi possível por conta do enredo bem escrito e desenvolvido. Um livro só é um bom livro quando consegue dar essa sensação ao leitor.
      “O Reino das vozes que não se calam” é uma obra realmente fantástica. Por isto, indico este livro não somente para jovens que buscam aventuras e fantasias de mundos exóticos que os livros podem oferecer. Indico também para aqueles que buscam uma história que, apesar de ser fictícia, nos desperta para a vida e nos faz refletir sobre o que está ao nosso lado e muitas vezes não valorizamos.






Bibliografia de CAROLINA MUNHÓZ (ordem cronológica):

Livros:
  •  A fada - Fantasy – Casa da Palavra (2012);
  •  O Inverno das fadas - Fantasy – Casa da Palavra (2012);
  •  Feérica - Fantasy – Casa da Palavra (2013);
  • O Reino das Vozes que não se calam – Editora Fantástica Rocco (2014).
Contos:

  •       Fui uma boa menina? - Rocco Digital (2013).


Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. Já queria o livro e agora quero mais....
    Preciso do livro e você foi uma ótima em detalhar o livro!
    Parabéns pela resenha!!!

    Viviana

    www.devoreumlivroeoufilme.blogspot.com.br

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  2. Estou com esse livro aqui em casa parado, mas pretendo mudar isso e ler, pois fiquei interessada pela sua resenha. http://cantinhodacarolll.blogspot.com.br/2015/01/o-codigo-do-apocalipse.html

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  3. Viviana, que bom que tenha gostado! Leia o livro, você não irá se arrepender.

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  4. Viagem Literária, não deixe o livro parado, pegando poeira. Leia! Você vai gostar. :)

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